Simon Anderson

Criador da triquilha

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Simon Anderson sempre acreditou nas triquilhas. Foto: Divulgação
 

 

Na entrevista abaixo, ele explica com seu característico bom humor e humildade, como criou o revolucionário design, que lamenta, mas não muito, não ter patenteado. Simon não ficou milionário com seu lampejo genial, mas conquistou o respeito mundial que fez com que a revista Surfer o apontasse como um dos oito surfistas mais influentes do séc. XX e o 18º maior surfista de todos os tempos. Um dos poucos shapers a quem Kelly Slater recorreu quando quis experimentar uma prancha diferente, ele continua surfando com assiduidade para testar pessoalmente suas teorias, sempre buscando continuar evoluindo. Sua mais recente paixão foi pelas Quads, mas não durou muito para ele retornar ao seu grande amor, a Thruster, nome com o qual batizou o design que ainda não foi superado por nenhum outro.  

 

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Mais de três décadas depois, Simon se mantém fiel ao design. Foto: Jorge Mesquita

Como você se tornou um shaper?

Foi em 1971. Deixei a escola quando tinha 16 anos e surfava para a Shane Surfboards em Sydney. Naquele momento eu era um desconhecido, mas depois de trabalhar um ano consertando pranchas ganhei o Campeonato Australiano Jr. Então Shane, o dono da fábrica, me perguntou o que eu queria fazer, ele estava esperando que eu quisesse ser um laminador ou lixador. Sua fábrica era a melhor da Austrália e ele tinha alguns shapers bem famosos trabalhando para ele, como Terry Fitzgerald, Ted Spencer e vários outros. Escolhi ser um shaper.

Então você começou por cima?

Não,comecei lá embaixo e fui direto para o topo (rindo).

Seus primeiros shapes foram monoquilhas. Fez alguma alteração significativa no design delas?

Não, inicialmente estava descobrindo meu estilo próprio de shapear, eu sabia o que eu gostava no surf e estava experimentando pranchas de outros shapers. Quando você é inexperiente, você não sabe realmente o que fazer e está procurando inspirações. Encontrar isso nas pranchas de outros shapers e trabalhar o que você gosta, eu acredito que este seja o estado inicial de ser um shaper.

E quando as biquilhas apareceram? Você mudou para elas?

Claro que sim, eu testaria qualquer coisa que fosse nova e eu pudesse por minhas mãos nela. Acho que elas surgiram em 1972, não, foi em 1971, um pouco antes de eu me tornar um shaper. Lembro que Terry Fitzgerald me fez uma. Aquelas biquilhas era muito pouco sofisticadas, muito grossas na rabeta.  Elas vieram por pouco tempo e depois se foram de novo, e não foi até que Mark Richards as reintroduziu novamente, acho que em 75 ou 76, que elas retornaram a ser populares. Surfei com uma biquilha por um período bem curto em 1972 e depois voltei para as monoquilhas. Naquele estágio ainda havia muito trabalho a ser feito com as monoquilhas. 

Quando foi o momento em que surgiu a idéia de adicionar uma terceira quilha na prancha?

