
O campeão mundial Junior Pablo Paulino está de malas prontas e embarca para Margaret River nesta sexta-feira, onde disputa a tradicional etapa australiana 6 estrelas do WQS, entre os dias 14 e 20 de março.
Com o foco em uma possível vaga no WCT 2006, Paulino parece ter perfeita consciência do momento que está vivendo. “O sucesso não me deslumbrou”, afirma.
“Continuo sendo o mesmo, mantenho minha humildade e estou com a cabeça no lugar para poder dar o melhor de mim como atleta em 2005”, completa Paulino.
A observação faz sentido. Desde que se tornou o mais novo campeão mundial Junior,

sua vida mudou totalmente.
As dificuldades que conheceu nos tempos em que batalhava por um lugar ao sol cessaram, a imprensa o assedia com freqüência, mordomias antes nunca pensadas agora fazem parte da sua vida e o garoto saído da favela do Titãzinho virou estrela.
O dinheiro agora sobra e os tempos de roubada acabaram. O perigo de isso tudo virar a cabeça de um jovem que saiu do nada é real, mas Pablo está tranqüilo.
Junto com a conterrânea Silvana Lima e o carioca Pedro Henrique, ele segue para Margareth River com a consciência de que esse é o primeiro passo de uma longa jornada até a tão sonhada vaga no WCT. “Nós três estamos na mesma batida e pretendemos correr o circuito WQS juntos. Isso é bom, pois um estimula o outro”, afirma o atleta.
Para enfrentar as potentes ondas australianas, Pablo está confiante nos foguetes produzidos pelo shaper Tiago Cunha. “Pablo levará cinco pranchas: duas 6’0 squash, uma 6’3 roundpin, uma 6’6 roundpin e uma 6’8 roundpin”, informa. E se bombar um swell grande, comum em Margaret? “Ele se garante com uma 6’8”, afirma o shaper.
Tiago enfrenta o interessante desafio de fazer uma prancha específica para um tipo de mar diferente do dia-a-dia surfado por Pablo.
“Sabemos que Margaret River é uma onda pesada, com muito volume de água, mas ao mesmo tempo com muita área para manobra e que exige muita remada. Por isso, acreditamos que pranchas um pouco mais grossas e um pouco mais estreitas do que as que ele usa normalmente deverão funcionar bem”, explica Tiago, acrescentando que as pranchas menores terão quilhas fixas e as maiores de encaixe.
Para dar uma idéia da onda que espera Pablo Paulino, o local de Saquarema Léo Neves já declarou uma vez que a onda de MR se assemelha a Itaúna, só que ainda com mais força, principalmente as esquerdas nos dias grandes.
Pablo está descobrindo o mundo. A recente viagem patrocinada pela Surfer Magazine que fez com um grupo de jovens talentos americanos, havaianos e australianos pelo oeste australiano permitiu a ele ganhar maior sensibilidade das ondas que irá enfrentar no WQS.
“É muito importante fazer amizade com os caras lá de fora, estamos todos numa mesma batida, de buscar o WCT”, afirma. Perguntado se sua origem humilde o incomodava, Pablo tem a resposta na ponta da língua: “Tenho muito orgulho de minha origem, sei que meu exemplo servirá para muitos jovens que vivem na mesma condição”.
Pablo está cuidando da parte física e mental. Além de ter um preparador físico, está fazendo aulas de yôga e inglês. Como mensagem para os usuários do Waves, ele deixa o seguinte recado: “Se você tiver um sonho, nunca desista dele. Batalhe e corra atrás do seu objetivo”. Ele batalhou e conseguiu.