O carioca Pedro Robalinho, 27 anos, é atualmente um dos técnicos mais requisitados pelos surfistas do circuito brasileiro.

 

Formado em Educação Física, criou em 1998 com Henry Ajdelsztajn (seu sócio) o CADES – Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe – um projeto dividido em dois setores: Escola de surf  (educação através do esporte) e treinamento de atletas (área de preparação física e psicológica e treinamento técnico-tático desportivo).

 

No início da carreira, Robalinho treinava apenas surfistas amadores, como Adilton Mariano, Gustavo Fernandes, Leandro Bastos, entre outros. Após o crescimento de seu trabalho, iniciou o treinamento com os principais surfistas cariocas, considerados como os grandes talentos da nova geração do surf brasileiro, entre eles Léo Neves, Pedro Henrique e Brigite Mayer.

 

Junto com Andréa Lopes, iniciou em 2002 um relacionamento que resultou em uma nova conquista, o terceiro título de campeã brasileira de surf profissional. Atualmente está treinando alguns dos principais surfistas da elite do surf nacional, como Sávio Carneiro, Lucinho Lima, Thaís de Almeida e Silvana Lima.

 

Com isso, está somando ao seu currículo um invejável número de títulos em diversas categorias. Surfista há muitos anos, o profissional está atuando em um projeto que tem como principal objetivo calcular o esforço de remada de um surfista para que se possa saber seu nível de condicionamento físico, segundo ele, um estudo jamais feito em toda a história do esporte.

Como surgiu a idéia de criar o CADES (Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento do Surfe)?

 

O CADES surgiu em março de 1998, através da união de dois jovens estudantes de Educação Física que tinham um sonho em comum: trabalhar para o surf e viver surfando.
Eu já trabalhava com atletas desde 1996 e o Henry Ajdelsztajn tinha uma idéia de fazer sua monografia sobre algum assunto ligado a este universo maravilhoso. Acabamos juntando as forças e fizemos a monografia juntos. O estudo foi sobre as escolas de surf que existiam na época no Rio de Janeiro. Pesquisamos a formação dos instrutores, as metodologias de ensino, entre outros temas. Somos sócios há mais de 5 anos e o trabalho está crescendo. Já realizamos cursos, vários campeonatos, palestras e estamos organizando o Circuito Universitário Carioca.

 

Com quantos atletas começou e quais já passaram pelo centro de desenvolvimento?

 

Eu comecei o trabalho de técnico em 1996com um único atleta, o carioca Thales Salgado. Ele era amador e estava se tornando profissional. Depois de alguns resultados, outros surfistas começaram a se interessar pelo trabalho. A partir disso fui desenvolvendo um treinamento com Léo Neves, Bruno Coutinho, Leandro Santos, Pedro Henrique, Marcelo Trekinho e outros surfistas da nova geração da zona sul carioca. Já trabalhei com a Brigitte Mayer e com a Andréa Lopes no seu terceiro título de campeã brasileira profissional.

 

Quais são os surfistas que você está trabalhando atualmente?

 

Sávio Carneiro, Claudemir Lima, Lucinho Lima, Thiago de Souza, Adilton Mariano, Gustavo Fernandes, Leandro Bastos, Raphael Guimarães e Daniel Hardman entre os homens. Entre as mulheres estão Silvana Lima e Thaís de Almeida, lembrando que a Tita faz parte da equipe nas viagens internacionais.

 

Qual o tipo de treinamento aplicado para as competições?

 

O treinamento consiste em treinos diários nas praias do Recreio, Prainha, Grumari, Macumba e outros picos. Fazemos também alongamento, musculação e natação na academia Aquafitness. A equipe ainda conta com as orientações do médico orto-molecular Hélio Ventura e do fisioterapeuta Tom Freitas. Durante um bom tempo, ainda tivemos um trabalho desenvolvido pelo psicólogo Narciso Mello, que sempre nos ajudou a solucionar alguns pontos nos treinos diários da equipe.

 

Quais são os principais requisitos para se tornar um bom técnico?

 

Uma personalidade forte e de liderança somada a uma formação direcionada para a carreira, como o conhecimento das ciências do esporte (Educação Física) e outras línguas, como o inglês, espanhol e o francês. Também considero fundamental a prática do surf como rotina.

 

Como foi o início da relação de trabalho com os surfistas do Nordeste?

 

As circunstâncias foram acontecendo. O Claudemir Lima conhecia o Thales Salgado e veio passar um tempo no Rio de Janeiro, nos conhecemos e ele demonstrou interesse em ficar. Depois de algum tempo eu já estava morando em uma residência maior na praia da Macumba e o convidei para morar nesse lugar e treinar comigo. Depois que a maioria dos surfistas nordestinos percebeu a evolução do Bibi e a oportunidade de treinar com um professor, vários migraram para a cidade, foi uma união de interesses. Do meu lado, passava a ter uma equipe ainda melhor, com atletas de nível altíssimo. Em relação aos surfistas, seria a chance de conseguir um lugar com melhores oportunidades. Todos que vieram naquele período fazem parte da elite nacional atualmente.