Demorou um pouco. A razão pela qual eu comecei a usar biquilhas foi porque Mark Richards estava dominando o Circuito Mundial, que estava indo para mais e mais lugares ao redor do mundo com ondas pequenas. Mark Richards estava ditando o ritmo e Shaun Tomson, Dane Kealoha e Terry Richardson já haviam se convertido para as biquilhas. Ficou bem óbvio que se você quisesse se dar bem neste novo Tour, tinha que surfar de biquilha. Mas por ser um cara grande, naquele momento o maior to Tour (Simon tem quase dois metros de altura e pesava cerca de 90 quilos na época), quando as ondas ficavam maiores de dois pés eu estava tendo muita dificuldade com as biquilhas. Eu era um surfista de monoquilhas e gostava da sensação delas, e tenho um pouco (muita) de força no meu surf por causa do meu tamanho, então eu estava aplicando um excesso de força nas biquilhas quando as ondas ficavam um pouco maiores. Talvez naquele ponto eu não tenha tido a habilidade de tentar descobrir uma maneira de fazer aquelas biquilhas melhores, para estabilizar elas um pouco mais. Não sabia como fazer isso e gostava de surfar de monoquilha, mas indo da biquilha para a monoquilha, havia uma área de problemática, porque obviamente a monoquilha não era tão rápida e nem tão solta quanto biquilha. Eu não podia surfar a biquilha em ondas de mais de dois pés, mas nas de três a quatro pés a monoquilha era muito lenta. Eu estava tentando trabalhar esta zona intermediaria, este problema que eu tinha. Voltei para Narrabeen (praia onde ele era local na Austrália) e um amigo tinha uma biquilha com uma pequena quilha bem atrás. Perguntei a ele o que aquilo fazia, e ele disse que ajudava a deixar a biquilha mais estável. Assim que ele disse isso, eu pensei imediatamente que iria colocar uma quilha inteira lá atrás e deixar a biquilha realmente estável. Então eu fiz a primeira prancha e a única mudança no design foi que eu precisei compensar uma pouco pela quilha extra fazendo as quilhas laterais um pouco menores que na biquilha, assim como a quilha que vai atrás.  Quando as quilhas foram laminadas na prancha, a quilha de trás estava saindo para fora da rabeta.

E a primeira prancha já funcionou de cara?

Sim, eu fiz para ondas de 3 a 4 pés e a primeira prancha funcionou muito bem. 

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No início dos anos 80, Simon Anderson era parado na praia por curiosos em checar o design revolucionário. Foto: Jeff Divine
 

 

Mas você tirou um pouco do volume do bico, como o Geoff McCoy vinha fazendo com as monoquilhas dele?

É verdade. Eu acredito que uma das razões que a Thruster foi bem sucedida em 1980, 81, é porque o Geoff McCoy tinha introduzido o design No Nose (Sem Nariz) em 1980. Eu surfei uma delas durante 1980 e por um tempo foi a minha melhor prancha. Peguei este design, fiz com minhas próprias bordas e detalhes e achei que era uma prancha muito melhor que as minhas de 79. Tudo estava pronto para as três quilhas serem colocadas com sucesso numa prancha por causa do trabalho que Geoff havia feito.

Então a triquilha nasceu de uma junção de diferentes elementos da monoquilha combinados com os da biquilha?

Sim, foi, mas funcionou de uma maneira tão bonita, e nós podemos ver isso hoje, porque tinha os melhores elementos dos dois designs que se sincronizaram de uma maneira linda por alguma razão que eu não sei por que. Você tinha toda velocidade da biquilha mais a estabilidade da monoquilha, tudo combinado perfeitamente.

Qual foi a reação das pessoas, eles pensaram que você estava maluco?

Meus amigos mais próximos ficaram muito animados, outras pessoas pensaram que eu poderia surfar qualquer design e que não havia nada demais naquele. No começo de 1981, eu levei o design para os Estados Unidos e fiz um modelo através do Gary MacNab da Néctar Surfboards. Fomos a um feira de surf na Flórida e basicamente introduzimos a Thruster no mundo comercial. Tivemos três encomendas, ou seja foi um grande fracasso (risada). Mas olhando pra trás hoje, foi bom que três pessoas encomendaram a prancha já que ela era tão diferente. 

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Simon provando pessoalmente em Pipeline que as três quilhas funcionavam muito melhor que as biquilhas em ondas tubulares. Foto: Don Balch
 

 

Foi ai que você decidiu provar que a prancha era boa vencendo os principais campeonatos do Circuito Mundial?

