
A barca para a Costa Rica estava marcada para às 13 horas do dia 20 de julho e contava, até então, com seis integrantes. Mas, às 9:30 horas tocou o telefone no escritório da Nivana Turismo, em São Paulo.
Era Zanetti, que mora no Guarujá e ainda não sabia se ia para o México ou Costa Rica. “Se você conseguir chegar no Aeroporto até o meio-dia, ainda dá tempo de ir para Costa Rica”, disse Vado (Nivaldo Oliveira, dono da Nivana).
Zanetti jogou meia dúzia de roupas na mala e lá estava ele, com seu filho Kauai, na fila, pagando as taxas das pranchas. Foi o cara mais rápido e louco que eu já vi fechar uma trip internacional.

Na fila do chek-in nos esperavam Caio, Renan, Mateus, Rodrigo e André. Todos ansiosos para suas primeiras temporadas na Costa Rica. A previsão do swell era muito boa para os próximos 10 dias: no início, o mar ia ficar com um metro em média, depois ia subir, ficando com cerca de 2 a 3 metros nos 7 dias seguintes.
Chegando no Aeroporto de San José, lá estava nosso motorista Fernando (um venezuelano que mora na Costa Rica há mais ou menos um ano, fazendo surf trips pelo país e, com mais de 30 viagens a Costa Rica na bagagem). Em 2003, desci com ele, de carro, da Califórnia até a Costa Rica, parando e surfando por todos os picos que encontramos no caminho.

Fomos direto para a Região de Jacó, mais precisamente Playa Hermosa, no Hotel Villa Hermosa, onde já tínhamos reserva. Fomos muito bem recebidos por Marcelo, o gerente do hotel, que fala muito bem o português, depois de ter morado alguns anos no Brasil (sua mãe inclusive é de Maceió).
O hotel fica na areia. Era só acordar, sair do quarto e cair na água. Surfamos bastante em Hermosa nesses primeiros dias, fazendo algumas filmagens na frente do hotel, onde praticamente só nós surfávamos. Depois, assistíamos a gravação para tentar corrigir alguns detalhes do surf de cada um.

Hermosa funciona como um termômetro para toda a costa do Pacífico, e enquanto o mar não sobe por ali é besteira cair na estrada. Porém, uma dia acordamos e vimos que o mar tinha dado uma balançada, parecia um pouco maior.
Fomos correndo para Playa Herradura, de onde pegamos um barco com destino à Escondida, um point-break de esquerdas e direitas. As ondas lá tinham no máximo meio metro, mas muito perfeitas.
Surfamos na maré certa e pegamos altas ondas. Como é apenas um pico, não comporta muita gente. Todos se deram bem naquele dia, com destaque para algumas ondas do Mateus, André, Rodrigo e Renan.
À tarde, quando voltamos para Hermosa, o mar já tinha subido mais, com ondas de dois metros bem na frente do hotel. Todos caíram e mostraram muita disposição no primeiro swell pesado da barca.
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Com o swell consistente em Hermosa,
partimos para Pavones, que só funciona com grandes ondulações de sul-sudoeste. Paramos no caminho para uma noite de descanso em Dominical e na manhã seguinte seguimos viagem.
As ondas em Pavones tinham cerca de um metro, com paredes muito longas e algumas seções impossíveis de serem alcançadas. A galera ficou quase o dia todo dentro d’água, alguns surfando dentro do pico e outros nas outras seções da onda.
Previsão de ondas se confirmando, ondas longas e perfeitas, água quente. Estava montado o

cenário de uma barca inesquecível. Como tínhamos somente 10 dias e já estávamos há dois em Pavones, tínhamos que tomar a decisão de continuar ali ou perder praticamente um dia na estrada para visitar as praias do norte. Todos optaram por permanecer.
Em Pavones vi ondas muito longas do Caio, André, Kauai, Mateus, Rodrigo e Renan, com os mais experientes, Zanetti e Fernando, pegando as boas no pico. No dia seguinte, fechamos um barco para Matapalo, uma reserva ecológica do outro lado da baía de Pavones, que possui três picos de direita.
Surfamos no pico principal, que tinha as maiores ondas, com séries volumosas e potentes. Kauai

surfou as mais longas e Renan, Zanetti e André pegaram algumas grandes. O último surf em Pavones foi num final de tarde com muita chuva e água marrom, mas a molecada nem ligou.
Voltamos para Hermosa, que ainda apresentava ondas de 2 a 2,5 metros sólidos, porém fechando. Marcamos uma trip para Boca Barranca no dia seguinte. Chegamos no pico por volta das 7:30 horas. Esquerdas intermináveis quebravam, da boca do rio em direção ao meio da praia, quase parando num pequeno píer afastado.
A onda lá é um pouco mais lenta que Pavones. Era possível fazer a onda desde o pico até o final. Isso se estiver com as pernas em dia, caso contrário era garantia de fritar os músculos. Caio, Renan, Rodrigo, André e Mateus provavelmente surfaram as esquerdas mais longas de suas vidas.
Despedimo-nos da Costa Rica, agradecidos, pois fomos abençoados com swell bom o tempo todo, muito sol, altos visuais, com direito a companhia de muitos bichos: baleia, crocodilos, bicho preguiça, araras vermelhas, tucanos, macacos, iguanas, etc.
É isso aí, galera! Obrigado a todos que fizeram parte dessa barca, mantendo sempre o alto astral e o espírito do surf em primeiro lugar! Valeu e até a próxima!