 

Como funciona o estudo que você está desenvolvendo na piscina e que visa  medir o esforço do surfista na remada?

 

Eu fiz pós-graduação em Fisiologia do Exercício na Universidade Gama Filho e busquei dar seqüência aos estudos ligados ao surf nesta área de pesquisa. Sabe-se que existem poucos trabalhos escritos sobre nosso esporte e que dependemos disso para que possa acontecer o desenvolvimento maior dos sistemas de treinamento para os atletas. Com esse trabalho que dei início em 2001, poderemos quantificar a potência anaeróbia do atleta (explosão), com prancha, simulando uma situação mais real de desempenho na remada. Os testes são aplicados em uma piscina e também em laboratório. Depois os dados são analisados e pode-se saber o nível de condicionamento físico do atleta nesta qualidade física, que pode determinar até o vencedor de uma bateria. Quando este trabalho estiver concluído, teremos dado um passo largo na direção de melhores prescrições de treinos para os surfistas, além de podermos comparar os resultados de cada fase do trabalho e acompanhar melhor a evolução da equipe. Outro fator positivo é a facilidade na aplicação do teste, pois bastam um relógio, duas bóias e uma piscina de 25 metros.

 

O CADES é dividido entre a parte técnica – feita por você – e a escolinha de surf dirigida pelo Henry. Como é administrado esse trabalho?

 

No começo, em 1998, eu trabalhava na parte da escola também e isso se deu até o ano 2000 aproximadamente. A partir daí, estava ficando pressionado a me dedicar mais aos atletas. Esse foi o ponto marcante para que dividíssemos as tarefas e determinássemos a linha de crescimento do CADES. Ainda hoje fazemos questão de manter as duas partes trabalhando juntas, o aprendizado e o desenvolvimento.

 

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Você está trabalhando com as melhores atletas do país. Como está sendo feito esse trabalho?

 

É um trabalho bem gratificante, já que são duas atletas incríveis. A Silvana é minha pupila, uma vez que eu a acompanho durante cada dia da semana em seu treinamento, mas a Tita também faz parte da equipe nas viagens ao exterior. As duas são muito aplicadas taticamente e facilitam meu trabalho com o talento que possuem. Eu acredito no sucesso das duas na próxima temporada do WCT.

 

A que você atribui esse montante de resultados positivos com os atletas da equipe?

 

Sempre se deve a um conjunto de fatores, mas a raça e a determinação estão entre os principais. Eu tenho um espírito de competição muito grande e sempre procurei passar essa atitude para os meus atletas. A motivação é fundamental para um bom desempenho e acredito muito na importância das intervenções durante as baterias também. Também acredito muito na força do trabalho que faço com meus atletas. Apesar das dificuldades que encontramos no Brasil, pude conseguir ótimos resultados. Entre eles, posso destacar os títulos brasileiros do Adilton Mariano em 2001, quando foi campeão nas categorias  Júnior e Open, o título profissional carioca do Bibi (2002) e seu ótimo desempenho no Super Trials em 2001, quando foi vice-campeão brasileiro. Este ano, o Sávio Carneiro teve seu melhor resultado da carreira, ficando em sétimo no ranking do SuperSurf, e o Lucinho Lima também, em 12o SuperSurf. O Leandro Bastos foi campeão Panamericano e fez final no Mundial Amador da ISA. As campanhas da Silvana Lima, com uma vitória, uma semifinal e uma quarta-de-final, e do Gustavo Fernandes, semifinalista na Inglaterra e com um índice altíssimo de aproveitamento nas baterias nos eventos válidos pelo WQS da  Europa. O bicampeonato no Super Trials e o vice-campeonato do SuperSurf logo no primeiro ano da Silvana… Enfim, acho que o que acontece é que eu tenho uma qualidade humana incrível nas mãos e, aliando isso ao trabalho que fazemos todos os dias, estamos colhendo os frutos de uma equipe vitoriosa no CADES.

 

Já que comentou sobre a intervenção nas baterias, o que é dito em termos de táticas para seu atleta durante a competição?

 

Isso pode variar muito com cada atleta, já que uns gostam mais e outros menos desta prática. Já tive momentos de imensa satisfação ao conseguir entrar em sintonia com o atleta na água e ajudá-lo a vencer, seja com o posicionamento ou um incentivo moral ou até passando informações que não estão chegando até ele por motivos de som ou qualquer outra falha técnica. É certo que essa prática pode mudar a história de uma bateria e a forma como é feita vai depender  muito das condições do mar e até da geografia da praia, do vento, etc. Me lembro bem de um caso em uma bateria do Sávio Carneiro contra o Marcelo Trekinho no SuperSurf 2002, em Itacaré (BA). O Trekinho vinha liderando a bateria com folga e seria quase impossível virarmos a situação a nosso favor em apenas uma onda, pois também não tínhamos muito tempo. O Sávio pegou uma onda e seu desempenho não estava bom. Percebi que seria melhor trocar de prancha, pois havíamos treinado e sabia que a outra se encaixaria naquela ocasião. Rapidamente chamei o Sávio e já dentro da água lhe entreguei a prancha. Aquela atitude trouxe uma motivação ao atleta, pois ele sabia que podia confiar em mim. Não deu outra, logo na primeira onda ele surfou bem melhor e as notas começaram a surgir. No final conseguimos a virada e a bateria foi bastante comentada, pois foi uma virada “daquelas”. Há atletas da minha equipe que preferem não se preocupar com a sinalização na areia. Neste caso, procuro estar atento e deixo que ele se mostre interessado em receber alguma informação, já combinada anteriormente. Ou seja, há de haver o respeito à individualidade do atleta. O treinador tem de ser flexível. Em alguns casos é melhor nem “mexer” na  bateria e só ficar filmando para análise posterior.

