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Crescimento sustentável

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O crescer de maneira sustentável é o que garantirá a longevidade do stand up paddle brasileiro para muito além dos modismos. Foto: Luciano Meneghello
 

Por Redação SupClub

A chegada do verão impulsionou mais uma vez o SUP. O stand up está em evidência. Nicole Pacelli foi capa da Folha de São Paulo, jornal com maior tiragem do Brasil; programas de TV, revistas de celebridades, entre outros canais de comunicação de massa, colocam a remada em pé novamente na categoria de “esporte da moda”. 

Na esteira desse sucesso surgem novas marcas, “professores” sem experiência, sites “especializados” sem conteúdo e toda ordem de produtos e eventos ligados ao stand up paddle. O apelo do SUP é irresitível e obviamente atrai aqueles que estão mais interessados em lucrar do que em contribuir. O mercado, em princípio, agradece. Pois toda essa exposição, mesmo que em parte gerada de maneira artifical, sem profundidade, contribui para a expansão da modalidade.

No entanto, como ensinam praticamente todas as teorias econômicas, existem ciclos de expansão e retração e, sendo assim, a grande questão nesse momento é:

“Como garantir que esse sucesso tenha consistência e não transforme o SUP em mais uma febre passageira?”

Com o intuito de promover um exercício de reflexão sobre esse tema, nossa reportagem entrou em contato com algumas das pessoas mais atuantes do Stand Up brasileiro, nas mais diversas áreas, e pediu que avaliassem, em seu ponto de vista, quais os caminhos a serem percorridos para fortalecer o crescimento do SUP no Brasil de uma forma sustentável. Confira.

 

ARTHUR JUNG (Sócio proprietário da Art in Surf)

“Na minha leitura o SUP para crescer de forma ordenada é preciso que exista um maior apoio das marcas que atuam no mercado. A maioria das marcas, com exceção de poucas, só pensam em lucro e não apoiam o esporte. Precisam atuar mais apoiando e criando eventos, apoiando atletas e as mídias especializadas.

A minha opinião é que se as instituições que se beneficiam do esporte revertessem uma parte do seus lucros ou energia para as questões que levantei acima, teriamos muito mais atividades e conteúdos. Também acho que as associações e federações deveriam se unir politicamente para angariar fundos para o desenvolvimento de atletas e eventos nacionais e internacionais. Penso que se todos correrem para o mesmo lado o SUP irá se tornar um esporte olímpico com muita rapidez, devido ao seu meteórico crescimento.” 

 

NECO CARBONE (Shaper)

“Acho que de todo mundo que tem prancha hoje, são pouquíssimos os que remam com freqüência. Os grupos de remada são importantíssimos porque um pilha o outro em sair para remar, assim, as pessoas vão ficando cada vez mais envolvidas com o esporte trocando ideias sobre equipamentos, técnicas, etc. Mas para isso os amigos tem que se organizar pra coisa acontecer.

Faltam eventos. Pelo quanto o esporte já cresceu, o calendário deveria estar recheado de eventos e isso acontece porque faltam patrocinadores. Tem muita, mas muita gente, que está no mercado do SUP e não contribuí com o esporte, não patrocina atletas e eventos, não apóia em nada, só quer usufruir dele.” 

 

VICTOR VASCONCELLOS (Shaper e proprietário da Hotstick)

“Acho que as competições são a melhor maneira de difundir o SUP no Brasil, principalmente por ser um esporte que tem várias modalidades Race, Fun Race, Wave, Descida de Rios, etc. 

Assim aparecerão os ídolos e a mídia divulgando, fomentando o interesse de outras pessoas, popularizando o esporte gerando seu crescimento.

O momento é propício a termos circuitos Nacional/ Estadual devido ao grande fluxo de novos comerciantes de pranchas e acessórios nacionais e importados, podendo assim dar um suporte financeiro às competições e sua organização.” 

