Sob o olhar atento de um salva-vidas, 20 crianças e jovens, de 5 a 14 anos, que vivem no Lar da Criança Raio de Luz, estão aprendendo a surfar em Rio Grande (RS).
A atividade acontece duas vezes por semana e, além de ensinar o esporte, mostra como é possível enfrentar as dificuldades da vida.
O projeto ?Um sonho no mar? surgiu em 2005, com a iniciativa do estudante de Física, Pablo Bech, que percebeu que por intermédio do surf poderia auxiliar na construção do futuro de diversas crianças carentes.
Atualmente, Pablo conta com a ajuda do amigo e também estudante, Matheus da Costa para ministrar as oficinas.
Segundo eles, a escolinha é uma forma de afastar o grupo dos problemas da realidade e ampliar os horizontes das crianças e dos jovens.
?Escolher uma onda é como escolher um caminho a seguir. A felicidade, o sorriso de cada um é a melhor recompensa que poderíamos ter. Isso não tem preço. E o bom é saber que o que ensinamos não fica aqui. Depois de vir à praia, eles participam de uma conversa com a pedagoga do Lar, que dá continuidade ao projeto?, contam os voluntários.
Para a presidente do Lar, Rosinha Marzol, as atividades trazem muitos benefícios. ?Sempre conversamos sobre o vencer a onda, superar o medo, vencer a raiva quando se cai da prancha, enfrentar a onda forte e o medo do mar. Relacionamos tudo isso com o processo de vida deles, que precisam enfrentar o abandono, a violência familiar, a dificuldade para se concentrar, por exemplo. Usamos as aulas de surf para abordar as questões emocionais e mostrar que, como eles conseguem uma coisa difícil no mar, é possível vencer os obstáculos da vida?, explica Rosinha.
A animação do grupo comprova o sucesso do projeto. Muitos deles arriscam dizer que pretendem ser surfistas profissionais. É o caso de Igor da Silva, de 10 anos, que garante que irá conciliar a vida de surfista com a de engenheiro da Computação.
?Já sei pegar onda sozinho. O tio Pablo e o Matheus são muito legais e eu sou amigo deles. É muito bom vir curtir a praia e brincar com a galera. Quero ser engenheiro da computação, mas nunca vou parar de pegar onda?, enfatizou.
Quem compartilha de idéia semelhante é a irmã de Igor, Tais da Silva, que tem 13 anos. ?Eles estão nos dando uma idéia de ter uma profissão. Eu gosto de esporte e quero ser jogadora de futebol e surfista. Gosto muito de ter aulas com eles, porque eles são divertidos, fazem a gente ficar feliz, brincam e são nossos amigos?, conta Tais.
De acordo com Pablo, além da aulas de surf e bodyboard, o projeto prevê atividades de Educação Ambiental, conhecimentos básicos sobre saúde, alimentação, higiene, violência, direitos e deveres.
Na próxima semana, o grupo recolhe materiais recicláveis deixados na praia, com o objetivo de mostrar que é melhor reaproveitar do que poluir o meio ambiente.

