A ilha Reunião, departamento francês localizado a leste da África, está passando por uma crise devido aos recentes ataques de tubarão. Ao mesmo tempo, é daqui que saem inúmeros surfistas que representam a França, como Jeremy Flores, Maxime Huscenot, Medi Veminardi, Johanne Defay, Cannelle Bulard e outros.
No entanto, mesmo com um número expressivo de campeões, a ilha meio que deu as costas para o problema da “crise requin” (crise do tubarão em francês). Praias foram fechadas, causando a interdição de atividades náuticas, incluindo o surf.
Existe ainda o lado político no meio da história. O fato de o governo interditar essas atividades é meio que um motivo para não assumir a responsabilidade em caso de um novo ataque. No começo rolaram até umas intervenções seguidas de multas. Alguns surfistas foram para a delegacia e tudo.
O último ataque ocorrido na ilha foi no dia 26 de outubro de 2013. Os surfistas continuam surfando, assim como em todos os picos do mundo inteiro, já que não é um ataque que vai fazer as pessoas pararem com a atividade.
No lado econômico, a história é outra. Com a redução de números de turistas, muitas lojas, hotéis, restaurantes, escolas de surf e outros tipos de atividades voltadas ao turismo fecharam as portas.
O governo local tentou a pesca de um número expressivo de tubarões, mas grupos de ecologistas partiram contra o governo com processos judiciais contra a decisão. Com o tempo passando e nenhuma solução encontrada, os surfistas até que “deram um tempo”, mas não conseguiram resistir às ondas perfeitas da ilha e partiram para a água.
No cenário atual não existem mais campeonatos onde novos talentos possam ser reconhecidos. Muitos surfistas perderam os patrocinadores, que deixaram de dar suporte devido à crise econômica. Mas todos continuam a surfar. Em 2013, a equipe da ilha foi para a França disputar o circuito nacional e voltou com títulos em diversas categorias, mesmo com os atletas treinando menos.
O surf, que vem se tornando cada dia mais popular e tem crescido em números de adeptos, trouxe outra problemática: o crowd. O crowd trouxe junto a violência. Reunião é também conhecida pelo localismo. Em decorrência da crise, a vibe na água agora é outra. Se antes os surfistas procuravam picos sem crowd, hoje, o que vemos são pessoas esperando outros chegarem para não ficarem na água sozinhos.
De acordo com a mídia global, o surf aqui na ilha está morto. O que morreu foi o turismo. Surfo aqui quase todos os dias, com um crowd às vezes insuportável, mas com a good vibe na água. Onde se divide o risco, dividimos também as ondas. O surf é um esporte saudável e que mudou a vida de muitos. A ilha tem um potencial incrível, que como prova tem um bom número de campeões. Precisamos mostrar para o mundo que aqui o surf não morreu.