 

SERGIO DA SILVA (Proprietário da New Advance)

“É importante que a cultura do stand up tenha a mesma constância que a do surf, que existe desde o início do século passado, passa por altos e baixos, mas mantém um público fiel porque transmite um estilo de vida. 

E agora, principalmente aqui no Brasil, com o título do Gabriela Medina, o surf vai passar por um bom momento e acredito que o SUP, por tabela, irá se beneficiar dessa boa fase. 

Cabe a quem está envolvido com o esporte aproveitar esse momento, mas também dar a sua contribuição. A minha receita é patrocinar atletas e apoiar eventos, sejam competições ou encontros de remada. É importante fomentar o esporte e promover a sua cultura.

Se cada marca envolvida com o SUP patrocinar pelo menos um atleta, você estimula a prática e fortalece a sua cultura. Nós temos em nossa equipe competidores de alto nível como o Leco, que é campeão mundial e a Aline Adisaka, campeã brasileira, e também um atleta como o Sylvio Mancusi, que dropa ondas gigantes com o SUP, mas também rema com a mulher e o filho, promovendo esse estilo de vida e acessibilidde que a gente encontra no stand up.” 

 

HUDSON CHAMON (Proprietário da SUPflex)

“Na minha opinião o SUP no Brasil vem se consolidando a cada dia. Por ser um esporte extremamente prático e inclusivo, isso faz com que o número de adeptos só cresça. Aquele que anda pela primeira vez, já pensa na segunda remada e em seguida ter sua própria prancha.

Para o SUP ir ainda mais longe vejo que um grande caminho são os interiores, apenas com o SUP você consegue levar o “lifestyle” da praia para represas, lagoas, rios, corredeiras, etc. Além disso vários treinamentos já utilizando as pranchas de SUP vem ganhando muito espaço, principalmente em academias, como pilates, yoga e treinos funcionais sobre a prancha.

Porém um ponto muito importante para que tudo corra bem é a segurança, atualmente poucos praticantes e até mesmo escolas de SUP tem essa preocupação. A grande maioria dos praticantes não está atenta às variações de maré, vento, correnteza, etc. A massificação das informações de segurança deve ser uma prioridade para fabricantes, escolas de SUP e até mesmo pelo governo através dos bombeiros e órgãos responsáveis.”

 

ALESSANDRO MATERO (Atleta profissional, responsável pelo Clube de Canoagem Matero e treinador de atletas)

“Eu acho que sempre que a organização vem antes da ação, a chance de dar certo é maior. No começo do esporte, na euforia, várias provas começaram a aparecer sem muita organização e ao decorrer dos anos isso mudou.

No meu ponto de vista, a evolução do esporte virá com a seriedade na produção de eventos, como datas, horários e respeito aos atletas. Assim como os atletas devem respeitar e apoiar o esporte com ideias e atitudes pensadas no crescimento.

Com a criação da Confederação Brasileira de SUP creio que estamos caminhado na direção correta. 

Com relação às regatas, seria importante centralizar as forcas nas categorias infantil e open (profissional), dando mais valor à nova geração e aos que estão competindo na categoria open.

Profissionalizar as escolas, para que tenhamos mais qualidade no ensino e mais segurança.  

Quanto mais organizado e sério estiver o esporte, maior a chance de empresas do ramo da telecomunicação, veículos, empresas de grande porte apoiarem atletas e eventos. Com isso cresce a divulgação e o retorno para as empresas também.

Enfim, acho que estamos alguns passos de conseguirmos um apoio maior, mas vai acontecer com certeza.”

 

ROBERTA BORSARI (Profissional de comunicação online e marketing, especialista em SUP Travessias)

“O SUP vem crescendo de maneira vertiginosa no Brasil, todos sabem disso.

Acho importante que as instituições, sejam associações ou clubes, se unam para estabelecer regulamentações sólidas e coerentes, em prol dos praticantes e atletas. Isto do ponto de vista recreativo, competitivo, comercial, ensino ou da política de segurança em geral.” 

