O australiano Julian Wilson foi o vencedor do controverso título do Rip Curl Pro Portugal em Supertubos na última sexta-feira. Ele barrou o defensor do título, Adriano de Souza, nas semifinais e Gabriel Medina na final. O brasileiro e grande parte da torcida que lotou a praia Supertubos na sexta-feira, acharam a nota exagerada, bem como os torcedores brasileiros, que proporcionaram uma avalanche jamais antes vista nas redes sociais, em protesto ao resultado do campeonato.
“É a terceira vez que eles (juízes) erram comigo”, destacou Gabriel Medina, visivelmente chateado e aos prantos, no pódio. “Mas, fiquei feliz por fazer a final e quero agradecer a todos que vieram torcer por mim aqui na praia e também para os que assistiram o campeonato lá no Brasil, muito obrigado”.
Até o próprio Julian Wilson se mostrou surpreso com a nota da sua última onda. “Achei que ia sair um 7 e pouco”, disse o australiano, depois de receber o troféu de campeão do Rip Curl Pro Portugal. “Meu objetivo número um este ano era ganhar uma etapa do ASP World Tour. Eu venci o US Open em Huntington, que é um grande evento, mas não era um WCT, então ganhar aqui é simplesmente inacreditável”.
Seu melhor momento na sexta-feira foi contra o defensor do título na semifinal. Julian colocou Adriano de Souza em combinação nos 10 primeiros minutos da bateria, pegando um belo tubo e completando aéreos muito altos para estabelecer um novo recorde de 19,27 pontos com notas 9,70 e 9,57. Nesta bateria, superou a marca de 18,50 pontos de Gabriel Medina na quinta-feira, que aparecia no topo dos maiores placares do campeonato.
“O terceiro lugar também é um bom resultado”, disse Adriano de Souza, que recuperou a quinta posição no ranking e segue com chances matemáticas de brigar pelo título mundial nas duas últimas etapas do WCT 2012. “Estou feliz em ver o (Gabriel) Medina representando o Brasil na final e tenho certeza que o nosso país inteiro está orgulhoso disso também. Seria maravilhoso ter dois brasileiros na final, mas o Julian (Wilson) surfou de forma incrível contra mim e mereceu a classificação. Eu vou continuar atrás do meu objetivo principal para esse ano, que é terminar entre os cinco melhores do mundo”.
Gabriel Medina também não deu qualquer chance para o líder do ranking, Joel Parkinson, na primeira semifinal. O ataque foi parecido com o de Julian Wilson contra Mineirinho. Medina construiu uma vantagem com os aéreos nas duas primeiras ondas que surfou nas esquerdas de Supertubos, depois sacramentou a vitória em um tubo nas direitas. Parko foi quem tirou a chance de Medina conquistar o bicampeonato na França e a vingança teve um sabor especial para o brasileiro, que chegava a sua quarta final em treze etapas disputadas no ASP Tour.
Decisão do título – A decisão do título começou devagar, com os dois finalistas errando as manobras nas suas primeiras ondas. Julian Wilson largou na frente em um tubo curto, saindo espremido pela espuma. Os juízes acharam bom e deram nota 7,83. Medina respondeu com um 7,90 em uma boa esquerda iniciada com um aéreo, além de mais três manobras progressivas sempre no ponto crítico da onda.
Logo, o brasileiro aumentou a vantagem com outro aéreo rodando incrível sem as mãos, que valeu nota 6,77. O australiano sai do mar para trocar a prancha e começa a arriscar as manobras para reverter o resultado, sem sucesso. Medina ainda pegou um ótimo tubo, o mais longo da final, atravessa várias placas que despencam à sua frente até a saída e ainda manda uma batida para completar a onda que, para muitos, foi a melhor da bateria. No entanto, na avaliação dos juízes ela foi pior do que o primeiro tubo do australiano e deram nota 7,47.
Julian Wilson fica precisando de 7,55 pontos nos minutos finais e a vitória brasileira parecia certa. Ele tenta o tubo e a onda fecha, arrisca o aéreo e não completa. Faltando 3 minutos, quase acerta um aéreo gigante que facilmente conseguiria a virada, mas cai na aterrisagem. Só que nos últimos segundos, ele escapa da marcação de Medina e pega uma direita que rodou o tubo. Apesar de curto, ele sai vibrando e ainda faz mais três manobras normais para deixar toda a praia em suspense. A nota demora um pouco, mas sai 8,43 e confirma a vitória do australiano por 16,26 a 15,37 pontos.
“Eu senti que conseguiria a pontuação”, disse Julian Wilson. “Especialmente depois da minha outra onda que ganhei um 7. Mas, ao mesmo tempo, a multidão estava muito quieta, acho que os portugueses estavam torcendo para ele (Gabriel Medina). Eu não me senti confiante quando caminhava pela praia e o Wilko (Matt Wilkinson) também não estava 100% certo. Mas, quando divulgaram a nota e vi que tinha vencido, fiquei muito feliz”.
“Eu perdi para o Gabriel (Medina) a final da etapa do WCT da França no ano passado e nem sei descrever o sentimento por conseguir vencê-lo agora”, falou Julian Wilson. “Ele fez comigo praticamente o que eu fiz com ele naquela final em Hossegor, tentando segurar a liderança até o final da bateria. Ficou muito ocupado se preocupando comigo, mas consegui pegar a onda que veio nos momentos finais. Não sei mais o que dizer, só que estou muito feliz”.
