Conhecido cientificamente como vento Sul, o Suli costuma trazer muito frio e altas ondas ao litoral catarinense. Foto: Carlos Portella.

Àqueles que querem curtir o inverno de Floripa (SC), pegar muita onda grande e perfeita, advirto: cuidado com o Suli.

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Assim como o sol anuncia o dia, o Suli vem avisar a chegada do inverno. O pior é que o safado é sorrateiro e sua chegada jamais é anunciada.

Inesperadamente, todo e qualquer movimento de ar é cessado por meia hora, as aves cantam suas últimas melodias e lá vem ele. 

Chega e transforma um dia ensolarado e gostoso de 25 graus em um dia de inverno.

Caldeirão quebra de gala, agraciado pelo Suli. Foto: Mariana Picolli.

Aqueles que esqueceram roupa quente em casa já podem passar no caminho e comprar gengibre, alho, mel ou qualquer vitualha contra gripe.

Esse tal de Suli, conhecido cientificamente como vento Sul, é gerado por baixas pressões vindas lá de perto do fim do mundo.

Ele já faz parte da vida da cidade. Ele muda o cotidiano e torna nossas vidas ainda mais cíclicas.

O pior é que ele não anuncia o inverno de uma vez e então fica oficialmente frio. O desgraçado passa por aqui quando bem entende.

Até no verão ele aparece, um pouco tímido, mas já deixa uns despreparados de cama. No inverno é capaz de ficar sumido por algumas semanas, em pleno julho, com calor de verão, e quando ninguém espera, lá vem ele.

Por outro lado, ele é nosso amigo. É ele quem traz as maiores, aquelas ondulações alinhadas que formam ?aquela onda?. É ele quem limpa o ar e a água, aquece o oceano e inspira os namoros.

Aqueles que cá vivem devem sempre estar carregando roupa quente ou serão vítimas de uma seleção natural da ilha da magia.

Pois com o vento sul, conta-se nos dedos as ondas boas que quebram, mas estas são espetaculares.

Com pouca onda para tanto surfista, alguém tem de ficar na areia, com o nariz vermelho, fungando, cheio de agasalhos. Desta vez fui eu. Nariz entupido, dor por todo o corpo e nada de surfe.

 

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