E sempre pensar na fomentação e evolução do esporte, com atenção especial a qualidade das escolas, dos seus profissionais e todos aqueles que iniciam na modalidade, para que isso não ocorra de maneira distorcida.”

 

OTÁVIO ASSIS (Proprietário do clube SUP Amigos de Aracaju)

“O leque de opções do SUP é imenso e pode e ser explorado tanto para diversão, como o lado competitivo. É a ferramenta ideal para alavancar o desenvolvimento sócio, econômico e cultural, onde temos que oferecer um serviço a altura do poder de promoção do SUP.

Então, quando se trata do SUP como diversão, deve-se seguir normas de segurança e instruções de como remar da maneria correta e sempre primando pela segurança do remador.

Além disso, associar remadas temáticas ao dia a dia e promover passeios, onde os participantes tenham a oportunidade de remar com estrutura e segurança. Promover campanhas sociais de preservação e limpeza dos rios e demais locais da prática do SUP também é muito importante. Essas remadas ajudam muito no crescimento da prática do SUP, pois quase sempre viram alvo de matéria dos meios de comunicação.

Já o lado competitivo, acho que deveríamos rever a premiação, ela deveria ser estendida às demais categorias. Acredito que alavancaria o número de inscrições.

Tentar introduzir a sua prática nas escolas públicas, com projetos de inclusão social. Estamos por aqui já há alguns meses com a ‘Remada Com Faxina’ e sei que o caminho é esse. Incentivar a prática do SUP em todos os seguimentos da sociedade, pois o SUP é como uma chave mestra, abre qualquer porta.”

 

PABLO CASADO (Atleta profissional e proprietário da Amazônia Tribal SUP) 

“Acho que um investimento maior nas categorias de base é importante para o futuro da modalidade, bem como uma maior interação das Federações com a CBSUP e principalmente os atletas profissionais para que não haja um esvaziamento do circuito brasileiro e possamos ter um número cada vez maior de atletas participando do circuito.

E principalmente uma legislação que posso organizar a atividade do SUP no Brasil, para que o esporte cresça com segurança e qualidade técnica.”

 

ALEXANDER ARAÚJO (Atleta profissional recordista sulamericano e brasileiro de remada em longa distância de SUP em alto mar)

“O SUP vem crescendo muito e isso tem um efeito positivo no mercado para todos, sejam atletas, marcas e mídias especializadas. 

Mas para o crescimento seguir de forma organizada, precisamos fortalecer e melhorar o trabalho na base do esporte. As associações e federações tem um papel funfamental neste crescimento, pois são elas que vão balizar e ajudar o desenvolvimento saudável do esporte e fortalecer a Confederaçao Brasileira de SUP.

Fiscalizar estabelecimentos que praticam comércio usando o stand up paddle, seja ministrando aulas, alugando equipamento ou desenvolvendo passeio é o ponto mais nevrálgico neste desenvolvimento e tem que ser fiscalizado por estas instituições, exigindo destes profissionais capacitação nos aspectos seguraça e conhecimento do esporte.”

 

BÁRBARA BRAZIL (Atleta profissional tetra-campeã brasileira de SUP race)

“Na minha opinião o SUP está com força total. Mas tem sempre algo que pode fazer crescer ainda mais, de modo que fique bom para todos os interessados.

Mais subsídios para atletas profissionais e amadores tanto do governo quanto do setor privado. Projetos sociais envolvendo comunidades carentes beira mar e rio. Regulamentação do ensino/escolas de sup e aluguel de equipamento.”

 

JOÃO RENATO (Atleta profissional e Preparador físico)

“Acredito que o SUP terá um espaço muito grande nos próximos anos como um esporte para toda família, oferecendo uma grande oportunidade de atividade física lúdica e prazerosa, e esse filão vai atrair cada vez mais a atenção da sociedade. Mas, também com esse crescimento, vejo que já começam a surgir alguns oportunistas visando não a evolução do esporte, mas o lucro acima de tudo.