Sempre tive isso na minha mente. Mais do que um fabricante de pranchas eu era um surfista profissional (em 1977, Simon terminou 3º do mundo). Minha expectativa era ir bem nas competições, fazendo pranchas que fossem muito boas para qualquer que fosse o desafio que eu tivesse a frente, tanto faz se Pipeline ou Bells Beach ou Narrabeen, onde eu morava. Não era tanto que eu queria provar o design, pois eu acreditava nele e não me importava com o que as pessoas achavam, eu sabia que era apenas uma questão de tempo. Eu nem esperava ir tão bem como em 1981 (quando ele venceu três dos principais campeonatos do Circuito Mundial com Thrusters), aconteceu muito rápido. Eu fiz a primeira Thruster em outubro de 1980, e logo depois disso eu fui para a temporada no North Shore, no Hawaii, só que surfei em monoquilhas, pois era muito cedo para fazer guns e eu só tinha feito triquilhas para ondas pequenas. Em janeiro fui para a América, com o novo modelo feito pela Nectar e voltei para Austrália e o Tour Mundial começou logo depois. Não tive tempo para pensar muito, eu sabia que as pranchas eram incríveis.

E ai você venceu em Bells e Pipe…

Eu tive pouco tempo para desenvolver as pranchas antes do início da perna australiana do Tour. Um fato que pouca gente sabe é que o primeiro campeonato em que eu usei uma Thruster foi o Stubbies em Burleigh, e perdi para o Maurice Cole no primeiro round. As ondas estavam bem pequenas, então eu precisava de uma biquilha (risadas). Mas isso me deu tempo de me recuperar e ir para Bells Beach um pouco mais cedo e o resto é história. A prancha que eu surfei em Bells era uma 6´6”, um pouco maior.

Depois de Bells as pessoas passaram a encomendar a prancha?

Absolutamente. Logo depois de Bells, ficou bem óbvio. E também todos os caras no Tour foram para seus shapers e pediram para que eles começassem a trabalhar em pranchas Thrusters.

Mas Mark Richards continuou vencendo títulos mundiais de biquilha?

Sim (risadas) não havia como pará-lo, porque ele podia surfar a biquilha na maioria dos eventos ao redor do mundo e era muito difícil de ser vencido.

Mas ele nunca experimentou uma Thruster?

Ah, eu não tenho certeza quando Mark começou a surfar em Thrusters, mas ele definitivamente estava surfando em Thursters no Hawaii em 1982. Mas no resto do Tour ele continuou em biquilhas por mais dois anos. Em 81 e 82 ele foi campeão mundial. As triquilhas eram boas, mas as biquilhas também continuavam sendo. 

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Kelly Slater a caminho da vitória em J-Bay num Simon. Foto: Joli
 

 

Como você explica que algo que você inventou em outubro de 1980, 35 anos depois continue sendo o principal design em uso pelos melhores surfistas do mundo?

Fiquei na esperança de que alguma coisa melhor surgisse para ajudar meu surf um pouco (risadas), mas vai saber, tomara que surja algo novo pois todos nós precisamos de ajuda (mais risadas).

Mas 35 anos é muito tempo sem nenhuma grande mudança…

É, mas muito trabalho foi feito no aperfeiçoamento da Thruster, no shape, nas quilhas, só nos últimos cinco a dez anos é que não está acontecendo nada com as pranchas de nível profissional. Mas têm muitas coisas acontecendo em pranchas para outros surfistas, surfistas mais velhos, como eu mesmo (risadas).

Na época você tinha noção do tamanho da mudança que estava promovendo no surf em geral?

Sim, desde a primeira onda com a primeira prancha eu soube que o design iria ser a próxima grande sensação no surf. Se eu sabia que iria durar até hoje, não, não de verdade… É legal que tenha, é bom para mim eu suponho, mas não, eu não estava pensando nisso. 

