Surf Eco Festival

David do Carmo na semi

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David do Carmo é o Brasil na semifinal do Mahalo Surf Eco Festival 2015. Foto: © WSL / Smorigo

 

O paulista David do Carmo salvou a pátria no sábado ensolarado com boas ondas de 2 a 3 pés na praia da Tiririca lotada, sendo o único brasileiro a passar para as semifinais que vão abrir o domingo decisivo do QS 6000 Mahalo Surf Eco Festival em Itacaré, no sul da Bahia.

Ele despachou o costa-ricense Noe Mar McGonagle e vai enfrentar o novo recordista absoluto da etapa baiana do WSL Qualifying Series, Connor O´Leary, único que entrou na zona de classificação para o WCT em Itacaré. Outro australiano, Ryan Callinan, vai disputar a primeira vaga para a grande final na manhã do domingo com o norte-americano Kanoa Igarashi, numa bateria entre dois surfistas que estão bem próximos de confirmar seus nomes na elite dos top-34 da World Surf League.

“Deus é maravilhoso e estou muito amarradão”, disse David do Carmo. “Lá em Florianópolis (SC) eu perdi cedo fazendo interferência, mas aqui estou conseguindo soltar meu surfe com as manobras de backside e estou feliz por ser o único representante do Brasil no último dia. Já vai ser o meu primeiro pódio no Circuito Mundial esse ano, então é manter a fé, me alimentar bem agora para depois treinar pra amanhã (domingo). Eu enfrentei adversários muito difíceis hoje aqui, os caras surfam muito e eu sabia que o costa-ricense (Noe Mar McGonagle) tem um surf power (forte), então procurei forçar mais ainda as manobras pra conseguir vencer”.

David foi um dos surfistas que competiram três vezes no sábado em Itacaré. Na primeira, completou uma dobradinha brasileira com o catarinense Tomas Hermes, com ambos despachando um dos seis concorrentes que tinham chances de entrar na lista dos dez indicados pelo WSL Qualifying Series para a divisão de elite da World Surf League, o australiano Dion Atkinson. Depois derrotou o francês da Ilha Reunião, Medi Veminardi, e nas quartas de final superou o costa-ricense Noe Mar McGonagle, que tinha barrado Tomas Hermes nas oitavas de final.

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Connor O’Leary faz brilhante campanha em Itacaré (BA). Foto: © WSL / Smorigo

MELHOR DO DIA – Seu adversário nas semifinais será o australiano Connor O´Leary, que comandou o show no sábado batendo todos os recordes do Mahalo Surf Eco Festival quando enfrentou o compatriota Michael Wright nas oitavas de final. Foi uma das melhores baterias da semana em Itacaré, com ambos dando um espetáculo de manobras modernas nas direitas da Tiririca. Connor atingiu 18,44 pontos com notas 9,57 e 8,87 e ainda descartou uma 8,50 e Michael alcançou 16,70 com notas 8,93 e 7,77. Esta vitória garantiu a entrada de Connor O´Leary na zona de classificação para o WCT, superando o francês Maxime Huscenot que ocupava a última posição na lista dos dez que se classificam pelo WSL Qualiying Series.

“Caramba, essa bateria contra o Michael (Wright) foi uma das mais difíceis, sem dúvidas. Ele é uma das maiores promessas do surfe australiano e do mundo no momento e a bateria foi muito boa de ondas”, disse Connor O´Leary. “Nós dois conseguimos tirar boas notas e somos grandes amigos. Ficamos no mesmo hotel lá em Florianópolis (SC) e aqui também, sempre jogando cartas para passar o tempo, surfando juntos todos os dias e foi muito irado porque surfamos nosso melhor na bateria. Sobre a classificação para o CT, não estou preocupado com isso agora. Estou só mantendo o foco para surfar bem e vamos ver como tudo vai terminar”.

O australiano ainda fechou o sábado com mais uma grande apresentação totalizando 17,10 pontos contra Beyrick De Vries, sul-africano que entristeceu a torcida na Praia da Tiririca ao barrar o surfista local de Itacaré, Yagê Araujo, na última bateria das oitavas de final. No ano passado, Yagê terminou em quinto lugar no Mahalo Surf Eco Festival e desta vez ficou em nono, empatado com o outro único baiano que competiu no sábado, Bruno Galini. O atleta da equipe Mahalo foi barrado pelo australiano Ryan Callinan, que vai disputar a primeira semifinal na manhã do domingo com o norte-americano Kanoa Igarashi.

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Kanoa Igarashi busca vitória para carimbar de vez a vaga na elite mundial. Foto: © WSL / Smorigo

VAGAS NO CT – A classificação para o último dia foi conquistada num duelo australiano com Soli Bailey, que entraria no G-10 do QS se vencesse essa bateria. Ryan Callinan também precisava passar para se afastar da rabeira na lista e com a vitória saltou para o sétimo lugar no ranking, ficando logo abaixo de Kanoa Igarashi. Os dois estão bem perto de confirmarem suas vagas no WCT e o americano já garante seu nome se vencer o Mahalo Surf Eco Festival.