Desde fabricantes que se limitam a produzir equipamentos de baixa qualidade, meras cópias de outros mais desenvolvidos, pois seus fabricantes investiram tempo e dinheiro em pesquisas, passando por marcas que usam e abusam do lifestlyle do SUP, mas não patrocinam ninguém, até pessoas que alugam pranchas e dão aulas sem a menor qualificação profissional para isso. É preciso ficar atento e valorizar aqueles que  verdadeiramente trabalham pelo SUP.

Acho também que os atletas precisam se unir mais pra colocar em prática muitas ideias que acabam ficando pelo caminho.”

 

AMÉRICO PINHEIRO (Atleta profissional e treinador de atletas)

“Acredito que são vários os fatores que, combinados, fazem um esporte crescer. Um fator importante é que para um esporte evoluir e atrair mais participantes e, consequentemente, mais mídia e investimento, é a formação de ídolos, atletas que se destaquem e sejam exemplo e inspiração, atraindo mais pessoas para o esporte. E nossos atletas estão entre os melhores do mundo, mas precisamos de mais provas em condições semelhantes às encontradas nas provas internacionais, pois isso ajudará nossos profissionais a ganhar mais experiência. Não adianta termos basicamente provas em águas paradas. Deve-se dar valor aos atletas que realmente treinam, se dedicam e investem no esporte, a elite. Com o grande número de eventos e categorias, hoje em dia todo mundo é “campeão de SUP”. Isso atrapalha o crescimento do esporte e ofusca os verdadeiros campeões.

Um ponto importante é que, devido a moda que o SUP se tornou nos últimos anos, muitos são aqueles que veem no esporte uma oportunidade de ganhar dinheiro. É preciso ter cuidado, pois qualquer um acha que pode sair por aí dando aulas, cursos etc. Não é bem assim. Esta prática pode prejudicar o esporte.

Outra questão, uma das mais problemáticas do esporte no Brasil, é a falta de patrocínio. Muitos amadores que veem atletas de elite viajando e competindo por todo Brasil e no exterior acham que esses atletas possuem um patrocínio que banca essas viagens e outros gastos. Isso não é verdade. A grande maioria dos atletas da elite do SUP nacional precisa trabalhar, e muito, para cobrir esses custos. Existem apoios e sem eles muitos não poderiam competir, mas ainda é pouco. É preciso mudar a mentalidade de que quem patrocina está “ajudando”, “dando uma força”. O patrocínio é uma troca. A marca/empresa investe o dinheiro e o atleta entra com a divulgação e agrega valor à imagem desta marca/ empresa. No caso do SUP, essa imagem é de saúde, natureza, e um estilo de vida que muitos querem ter. Sem falar dos benefícios fiscais que são possíveis hoje em dia. Os dois lados ganham, atleta e patrocinador.

De uma forma geral temos que pensar atitudes que favoreçam os atletas, os patrocinadores e a mídia, já que, na minha opinião, nenhum esporte cresce e nem sobrevive sem estes três pilares.”

 

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    O MEO Rip Curl Pro Portugal começa nesta sexta-feira (16), em Supertubos, Peniche. A primeira chamada está marcada para 3h30 da manhã (de Brasília), com possibilidade de início das baterias às 4h, se a neblina não atrapalhar. Yago Dora chega de amarelo, na liderança do ranking, e também defende o título conquistado no pico português em 2025. 👉 Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta swell consistente e vento do quadrante norte para os primeiros dias da janela. Sexta-feira e sábado aparecem como boas oportunidades para avançar com a competição, enquanto domingo deve ter vento mais alinhado como terral, mas com perda de força da ondulação. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Transmissão ao vivo em inglês:

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Confira vídeo dos treinos com Medina, Yago, Italo e Miguel em Peniche, Portugal.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.