Crisanto roda a França

Peterson Crisanto nasceu com nome de campeão. Seu pai queria homenagear o amigo Peterson Rosa e colocou o nome do surfista no filho, que ainda o batizou.

 

Urso, como Crisanto é conhecido pelos amigos, mostrou desde cedo que herdou do padrinho o talento para o surf.

 

Peterson Rosa então resolveu incentivar e, a exemplo do que fez com Jihad Khodr, investiu na carreira do menino.

 

Desde os nove anos Urso é treinado para ser um campeão. O fato de ter Peterson Rosa como padrinho colaborou, mas não significou tudo. Ele possui um dom natural e vem sendo lapidado para conquistar títulos.

 

Ele foi contratado pela Billabong Brasil no final de março e mudou-se para Camburi, onde treina com a equipe da marca e desfruta de estrutura necessária para o seu aperfeiçoamento. 

 

Urso foi para França no início de agosto para competir no mundial sub-16 e, com apenas 13 anos, roubou a atenção. 

 

Quatro dias depois de seu retorno ao Brasil, Urso levantou mais um troféu: campeão da categoria Iniciante na última etapa da Taça Roberto Valério, realizada na Ilha do Mel (PR). 

 

Confira a entrevista em que Crisanto fala sobre a viagem à França, a vida em outra cidade e os objetivos para a carreira.

 

Clique aqui e confira a galeria de fotos do rolê de Crisanto pela França.

 

##

 

Como foi a viagem à França?

 

Foi irada. Minha primeira viagem internacional e ainda fui com o Peterson. Surfei vários picos por lá, assisti uma etapa do WQS e conheci Paris.

 

E o campeonato?

 

Foi difícil, as condições não estavam muito boas. Tinha atletas de vários lugares do mundo competindo e querendo vencer. Consegui ir até as quartas e fiquei muito feliz com o resultado, pois a maioria dos atletas eram mais velhos. Muita gente comentou sobre meu surf e isso foi bom.

 

Foi bom ter o padrinho torcendo por você?

 

Foi muito bom. Ele me passava as dicas do mar e torcia muito na areia. Achei bom ele estar lá, fiquei mais tranqüilo. Ele ficou amarradão com o meu resultado, ainda mais na hora que eu tirei uma nota 10.

 

Conte como foi a onda nota 10?

 

Era uma direita. Naquele dia o mar estava ruim, mas ela abriu um pouco. Acelerei, dei uma rasgada, a onda abriu mais e dei outra rasgada mais forte. Na junção mandei um floater e acertei. E uma onda antes eu dei um aéreo e tirei 9,25 pontos. Foi uma das melhores médias do campeonato.

 

Antes de voltar para o Brasil você conheceu Anglet e Paris. O que mais gostou?

 

Em Anglet foi legal ver meu padrinho competir, assistir ao campeonato e ver também os outros brasileiros. Em Paris gostei da Torre Eiffel porque lá de cima tem uma vista irada. Também fui no Arco do Triunfo e na Catedral de Notredame.

 

Como foi conhecer outra língua e cultura?

 

Lá tudo é diferente do Brasil, as casas que parecem ter mil anos. Também não entendia o que eles falavam (risos), mas aprendi algumas palavras para quando voltar.

 

Clique aqui e confira a galeria de fotos do rolê de Crisanto pela França.

 

##

 

 Você mal chegou ao Brasil e já venceu um campeonato.

 

Surfei bastante na França e cheguei aqui no maior gás. Vencer na Ilha do Mel foi ótimo e, melhor ainda, por ajudar o Paraná a ganhar mais pontos na competição por equipes. Rever meus amigos de Matinhos que estão aqui também foi bom.

 

Desde abril você mora em Camburi, como é o seu dia-a-dia lá?

 

Acordo cedo, tomo café, vou surfar, volto para almoçar e vou para escola. Lá faço aula de inglês, tem uma nutricionista que cuida da minha alimentação e faço treinamentos para melhorar no surf.

 

Está sendo bom morar lá?

 

Está sendo muito bom. Lá em Matinhos quando não tinha onda eu ficava dormindo, pois não tinha o que fazer. Em Camburi sempre tenho coisas para fazer. As ondas são boas e eu treino bastante. Todo mundo que mora na casa pega muita onda e isso é bom, pois quero pegar onda melhor para não ficar pra trás.

 

Quem mora lá?

 

O Zé Paulo (team manager da Billabong), a Adriana (esposa dele), o Pablo Paulino, eu, a Silvana Lima e o Ricardo Wendhausen.

Quem você acha que surfa mais por lá?

 

Todos surfam muito. É difícil dizer se alguém surfa melhor. A Silvana surfa demais, dá uns aéreos mais altos que os homens (risos). Mas, o Ricardo e o Pablo também são muito bons.

 

Clique aqui e confira a galeria de fotos do rolê de Crisanto pela França.

 

##

 

Você sente saudades de Matinhos?

 

No começo eu sentia. Agora já me acostumei. Sei que estou ali para me tornar um campeão mundial, que é o que quero ser. Então, tenho que aproveitar essa chance, treinar bastante e me concentrar no futuro.

 

Quais os objetivos para o segundo semestre?

 

Ainda rolarão etapas do Paranaense e quero ser campeão do circuito. Também rola mais uma etapa do Billabong Pro Teen. Na primeira etapa não fui tão bem como queria e quero me recuperar na próxima.

 

Ficha técnica

 

Nome:

Peterson Crisanto
Idade: 13 anos
Local do nascimento: Matinhos – PR
Patrocínios:
Billabong, Brothers Rosa, Von Zíper, Kustom
Shaper:
Rip Wave e TBS
Quiver:
oito pranchas entre 4’9 e 5’5
Posicionamento na prancha:
regular
Ídolo:
Peterson Rosa
Praias de treino:
Matinhos (PR) e Camburi (SP)

 

Clique aqui e confira a galeria de fotos do rolê de Crisanto pela França.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)