Surf seco

De volta a Ubatuba

Ubatuba é um dos principais cenários do surf brasileiro. Uma cidade distante e com muita natureza, que abriga um viveiro de grandes talentos do surf do passado, presente e do futuro.

 

Itamambuca, sob a proteção dos surfistas que são ambientalistas de várias gerações, conseguiu sobreviver à devastação da mata atlântica e à especulação imobiliária que vem acontecendo nos últimos tempos. A densa mata, o riozinho e o cantinho de Itamambuca continuam intactos.

 

A estrada de terra que liga a BR até a praia estava castigada depois de dez dias de chuva. A diferença de vinte anos para cá que notei foram as árvores que cresceram bastante, deixando esse caminho uma verdadeira floresta. As ondas  não estavam as melhores porque o swell era de leste.

 

Porém, tinha um tamanho. A distância da arrebentação faz desta praia uma verdadeira maratona para os competidores. Por ter sido a quarta e penúltima etapa do circuito, foi muito importante e decisiva para a definição dos atletas que brigam pelo título brasileiro.

 

Renato Galvão, o líder, ficou em quinto, com Odirlei Coutinho em terceiro e Léo Neves em 17º. O título vai ser definido em Saquarema e tudo pode acontecer. A força de Ubatuba pode ser notada pelos líderes do ranking atual: Renato Galvão e Odirlei Coutinho, além da Suelen Naraisa no feminino.

 

Isso sem falar da nova geração, que vem poderosa. Um de seus maiores expoentes, que vai explodir muito em breve, talvez de uma maneira bem impactante (tipo Mineirinho 2) acredito ser o Mateus Toledo, filhote prodígio do bicampeão brasileiro Ricardo Toledo.

 

Falando dos ex-campeões, Pedro Muller arregaçou as mangas e botou suas ‘Asas de Águia’ para funcionar e voltou a ocupar o seu lugar no topo do pódio, coisa que ele estava acostumado a fazer sempre há 10, 20 anos atrás.

 

Grande campeão, grande surfista e grande pessoa, Pedro venceu nomes de peso como o ídolo internacional Peterson Rosa, Wagner Pupo, outro veterano sagaz, e finalmente Adilton Mariano na final, mostrando a todos que a técnica e a competitividade tem um peso grande no resultado de uma bateria.

 

Mariano inspirado pode mostrar o seu talento extremo e arrojado, da escola Fábio Silva. Extrapolou em suas manobras com uma incrível elasticidade nas  junções e lay-backs muito controlados. Wagner Pupo é um competidor que sempre chega junto e pode vencer a qualquer momento.

 

No surfe feminino, Suelen acabou perdendo em casa e Silvana Lima cresceu no ranking vencendo a grande Tita Tavares na final. Outra decisão prorrogada para Saquarema que acontece em outubro.

 

O circuito SuperSurf vai ter uma final emocionante. Quem sabe as ondas de Saquarema possam surpreender, neste ano de inverno rigoroso e de ciclones periódicos, proporcionando ondas desafiadoras atrás da laje.

 

Itaúna, quando as ondas estão grandes, exige prancha adequada, preparo físico, disposição e conhecimento do local. Pode estar marola também, quem sabe? Estas incertezas que tornam o surf um esporte sem lógica e sem favoritos.

 

Que vença o melhor e parabéns a todos envolvidos neste sucesso: Abrasp, Abril, Zecão, black trunks e cia. Aproveitando e agradecendo ao Josil pela ‘guarita’ show na sua surfhouse.

 

Aloha!

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