 

Ainda existem reclamações em relação às falhas de julgamento nos circuitos nacionais?

 

Claro que existem (não só aqui, mas também nos mundiais) e dificilmente isso acabará, pois somos todos humanos e  temos a natureza influenciando diretamente nos resultados, já que cada onda é única e a subjetividade vai sempre estar presente nos campeonatos de surfe. Mas acho que já houve melhora neste aspecto e se nos esforçarmos mais, como já disse anteriormente, podemos chegar em um ponto onde juízes, atletas e técnicos falem a mesma língua em relação às performances. Além disso, gostaria de ver os nomes pesando menos no julgamento.

 

Um técnico é realmente indispensável na carreira de um atleta para conseguir bons resultados?

 

Acredito que seja muito importante e acho que pode ajudar em diversos fatores, ainda mais se este técnico tiver uma formação de Educador Físico. Neste caso os benefícios são ainda maiores e mais significativos. Imagine uma  pessoa que possa ser seu técnico e preparador físico e ainda te orientar em relação a sua alimentação, por exemplo. Qualquer atleta de alto nível precisa desse suporte.

 

Além de técnico, você atua como empresário dos atletas?

 

Este nunca foi meu objetivo, pois já desempenho diversas funções no CADES, mas devido à necessidade, acabei fazendo este papel para alguns atletas. Não é o que mais gosto de fazer, mas até que estou aprendendo bastante com isso, principalmente na área de relacionamentos com empresários.

 

Existe um trabalho focado na parte psicológica dos surfistas? Quem faz?

 

Durante um ano, aproximadamente, tive a ajuda indispensável do Narciso Mello, um psicanalista renomado no Rio de Janeiro, professor de Yoga, que me ajudou a desempenhar  meu trabalho de forma mais harmônica. Imagine o que aparece de conflitos pessoais e interpessoais dentro de uma equipe com nove atletas de culturas variadas e situações econômicas diferentes. Outro ponto importante é o fato de você ter a oportunidade de ser supervisionado por alguém que está de fora, com uma visão crítica e que pode te ajudar a melhorar na forma de intervir em cada situação específica com uma visão profissional a respeito. Em 2004, o Narciso vai ser uma peça fundamental na equipe e isso já é certo.

 

Atualmente os juízes estão valorizando as manobras com maior nível de dificuldade, como as variações de aéreos, por exemplo. Qual a sua opinião em relação a esses novos critérios de julgamento?

 

Acredito que o surfe já caminha nesta direção. O que falta é uma convenção de atribuição de valores a este tipo de manobras, ou seja, falta termos um estudo sobre as manobras e seus respectivos graus de dificuldade. O que acontece hoje é que poucos juízes no Brasil são verdadeiros surfistas, atuantes, e, além disso, não há congruência entre seus pensamentos e os dos surfistas, simplesmente porque não há “meetings” (reuniões) sobre julgamento, onde se possa ver as ondas e manobras em vídeo e discutir a respeito, fora das competições, como um evento para melhorar a qualidade de julgamento e reduzir a sua subjetividade. Isso seria muito bom para todos os envolvidos. Os técnicos, atletas e a comissão técnica estariam em maior sintonia e facilitaria o trabalho de todos, pois já estariam estabelecidos os critérios de forma bem mais detalhada do que é hoje em dia. Poderíamos até redigir um documento que demonstrasse o que ficou convencionado sobre aéreos e sua s variações e também sobre outras manobras. Na equipe, com certeza, iríamos nos basear nisso para direcionarmos o treinamento técnico. Seria uma evolução para o nosso esporte. Eu já dei a sugestão em reuniões da Abrasp e espero que um dia me dêem ouvidos.

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    A próxima chamada do MEO Rip Curl Pro Portugal está marcada para este sábado (17) às 4h30 da manhã (de Brasília), com possibilidade de início das baterias às 5h, se a neblina não atrapalhar. E com chances de término do evento. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta swell consistente e vento do quadrante norte para os primeiros dias da janela. Sexta-feira e sábado aparecem como boas oportunidades para avançar com a competição, enquanto domingo deve ter vento mais alinhado como terral, mas com perda de força da ondulação. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) x Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) x Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) x Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) x Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) x Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) x Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) x Erin Brooks (CAN)

    Próxima chamada para o MEO Rip Curl Pro Portugal em Peniche acontece neste sábado (17) às 5h30 da manhã (de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.