
Pela primeira vez foi realizada uma etapa do circuito mundial WQS, divisão de acesso ao WCT, na América do Sul.
Sabendo disso, não tive dúvidas, fiz minha inscrição e comecei a me preparar para o primeiro campeonato em 2005.
Em minha primeira participação numa etapa do circuito mundial feminino, além de competir, pude conhecer outro país maravilhoso: o Peru, lugar mágico e místico rodeado de maravilhas e contrastes.
O campeonato começou no dia 3 de fevereiro,

mas eu cheguei alguns dias antes para treinar. Hospedei-me na pousada Pico Alto Surf Camp com a capixaba Yries Pereira e brasiliense Taís de Almeida.
Logo de cara notamos a grande presença de brasileiros no país – todos à procura de ondas longas e perfeitas.
Surfamos muito em Señoritas, Caballeros e Pacharacas – picos mais próximos da pousada. Mas, isso não nos impediu de conhecer outras praias mais ao norte e sul do país.
No período que estivemos viajando, não teve nenhum swell excelente, porém sempre tinha

onda e podíamos surfar diariamente. O lugar é muito constante.
No início nossos braços doíam de tanto remar, pois a maioria das ondas eram point break. Eram necessárias boas remadas para chegar ao pico.
O campeonato se aproximava e podíamos ver o crowd das mulheres aumentando. Era evidente o carinho dos peruanos pelas atletas e principalmente por Sofia Mulanovich. As homenagens e divulgações estavam em toda parte.

Eu, Yries, Tais e Silvana Lima passamos boa parte do tempo com Anali Gomes, atleta peruna e atual campeã latino americana.
As pessoas queriam bater muitas fotos e expressar sua incrível admiração durante boa parte do tempo, principalmente as crianças.
Quando o campeonato começou a praia estava lotada. Desde o primeiro dia milhares de pessoas compareceram para ver o evento.
Nesse dia, as brasileiras se deram bem e avançaram em maioria nas baterias. No segundo dia, as atletas pré-classificadas entraram na competição e complicou a situação das atletas brasileiras.
As únicas que seguiram na competição foram Taís de Almeida, Silvana Lima e Jaqueline Silva, que teve uma partição incrível com direito ao único 10 do campeonato. A onda foi muito boa mesmo! Como é lindo assistir a uma brasileira representar tão bem seu país!
Toda manhã era a mesma rotina, um ônibus saia de Punta Hermosa e levava as competidoras até o local do campeonato e o atraso começou a ser normal desde o primeiro dia e por incrível que pareça não por parte das atletas e sim da organização!!!!!
No último dia de competição todas as atletas brasileiras estavam na praia torcendo para Jacqueline. Foi muito legal, pois, fizemos uma torcida organizada com direito a cartazes e papel picado. Todos puderam perceber que as brasileiras eram as mais unidas.
Quando o evento terminou, algumas meninas voltaram ao Brasil e outras decidiram permanecer por lá. O meu plano era continuar mais um tempo, mas acabei ficando doente, com febre e indisposta – motivos que me fizeram voltar para casa.
Segundo os organizadores, em 2006 o campeonato será realizado novamente. Já estou planejando uma visita a lugares como Cuzco (conhecido como umbigo do mundo, pois lá começava uma grande rede de caminhos Incas que unia praticamente toda América do Sul, desde a Colômbia até a Argentina), Machu Pichu, as ruínas de Pachacamac e as incríveis Linhas de Palpa e Nazca que formam um astronauta, um condor e um beija-flor. E pode ser vista apenas sobrevoando o lugar e é considerados um dos maiores mistérios do mundo.
Na volta para casa tive sorte do céu estar limpo e claro. Pude observar a beleza da Cordilheira dos Andes e do Lago Titicaca, que me impressionou muito por aumentar fertilidade das terras que o cercam.
Gostaria de agradecer a todas as pessoas que me ajudaram e incentivaram nessa primeira empreitada, principalmente meus patrocinadores: Long Island, DVS Shoes, Arnette, Bully`s e Thiago Cunha SurfBoards.
Valeu e até a próxima viagem!