Você pensou em patentear sua invenção? Poderia ser um milionário agora, quer dizer, não sei se você é…

Eu teria sido milionário, se eu não tivesse me casado (risadas)… É eu considerei patentear a idéia, algumas pessoas disseram que eu podia e devia, outros disseram não, não se preocupe com isso, no final eu pensei que se eu tentasse conseguir a patente eu talvez fosse gastar mais tempo tentando proteger aquela patente do que surfando. Eu tinha 27 anos, chegando perto do final da minha carreira de surfista profissional, e estava mais interessado em ser bem sucedido no Tour |Mundial, este era meu objetivo principal, mas hoje eu talvez me arrependa um pouco de não ter perseguido a patente. Mas naqueles tempos não haviam empresários de surfistas que pudessem te ajudar. Eu tinha minhas obrigações como surfista profissional e dono de uma fábrica de pranchas e muito trabalho para fazer, muitas distrações. Se eu me preocupo com isso? Não, não de verdade. Se eu sou rico? Não, não de verdade. O que eu ganho é que as pessoas de vez em quando me dão ondas no mar pelo que eu fiz (risadas). 

Matt Biolos, o shaper das pranchas Lost, começou um tempo atrás uma campanha pedindo para que cada shaper que fizesse uma Thruster te desse um dólar. Isso aconteceu? Qual foi sua reação?

Aconteceu por um tempo, foi um belo gesto do Matt. Eu passei por um período, do final dos anos 80 até o meio dos anos 90, em que eu estava tendo um pouco de dificuldade com o trabalho, e acho que o Matt e muitas pessoas pensaram que eu precisava de ajuda naquele momento, mas eu na verdade não precisava. Foi um gesto legal, mas pessoalmente eu não gostei muito da idéia, mas as pessoas quiseram fazer, então eles fizeram, algumas pessoas me mandaram um dinheiro, mas eu estou contente que isso já se esgotou.. Em 1994 fiz uma prancha para Kelly Slater e minha marca decolou, particularmente no Japão, e isso me deu um novo fôlego na vida.

Por que as Thrusters são tão melhores que as biquilhas quando surfadas de backside? Esta foi uma das principais vantagens do seu design, certo?

Sim, com certeza, pois de backside temos mais força, enquanto de frontside estamos nos nosso dedos, de backside estamos surfando com todo nosso peso nos calcanhares, e a biquilha e muito instável nesta situação. 

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O lendário shaper australiano continua testando as pranchas que faz. Entocado perto de casa. Foto: Andrew Kidman
 


E no tubo, esta foi outra vantagem grande…

Com certeza, pois você tinha a quilha lateral que poderia te segurar alto na face da onda e a quilha traseira que não deixava você escorregar face abaixo. A biquilha podia te levar a subir na face, mas não te manteria lá e você escorregaria. A Thruster dava muito mais controle.

O que não é bom, qual o defeito das triquilhas?

Não muitas coisas, se você observar os melhores surfistas de hoje em ondas pequenas e ver a velocidade que eles são capazes de gerar, você irá ver que tem algo muito assombroso acontecendo ali. Não existem muitos problemas com a Thruster, talvez ela seja às vezes rápida demais, mas os surfistas consertaram isso dando aéreos e longos floaters. Eles inventaram uma nova maneira de surfar porque o design tem muita velocidade depois que os concaves passaram a ser usados e os shapes se desenvolveram.

Em um determinado momento da sua vida, você declarou que nunca tirava medidas de suas pranchas, que era tudo no olhar. Hoje, na era dos computadores, com as pranchas sendo shapeadas por máquinas, tudo dependendo de medidas, você mudou sua idéia sobre isso? Você trabalha com máquinas?

Trabalhando com máquinas, computadores e fazendo desenhos, você tem que ter uma idéia geral da suas medidas. Eu continuo um pouco no manual, não analiso demais, o que significa que não sei cada detalhe de cada design, ainda tenho aquela filosofia de, ao trabalhar no computador, usar meu olhar para fazer o outline e a curva de fundo ao invés de se prender a uma determinada fórmula. Acho que não mudei muito. 

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Pausa para descanso na fábrica de Luciano Leão, seu licenciado no Brasil. Foto: Divulgação
 

 

Você consegue visualizar a prancha no computador?

