O internauta Gustavo Yamaguti trabalha com análises estatísticas em um banco em São Paulo e é apaixonado pelo surf.
Fissurado pelo WCT, ele desenvolveu um modelo estatístico para calcular a chance de cada surfista de ser campeão mundial.
No texto abaixo, ele explica os números e aposta no 12o título mundial de Kelly Slater.
O WCT 2012 continua em aberto depois da penúltima etapa, em Steamer Lane (EUA).
Três surfistas possuem chances matemáticas de título e, pela regra da ASP, entram automaticamente no terceiro round do Pipe Masters (13a colocação).
Joel Parkinson tem 53.900 pontos, Slater 50.700 e Fanning 47.000.
Para o cálculo da pontuação final, somam-se os 8 dos 10 melhores resultados da temporada. Ou seja, descartam-se os dois piores resultados.
Parko foi o surfista mais regular da temporada. Em apenas uma das etapas não chegou ao menos à semifinal. Assim, teve apenas uma pontuação baixa em Fiji (nono) para descartar e agora precisa trocar um resultado de quinto lugar (Snapper / Santa Cruz).
Slater não foi ao Rio e possui resultados ruins em Teahupoo (13o) e Peniche (13o) para descartar. Portanto, este critério faz com que ele possua grandes chances de sagrar-se 12 vezes campeão mundial.
As possibilidades
Se Slater não chegar às quartas, Parko é campeão.
Se Parko terminar à frente de Slater, será campeão.
Se ambos pararem nas quartas, Slater é campeão.
Se ambos pararem nas semifinais, Slater é campeão.
Se Fanning ganhar o Pipe Masters, Slater não chegar à semi e Parko não chegar à final, Fanning é campeão.
É aí que o critério cria uma confusão e entendo que uma injustiça, uma distorção. Nesta situação de Fanning campeão, Kelly teria mais chances de ameaçar Fanning do que Joel.
Isso pode ficar especialmente interessante, pois Mick e Joel podem se cruzar antes das finais, facilitando o jogo para Kelly.
Já Parko e Kelly só se enfrentariam na final. Seria um dos, se não o mais disputado campeonato já ocorrido, com o campeonato sendo decidido pelos dois surfistas na última bateria do ano!
Retrospectos de Kelly Slater e Joel Parkinson no Pipe Masters
2011 Parko ganhou de Slater na semi e perdeu na final para Kieren Perrow
2010 Parko caiu na primeira fase e Slater parou na semi
2009 Parko caiu na primeira fase também e Slater perdeu na final
2008 Parko caiu no round 5 e Slater foi campeão
2007 Parko caiu na final e Slater no round 5
2006 Parko caiu na segunda fase e Slater foi vice
2005 Parko caiu nas terceira fase e Salter caiu na semi
2004 Parko caiu na segunda rodada e Slater na semi
2003 Parko e Slater seriam vice (4 disputavam a final)
2002 Parko caiu nas quartas e Slater foi vice
2001 Não houve Pipe Masters
Os critérios nos anos anteriores eram diferentes, mas, considerando as pontuações atuais, Slater teria acumulado 72.000 pontos, contra 41.700 pontos. Slater tem na média um resultado equivalente a uma semifinal e Parko para antes das quartas.
Entretanto, a média deste ano de Parko e a consistência com que vem surfando, mostra que ele, apesar da idade, evoluiu muito para atingir a colocação atual.
Além disso, foi vice em Teahupoo e semifinalista em Peniche, que são etapas de tubos. Apesar disso, Pipeline é uma onda diferente; é preciso conhecer a bancada, os ventos e as marés para encontrar o posicionamento ideal e o timing preciso. Situação em que Kelly leva vantagem.
Minha aposta é que Slater será 12 vezes campeão. 2011 foi bom para Parko, mas seu histórico em Pipe é ruim. E o careca, com sede de vitória, é páreo duro, ainda mais em Pipeline.
Minha aposta para o Pipe Masters é que John John leva. Só não foi melhor no ano passado porque não soube utilizar a prioridade faltando menos de dois minutos para o final e com Kelly em combinação.
Foi uma das maiores viradas que já presenciei. Temos também Kieren Perrow, Michel Bourez e, como bom brasileiro, Gabriel Medina. Todos são excelentes tube riders e devem atrapalhar a vida dos três no campeonato.
De qualquer forma, em função dos critérios da ASP, a briga está totalmente aberta.