
Dane Kealoha, 44 anos, é o único competidor da Tow In World Cup que já venceu o Pipe Masters, em 82. E, sem dúvida, também o mais completo competidor do evento.
Sua espantosa habilidade e experiência foram demonstradas quando colocou Garret McNamara na “mãe de todas as ondas”, em Jaws, em 26 de novembro. Dane é um dos maiores heróis do surf em todos os tempos, uma espécie de “tesouro nacional” do Hawaii.
O currículo de Dane inclui, entre outras vitórias: Pipe Masters, em 1982; World Amateur Championship in 1976; World Cup Sunset, em 1981; e Duke Kahanomoku Classic, em 1982. (Uma nota interessante: o irmão mais velho de Dane, Francis “Mike” Kealoha, foi cinco vezes campeão americano nos anos 70)
Dane cresceu em Waikiki, mas passou muito tempo no North Shore desenvolvendo sua técnica de tube rider. Seu pai era pescador e seu tio vivia no North Shore ? por isso, sua família ia muito para lá, pescar e curtir o mar. Ele é 75% havaiano e 25% alemão, e sua família é tradicional no Hawaii.
Atualmente, Dane Kealoha mora em Haiku, em Maui, seguindo pela montanha sobre Pe?ahi. À noite, consegue ouvir os swells chegando e, ao lado de seu parceiro Buzzy Kerbox, é normalmente o primeiro a chegar ao line-up de Jaws, antes mesmo dos primeiros raios de sol atingirem a água.
Você participou da Expression Session?
Surfei bem cedo naquela manhã, mas fui embora antes de começar o evento. Peguei umas boas, me diverti… Foi um bonito dia.
Há quanto tempo você faz tow in?
Este é verdadeiramente meu primeiro ano. Já havia feito em Oahu, há um tempão, mas não foi consistente o bastante. Usei zodiacs e mesmo jet-skis ? mas não o equipamento adequado. Agora, no ambiente certo, tow in se tornou um “vício”.
Você pode descrever sua primeira experiência no tow in?
Foi por volta de 1989, no outside de Velzyland, no north Shore de Oahu. Foi um pouco estranho e peguei poucas ondas. Não era como surfar o inside de V-Land. Naquela época, eu só pensava em pegar tubos. Fui rebocado em algumas ondas e disse que aquilo não era para mim. Então me mudei para Maui e vi Jaws. Nunca percebi o quão gigante era até que surfei ali. Na minha primeira vez, fui derrubado pela onda e perdi a prancha de um amigo. E não era nem uma onda gigante… Já estive em todo o mundo, surfei muitas ondas, mas Jaws é a onda definitiva. É provavelmente a mais poderosa e perfeita onda que já vi. Ver Laird (Hamilton) e David (Kalama) surfar realmente me intrigava. É assustador e existe o fator medo, mas observar a performance deles me inspirou a ir lá fora. Laird me ajudou muito este ano. Ele me cedeu algumas pranchas-balsa e, quando o mar está grande, me sinto muito confortável com elas. Atualmente estou surfando com uma Dick Brewer 6?6″. Tem sido um bom ano, porque tivemos muitos dias bons. Tenho trabalhado em meu equipamento, e estar com Buzzy, Laird e Kalama tem me ensinado muito. Aprendi tanto este ano que estarei muito mais confiante no ano que vem.
Quanto Pe?ahi é perigoso?
Um movimento errado pode custar muito caro. Tenho visto surfistas perderem a vida mesmo em ondas pequenas. Mas as chances estão contra você em Pe?ahi. Conversei com Laird e Kalama sobre isso e eles concordam que Jaws é o Superbowl (espécie de Maracanã do futebol americano) do surf. Apenas fazer parte disso, experimentar a sensação de sobreviver a algumas dessas ondas é um “barato” natural.
Quais são suas expectativas para a Tow In World Cup?
Espero que rolem boas condições e ondas que todos possam mostrar o que sabem. Um swell consistente dará a todos chances iguais e isso é importante. Estarei lá para surfar boas ondas com crowd mínimo. Se eu pegar ondas muito boas, será muito mais um prazer pessoal do que por fama e fortuna.