Sim você pode, com certeza, e você pode ver ela aparecendo na tela, mas você tem que trabalhar depois com o que sai da máquina. Cada máquina é um pouco diferente e mesmo máquinas com o mesmo programa podem cortar uma diferente da outra, e você tem que monitorar isso para ser preciso. Fazem só quatro meses que passei a desenhar pranchas no computador, então eu continuo aprendendo.

Você ainda testa seus próprios designs ou você depende mais de uma equipe de surfistas. Quanto importante você acha que é para o shaper ser um surfista dedicado?

Você não precisa ser, mas acho que se você for um surfista dedicado e conseguir testas seus designs é uma grande vantagem. Para mim, agora, a equipe é muito mais importante do que costumava ser porque obviamente eu não posso surfar as pranchas que os surfistas top estão surfando. Da minha própria experiência eu tenho o feedback para fazer pranchas que tenham mais volume, é muito importante para eu ver o que está funcionando.

Você é um dos poucos shapers no mundo para o qual Kelly Salter pede pranchas. Quanto importante é ter uma relação desse tipo com o Kelly?

Obviamente é muito bom para o marketing. O surf cada vez mais é um esporte que gira em torno dos ídolos, então é muito importante para nós fabricantes de pranchas fazer pranchas para essas pessoas se quisermos ter prestígio na nossa indústria. A outra maneira é quando você se especializa e trabalha num certo tipo de prancha por muitos anos e recebe reconhecimento por isso. Fazer pranchas para o Kelly num par de ocasiões foi uma grande sorte pára mim.  Certamente minha história ajudou, Kelly estuda a história do esporte e tem interesse no surf e respeita os surfistas mais velhos. Ao longo dos anos também fiz pranchas pára caras como Shaun Tomsom e Tom Carroll, entre outros grandes surfistas.

Na sua campanha para o título mundial de 2004, Kelly venceu em Jeffrey´s Bay e Trestles com uma prancha sua. O que ela tinha de especial?

Eu acho que para ele foi um pouco diferente do equipamento que ele estava usando. Era uma com concave simples e rabeta round pin, tinha as mesmas dimensões das pranchas que eles estava usando do All (Merrick) mas ao invés de square, era round tail. Era apenas a prancha certa na hora certa, mas um pouco diferente do que todo mundo mais estava surfando no Tour. Foi um ano de chave para o Kelly, que estava tentando conquistar o título após seu retorno ao Tour. Para ele a única medida do sucesso é ganhar o título mundial e, após tentar por dois anos, sua confiança estava um pouco baixa. Aquela prancha ter aparecido naquele momento deu um impulso na sua confiança, não que ele precisasse muito.

Hoje você faz Quads também, mas anteriormente você disse que três quilhas era o máximo que se poderia colocar numa prancha devido ao arrasto que elas causam. Por que você mudou de idéia?

Bem, por que eu estava errado.

E quando você se tocou disso?

Eu me percebi isso quando as pessoas passaram  a usar Quads e comecei a ouvir suas experiências e decidi fazer minha própria versão. Mexi numa coisa ou outra aqui e ali e descobri que elas funcionavam mais como uma biquilha com um pouco mais de controle. Como eu estava ficando mais velho e querendo uma prancha um pouco mais rápida e solta em ondas pequenas,  achei que elas eram boas.

Mas hoje dia você quer ser reconhecido pelas Thrusters que você faz ou as Quads?

Quads foram minha paixão por um período, pois elas me ajudavam em ondas pequenas, sendo mais velozes e soltas, hoje estou trabalhando em Thrusters que funcionam como Quads?

Como isso é possível?

Oh, você faz as rabetas mais largas, põe menos curva no fundo, move um pouco de lugar e muda de tamanho as quilhas. O problema que eu tinha com as Quads era que eu perdia o controle às vezes. As coisas mudam e você tem que explorar todas as possibilidades que aparecem. Isso é o que tento fazer.

E sua prancha pessoal hoje em dia, qual é?

Estou surfando exclusivamente com Thrusters.

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