Avalanche nas redes sociais – A indignação e a revolta de muitas pessoas que acompanharam a final do Rip Curl Pro em Portugal tomou uma proporção impressionante. Atletas, ex-atletas, jornalistas e torcedores tomaram as redes sociais e as páginas da ASP na web e no Facebook com mensagens de protesto.
Os fãs de Gabriel Medina criaram até uma página no Facebook como forma de protesto: “Gabriel Medina roubado pela ASP”. Até a publicação desta matéria a página já havia ultrapassado os cinco mil fãs.
No Twitter, diversos estrangeiros também se manifestaram contra o resultado da final. “Eu estava assistindo a um campeonato diferente? Tenho certeza de que Medina venceu. Julian Wilson deveria dar seu troféu a Medina”, escreveu o havaiano Kala Alexander no Twitter.
“Gabriel Medina derrotou Julian Wilson por uns dois pontos”, criticou o ex-top da elite mundial Ross Williams.
“Acabei de vomitar. Estou enjoado. 7.47 para Gabriel está errado. Foi o melhor tubo e a melhor onda da bateria. Deveria ter sido um 8.50 ou mais, na minha opinião”, escreveu o top Fred Patacchia.
“Acho que a primeira onda de Julian era um 6 e sua última 7, no máximo. As notas de Gabby (Medina) estavam corretas. Gabriel claramente venceu”, opinou Joel Centeio, campeão do ISA Junior no Brasil, em 2002.
“Concordo em relação à primeira onda de Juian. Não era mais que 6.5. Eles adoram um fim heróico”, respondeu o top Brett Simpson a Joel.
“Eu sou um jornalista australiano e acho que Gab (Medina) foi roubado. Não sei explicar o porquê, mas ele foi roubado. As duas ondas de Gabriel foram claramente melhores que as de Julian Wilson”, disparou o jornalista australiano Tim Baker.
Últimas etapas – Agora restam duas etapas para fechar o ASP World Tour 2012. Apenas os cinco primeiros do ranking têm chances matemáticas de brigar pelo título mundial na Califórnia e no Havaí. Com o terceiro lugar em Portugal, Joel Parkinson abriu 5.500 pontos de vantagem sobre o vice-líder, Kelly Slater. Mick Fanning é o terceiro colocado e John John Florence também permaneceu em quarto lugar. O último candidato, com chances mais remotas, é o brasileiro Adriano de Souza, que recuperou a quinta posição em Peniche.
O penúltimo desafio do ano marca a estreia do tradicional O´Neill Coldwater Classic no calendário do ASP World Tour. O evento acontece nos dias 01 a 11 de novembro em Steamer Lane, Santa Cruz, na Califórnia, Estados Unidos. Depois, o Billabong Pipe Masters encerra a temporada 2012 nos dias 08 a 20 de dezembro em Banzai Pipeline, na ilha de Oahu, no Hawaii. Nestas duas etapas, também serão definidos os 22 surfistas que vão continuar na elite da ASP para o ano que vem. Outros dez são indicados pelo ASP World Ranking, o ranking mundial unificado da ASP.
Confira a análise completa desta etapa na edição de novembro da Revista FLUIR.
Rip Curl Pro Portugal 2012
1 Julian Wilson (AUS)
2 Gabriel Medina (BRA)
3 Joel Parkinson (AUS)
3 Adriano de Souza (BRA)
5 Jeremy Flores (FRA)
5 Owen Wright (AUS)
5 John John Florence (HAW)
5 Josh Kerr (AUS)
9 Raoni Monteiro (BRA)
17 Alejo Muniz (BRA)
25 Miguel Pupo (BRA)
25 Jadson André (BRA)
25 Heitor Alves (BRA)
Top-22 do ASP World Tour 2012 – 8 etapas
1 Joel Parkinson (AUS) – 52.700 pontos
2 Kelly Slater (EUA) – 47.200
3 Mick Fanning (AUS) – 47.000
4 John John Florence (HAW) – 44.350
5 Adriano de Souza (BRA) – 37.650
6 Julian Wilson (AUS) – 34.650
7 Taj Burrow (AUS) – 33.650
8 Gabriel Medina (BRA) – 33.150
9 Owen Wright (AUS) – 32.350
10 Josh Kerr (AUS) – 31.400
11 Jeremy Flores (FRA) – 30.150
12 Jordy Smith (AFR) – 25.400
13 Adrian Buchan (AUS) – 24.150
14 C. J. Hobgood (EUA) – 20.700
15 Michel Bourez (TAH) – 18.250
16 Miguel Pupo (BRA) – 15.950
17 Bede Durbidge (AUS) – 15.000
17 Brett Simpson (EUA) – 15.000
19 Alejo Muniz (BRA) – 14.950
19 Kai Otton (AUS) – 14.950
21 Heitor Alves (BRA) – 14.750
22 Kieren Perrow (AUS) – 14.700
27 Raoni Monteiro (BRA) – 10.000 pontos
33 Jadson André (BRA) – 6.500
36 Willian Cardoso (BRA) – 1.500









