
Fala galera!
Não é preciso ser um observador muito atento para notar a massificação de “personagens” nas ruas. Calma, exemplifico:
1 Reynaldo Gianecchini estréia na TV e vira galã. No topo da cabeça cabelo espetado. É o suficiente para que todos os “coxas” de plantão (coxa é a definição para um tipo de cara que por si só não passa de um? coxa) corram ao barbeiro e digam: corta arrepiado.
2 Aparece o Belo, aquele que é amigo da bandidagem, com o cabelo meio- branco-meio-bege-meio amarelo, e lá vão todos os pagodeiros associados e simpatizantes colorir (ou descolorir) a cabeça.
3 Seja nos Jardins (bairro nobre de São Paulo) ou na Brasilândia (periferia da cidade), lá estão elas. Todas de micro-saia, meias ultracoloridas e tamanco. Viva a gostosa da Darlene!
4 Coleirinha no pescoço: das de pescoço fino e comprido, pescoço gordo e curto, pescoço fino e curto, pescoço gordo e comprido. E até das sem pescoço! Novamente, sem distinção de nível sócio-econômico, a coleirinha está na área. Pra balada, coleira preta. Em casamentos e formaturas é a vez da dourada sair da gaveta. Laura, a nossa grande cachorra brasileira!

E por aí vão os exemplos, contando com os containers de água oxigenada vendidos no embalo de Carla Perez e os alisamentos e chapinhas para o “cabelinho ficar igualzinho ao da Cicarelli”.
Nesta altura do texto, se é que você ainda está lendo, deve estar pensando: “puta colunista noveleiro”, e até pergunta: “mas que merda isso tem a ver comigo?” Beleza, eu respondo.
Nestes anos todos vivendo ou convivendo com o surf, costumo analisar o posicionamento das marcas através de suas campanhas publicitárias, localizando os argumentos contidos na comunicação. Estes, mascarados pelo eufemismo, vendem qualquer coisa, não só produtos mas também pessoas.
Tem um cara, lá da Flórida, bom surfista, pai da garotinha Taylor, que faz um som e joga golf de maneira satisfatória. É um garoto-propaganda fantástico! Se você achava que o Carlos Moreno, o magrelo da Bombril, é que era o cara, repara só.
Há anos ninguém mais usava bermuda florida, a peça era até considerada uma “coisa meio de velho”. De repente vem esse cara da Flórida e revoluciona o surf em Pipeline de bermuda florida. Leitor amigo: TODAS as marcas com alguma visão (e também os “pirateros” da 25 de março) estamparam hibiscos nas roupas.
Passada a fase das flores, vem ele novamente com outra estampa: estrelas. Dessa vez é estrela pra todo lado: na bermuda, na camiseta, no moleton. Elevando o surf no Hawaii ou num pico qualquer da Indonésia, o garoto-propaganda eleva também a moda às estrelas.
Vou te contar outra: o mesmo cara aparece com o desenho de uma loira na prancha. Pronto! É o suficiente para que os “air brushers” tenham que se desdobrar da noite para o dia para traçar “curvas de violão” nas pranchas. Eram desenhos de namoradas, irmãs, amigas?
Até pra mãe neguinho prestou essa homenagem. Nessa época as encomendas de pranchas eram feitas com base em medidas e na foto da namorada de biquíni. E com a recomendação: “Ó, faz igual a mina aí!”. Realmente, Kelly Slater, o nosso amigo da Flórida, é um gênio! Ou é muito bem assessorado.
Nessa onda de tendências lançadas por Slater, o que mais me assustou foi quando uma revista (não me lembro qual) publicou as medidas da prancha mágica usada pelo americano. Era uma 6’2″ com 17 e bem pouco de meio. A partir desta publicação, rolou o efeito “choca shaper”. Caras de 1,98 metros e pesando mais de 100 quilos encomendavam pranchas com as medidas da prancha de Slater.
Os shapers tentavam explicar que as medidas deveriam estar adequadas ao dono da prancha e não ao ídolo do dono da prancha. Tentativas em vão. E o pior, depois das primeiras quedas a constatação de que a tal prancha encomendada não era mágica coisa alguma.
Através dos exemplos e historinhas contadas acima, fica fácil perceber o quanto estamos expostos ao poder da mídia. Usamos, falamos e nos portamos da maneira como a mídia define. Ou pelo menos ficamos muito tentados a isso.
Da minha parte, já cotei o valor do metro quadrado da lycra, o dia de trabalho das costureiras, os anúncios, a distribuição e os demais processos envolvidos na comercialização maciça de sungas. Só me resta esperar o Slater vencer o Pipe Masters deste ano usando uma tanga Quiksilver. Será???
Abraço.
PS – Só pra constar na mídia, neste exato momento estou pegando onda e preparando matérias para o Waves numa praia entre Chicama e Mâncora, no Peru. Hehehe!