“Estou amarradão por estar nos top-10 agora, mas nunca se sabe o que pode acontecer no Havaí”, disse Ryan Callinan. “Eu acho que ainda preciso de um outro resultado bom, mas talvez uma vitória aqui possa confirmar a minha qualificação para o CT, não sei direito, mas esse é o objetivo. Estou muito feliz por ter passado para o último dia. Hoje (sábado) foi o melhor dia de ondas aqui, deu para fazer vários tipos de manobras de borda e aéreas também, então espero que amanhã (domingo) continue assim para fechar bem o campeonato”.

O americano Kanoa Igarashi também precisou mostrar o seu repertório de manobras modernas para superar os adversários no sábado. Nos confrontos homem a homem iniciados nas oitavas de final, ele primeiro derrotou o marroquino Ramzi Boukhiam e depois o argentino Santiago Muniz, que tinha feito os recordes da sexta-feira na Praia da Tiririca. Kanoa já ultrapassou a barreira dos 20.000 pontos no ranking, mas para ter sua vaga confirmada precisa da vitória na Bahia, quando atingirá 23.350 pontos para ganhar a quinta posição do brasileiro Alex Ribeiro, que já está garantido na elite dos top-34 do WCT para o ano que vem.

“Eu acho que o Santiago (Muniz) e o Connor (O´Leary) eram os melhores surfistas do evento até agora, então eu sabia que tinha que pegar as melhores ondas para supera-lo e acredito que consegui isso”, disse Kanoa Igarashi. “Estou feliz com a minha participação nas etapas aqui do Brasil. Eu fui até as quartas de final em Florianópolis (SC), agora já estou na semifinal, então a perna brasileira está sendo muito boa para mim e espero ganhar esse evento. Sobre entrar no WCT, prefiro aguardar um anúncio oficial da World Surf League”.

BRASILEIROS ELIMINADOS – O sábado começou com vitória argentina de Santiago Muniz sobre o marroquino Ramzi Boukhiam e o taitiano Mihimana Braye e com cinco brasileiros para tentar manter a hegemonia verde-amarela de títulos na oitava edição do Mahalo Surf Eco Festival na Bahia. Na primeira rodada do dia, o catarinense Tomas Hermes e o paulista David do Carmo fizeram uma dobradinha sobre o australiano Dion Atkinson. Na disputa seguinte, o catarinense Yago Dora, semifinalista em Itacaré no ano passado, foi barrado pelo australiano Connor O´Leary e o sul-africano Beyrick De Vries. Já o local de Itacaré, Yagê Araujo, venceu a última batalha por vagas para as oitavas de final, levantando a torcida que lotou a praia na vitória sobre dois australianos, Michael Wright e Wade Carmichael.

Nos duelos homem a homem iniciados em seguida, o baiano da equipe Mahalo, Bruno Galini, não conseguiu achar as melhores ondas da bateria e foi batido pelo australiano Ryan Callinan. O argentino Santiago Muniz despachou o australiano Davey Cathels no confronto seguinte e David do Carmo derrotou o francês Medi Veminardi, mas Tomas Hermes perdeu para Noe Mar McGonagle na onda que o costa-ricense surfou no minuto final da bateria. E o itacareense Yagê Araujo também caiu para o sul-africano Beyrick De Vries. Os derrotados nas oitavas de final terminaram em nono lugar, com cada um recebendo 2.500 dólares de prêmio e marcando 1.550 pontos no ranking do WSL Qualifying Series.

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Ryan Callinan também está na batalha pela classificação ao Tour. Foto: © WSL / Smorigo

Nas quartas de final, Santiago Muniz foi eliminado por Kanoa Igarashi e David do Carmo foi o único surfista da América do Sul a conseguir classificação para o domingo decisivo do Mahalo Surf Eco Festival. O paulista da Praia Grande derrotou o costa-ricense Noe Mar McGonagle e já garantiu uma premiação mínima de 5.500 dólares e 3.550 pontos, enquanto Santiago ficou com 3.000 dólares e 2.650 pontos pelo quinto lugar em Itacaré.

FINAIS NA MANHÃ DO DOMINGO – As semifinais estão previstas para começar as 8h00 na Praia da Tiririca e o campeão será conhecido por volta das 11h00 na Bahia, 12h00 no horário de verão brasileiro. A vitória no Mahalo Surf Eco Festival vale importantes 6.000 pontos e uma bolada de 25.000 dólares, com o vice-campeão ficando com 12.000 dólares e 4.500 pontos.

FESTIVAL DE MÚSICA: Já é tradição. Desde a estreia do Surf Eco Festival em 2008, ele é encerrado com um grande festival de música. A semana será agitada com os eventos promovidos pelos patrocinadores nos diversos espaços da cidade e até na Praia da Tiririca, com o Eco Sunset rolando até as 19h00 com um DJ animando o pôr do Sol a cada fim de dia na área VIP da arena do evento, para convidados e competidores.

No sábado, 31 de outubro, começam os shows no KM 06, a partir das 20 horas, com atrações de peso da música local e nacional, como Baiana Sistem, Ponto de Equilíbrio, Seu Jorge, além do SPACE DJ ao vivo. E no domingo, depois do campeão do Mahalo Surf Eco Festival ser coroado na Praia da Tiririca, também no KM 06 subirão ao palco as bandas Cidade Negra, Nando Reis, Legião Urbana e com SPACE DJ ao vivo novamente.

Semifinais do Mahalo Surf Eco Festival 2015

1 Kanoa Igarashi (EUA) x Ryan Callinan (AUS)
2 Connor O´Leary (AUS) x David do Carmo (BRA)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.