Daniks de alma lavada em Jaws

Daniks Fischer momentos antes de ser encoberto pelas mandíbulas de Jaws. Foto: Arquivo pessoal Daniks Fischer.

Quando voltei ao Brasil depois da última temporada de inverno no Hawaii, minha primeira em Jaws, estabeleci como meta buscar parcerias e novas técnicas de ensino para minha escolinha de surf e otimizar a performance em Peahi no inverno seguinte.

 

Clique aqui para ver o vídeo

 

Clique aqui para ver as fotos
 
Foi um ano de preparação física e psicológica. O físico faz parte do dia-a-dia, mas a mente se tornou uma importante aliada para driblar dificuldades como falta de patrocínio, visto vencido e compromissos diversos.
 

Daniks amarradão em mais uma temporada havaiana, a 14a do atleta de São Vicente (SP). Foto: Arquivo pessoal Daniks Fischer.

O jeito foi não desistir do sonho e acreditar até o último instante que tudo daria certo. Graças ao patrocínio da Diamond Head, não precisei vender minha Kombi.

 

A experiência e as amizades conquistadas nos 13 invernos que passei nas ilhas permitiram que eu pudesse repetir a dose, totalmente concentrado no objetivo principal.
 
Após uma semana em Oahu, surfando com meu amigo Paulão e captando dinheiro de vendas de pranchas de anos anteriores, desembarquei em Maui e fui recebido com o verdadeiro espírito Aloha da rapaziada.
 
Amigos como Camila Vianna, Goya, José Quissak, Paulinho, Lívio, Ricardo, Nelson Armtage e Sebastian Steudtner fizeram a diferença. Com a ajuda deles, economizei na acomodação e alimentação, fora o uso do jet-ski e combustível.
 
Com isso, surfar Jaws novamente foi um passo natural. Meu primeiro surf do ano foi em Peahi, no dia 2 de janeiro, em ondas de 25 pés, em que pude treinar por cerca de cinco horas com o alemão Sebastian Steudtner, meu parceiro em Maui.
 
Dali para frente foram diversas outras caídas nos outer reefs da região, até que pude finalmente começar a ousar um pouco mais nas ondas, sempre com responsabilidade, e iniciar a busca constante dos tubos na mandíbula de Jaws.
 
E finalmente meu sonho foi realizado. No dia 22 de janeiro, com séries atingindo os 40 pés de face, no final da tarde, peguei uma intermediária de uns 20 pés (talvez um pouco mais) e coloquei para dentro no maior tubo de backside da minha vida.

 

Foi um momento que valeu todo o investimento da viagem e me fez refletir se deveria ou não abandonar a carreira de surfista profissional ? tendo em vista as dificuldades do mercado.
 
Sou muito grato e honrado pelos elogios que recebi de personalidades como Carlos Burle, Garret Macnamara, Shanne Desmond, Kaleo Amadeo, Eraldo Gueiros, Everaldo Pato, Rodrigo Koxa, Alfredo Villas Boas, Daniel Silvagni, Romeu Bruno e outros nomes que registrei em minha filmadora.
 
Volto para o Brasil com a certeza do dever cumprido, por tudo que aconteceu e por ter fechado parceria com a Wild Hawaii (entidade assistencial) para a minha escolinha de surf em São Vicente.

Principalmente depois desta temporada, acredito cada vez mais na força e na influência divina em nossas vidas. Fica a mensagem para que todos corram em busca dos sonhos, porque todo o esforço vale a pena quando é feito de coração.
 
Agradecimentos especiais: Mundo Viagens, American Airlines, Michelle Rose O?Byrne – Wild Hawaii, Tatiana, Eduardo Cassol, André Quintanilha, Daniel Oliveira e minha família.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)