Que tipo de treinamento você está fazendo para a World Cup?
Corro na praia e ando de bicicleta, trabalhando minhas pernas e a parte cardio-respiratória.
Qual a importância de estar em forma em Jaws?
Você precisa estar com as pernas fortes para controlar a prancha, porque há muita velocidade e degraus na face quando você desce a onda. A respiração é igualmente importante porque você tem de ser capaz de controlar a respiração para não desperdiçar oxigênio quando tem de conservá-lo. A capacidade de manter-se em forma é admirável. É assustador ver pessoas sem muito conhecimento de onda no line-up de Jaws. Se algum deles estiver em apuros por qualquer razão, tentarei ajudá-las ? mas é uma pena que eu tenha de me colocar em uma posição de perigo para salvá-los. Mas é como os bombeiros do 911, eles sabem que têm de colocar suas vidas em risco. No tow in é a mesma coisa, se eu morrer tentando salvar alguém, tudo bem. Tenho sorte de possuir um bocado de conhecimento de onda e habilidade, mesmo que eu não consiga prever o que cada onda vai fazer. Sendo surfista e procurando as mais extremas experiências sempre, algumas vezes nos colocamos em situações de risco. Mas é uma emoção e tanto ter aquele exato momento para botar para baixo. Pe?ahi é simplesmente parte satisfação, parte ego e parte medo.
Conte-nos sobre seu parceiro.
Conheço Buzzy toda minha vida, desde que éramos garotos viajando com o Tour juntos. Ele tem muita experiência em Pe?hai e surfa lá há tanto tempo quanto Laird e David. É muito habilidoso e inteligente para tomar decisões ? principalmente em relação à segurança. Por isso, me sinto realmente à vontade com ele. Cada vez mais aprendo com ele estamos nos conhecendo melhor. Na nossa idade, com nossa experiência e estando no lugar certo e na hora certa, somo tão competitivos quanto qualquer um.
Que outras duplas podem ser consideradas favoritas?
Todas as equipes são fortes ou não estariam no evento. Apenas para citar alguns: Brad Gerlach e Mike Parsons, Ikaika Kalama e Garret McNamara e Tony Moniz e Archie Kalepa são boas duplas. Mas há um monte de boas grandes competidores e é muito difícil apontar favoritos. É tudo questão de estar no lugar certo e na hora certa e onde a experiência conta.
Comparando com o surf de remada, o tow in é uma evolução ou um esporte diferente?
É um approach diferente do surf. É mais veloz e me lembra o snowboarding. Na minha idade, a máquina é uma boa porque não tenho que remar nas ondas. Quando surfo na remada, parece câmera lenta. O equipamento é totalmente diferente, você tem alças no pé e as pranchas estão ficando cada vez mais estreitas e menores. É uma sensação diferente quando você está surfando com os pés presos, se comparada a uma gun 9?. Na minha idade, o tow-in é meu grande aliado. Deu-me chance de experimentar coisas em outro nível. É meu conhecimento de água que me mantém no jogo. Se tivesse de remar contra esses moleques, eles me deixariam comendo poeira. Pegariam duas ondas para cada uma minha.
Qual é o futuro do tow in?
Sinto que estamos apenas no início do seu crescimento. Eventualmente, será o maior mercado do surf. Eu estava assistindo o canal Fox Sports e eles tinham os top 5 wakeboarders fazendo tow in em ondas pequenas. Eu imagino caras fazendo aquelas manobras de snow, depois entubando em Jaws. As manobras aéreas estão realmente entrando no jogo. Os esportes hoje são sobre desafiar a gravidade. Está tudo no ar! Agora que senti um gostinho disso, e tenho visto uma série de esportes de onda se desenvolverem, o que posso dizer é: tubos gigantes e manobras aéreas gigantes! Timing e conhecimento também entrarão no jogo com tudo. Acho que eventualmente, surfistas não serão apenas surfistas ? serão boardriders. Surf, skate, snow estão em tantas propagandas atualmente!
Algum comentário final?
Se todos estiverem em segurança, teremos um bom campeonato. Isso é o mais importante. E que vença o melhor!
Tradução: Zé Lúcio Cardim (cortesia site Tow In World Cup).