Na última temporada havaiana, o ex-surfista profissional David Husadel mais uma vez marcou presença no North Shore de Oahu, Hawaii. Como de costume, Husadel viajou em companhia de seu filho Pedro, atleta da nova geração brasileira.
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Sócio e chefe de equipe da Tropical Brasil, David competiu profissionalmente na primeira geração da Abrasp (Associação Brasileira de Surf Profissional) até 1992.
Na última passagem pelo Hawaii, David aproveitou para participar do tradicional Haleiwa Internatinal Open, evento aberto para surfistas amadores, realizado todos os anos em Haleiwa. Nesta entrevista, Husadel fala um pouco sobre a última temporada na Meca do surf.
Como foi a temporada em relação à qualidade de ondas?
Antes de ir para o Hawaii, acompanhamos a previsão pela internet e conversamos bastante com amigos que estavam lá. As notícias eram péssimas, muito vento e ondas pequenas. Chegamos no Hawaii na noite do dia 17 de dezembro, e durante uma semana foi só muita chuva e ondas ruins para o padrão havaiano. Mas para quem acabara de chegar do Brasil, estava ótimo.
Surfamos ondas de 4 a 5 pés com vento e chuva todos os dias. Colocamos as pranchas no pé. A partir do Natal até o dia 19 de janeiro, quando voltamos, foram boas ondas com sol. Várias quedas em Pipeline, Waimea, Sunset, entre outros picos. Surfamos Haleiwa diversas vezes também. A ondulação de Oeste em Pipe é mesma de Haleiwa, o que acaba dividindo o crowd.
A mídia tem falado muito sobre o localismo no Hawaii. Como você avalia esta situação?
Este perfil de atrito, tapas e gritos, acontecem desde sempre. Faz 22 anos que estive pela primeira vez no Hawaii, e de lá para cá sempre acontecem pequenos atritos. É muita ?ego-trip? reunida, dos locais e dos atletas estrangeiros que precisam ir lá, fazer resultados e imagens para garantir seus patrocínios. Durante 33 dias que estive lá, não presenciei nada. Para os competidores profissionais, o jogo de cintura é muito mais necessário. Também tem um outro lado, jornalistas de primeira viagem ao Hawaii sempre enfatizam o ambiente agressivo. Afinal, o north shore havaiano é um interior cheio de ?brucutus? ignorantes e ingênuos, pois ninguém mata ninguém lá.
Como foi aquele campeonato em Haleiwa?
Este campeonato é realizado pela tradicional loja Surf n? Sea . Esta foi a 38ª edição do Haleiwa Internacional Open. É um dos únicos campeonatos internacionais amador realizado no North Shore, o que possibilita ao contingente internacional de surfistas a competir em ondas de qualidade durante o inverno. Atletas amadores de vários países participam. Eu competi na categoria Sênior, exclusiva para surfistas com no mínimo 40 anos de idade. Passei quatro baterias para chegar à final. Foi sensacional surfar Haleiwa perfeito com 3 a 5 pés com somente mais três surfistas no outside.
E seu filho Pedro, como foi a terceira temporada dele?
Pedro em sua terceira temporada já usou pranchas maiores e estava bem atirado nas ondas médias. Rocky Point com 6 pés, que é bem pesado, já estava tranqüilo. Desta vez, ficamos em uma casa em frente à Sunset Beach. Isto fez com que surfassemos Sunset em diferentes condições. Com certeza foi uma ótima experiência para ele.

