Karina Mattos

Coragem de uma pioneira

Karina Mattos numa bela direita em Ilhas Mentawaii, Indonésia. Foto: Arquivo Pessoal.

Quando Karina Mattos pegou em uma prancha de bodyboard foi amor à primeira vista. A atleta que já visitou Hawaii, Austrália, Indonésia, Malásia, Tailândia e Singapura, naquela época não passava de uma sonhadora. Fluente nos idiomas inglês, espanhol e indonésio e pioneira no free surf em ondas gigantes, com 17 anos, teve o primeiro contato, com aquela que viria ser sua eterna companheira: a prancha de bodyboard.

 

Clique aqui para ver as fotos

 

Este encontro inesquecível aconteceu no Sul do Brasil, incentivada por uma amiga que a convidou para passar férias na casa de praia da família e emprestou o equipamento.

 

 

 

Karina Mattos no Rio de Janeiro (RJ). Foto: Arquivo Pessoal.

Karina era uma adolescente bastante ativa que já havia praticado diversas modalidades esportivas – natação, judô, ginástica olímpica e capoeira – e sempre que surgia oportunidade, fazia trabalhos como modelo fotográfico e participava de desfiles, pois desde cedo queria ser independente e ganhar seu próprio dinheiro.

 

Porém, no mesmo ano em que começou a praticar a modalidade, sua família retornou para Belo Horizonte e o bodyboard ficou distante. Mas o destino estava traçado e depois de fazer dois anos da faculdade de Turismo, em Belo Horizonte, mudou-se  para Guarapari,  Espírito Santo, para continuar os estudos e realizar seu grande sonho: treinar e participar de campeonatos de bodyboard.

 

Naquela época, a vida da jovem capixaba não era nada fácil. Trabalho e estudo em primeiro lugar. Praia somente aos domingos. Mas nada a desanimava. Mesmo treinando menos que as outras concorrentes, começou a competir com as profissionais nos circuitos locais do Espírito Santo, quando tinha 21 anos e não existia a categoria iniciante.

 

As adversárias eram Neymara Carvalho, Carla Costa e muitas outras feras. Era muito difícil vencer um campeonato. Só ganhava experiência. Depois de um ano passou a participar do circuito estadual do Rio de Janeiro e do brasileiro na categoria amador, sendo vice-campeã carioca, vice-campeã capixaba e top 5 do ranking brasileiro.

 

Mas Karina sempre gostou de ondas maiores e de muita adrenalina. Com isso, resolveu ir para o Hawaii participar do mundial, com patrocínio e representando a cidade de Guarapari.

 

Foi a melhor amadora na competição, chegando às semifinais, mas deslocou o ombro e retornou ao Brasil. Finalizou a faculdade de Turismo e voltou na temporada seguinte para ser a pioneira do free surfe, uma modalidade relativamente nova do bodyboard.

 

É um esporte de alto risco. Consiste em viagens de explorações e aventuras em que a atleta busca as mais perigosas e perfeitas ondas. A atleta entra em ação e pratica sua modalidade em um cenário paradisíaco de ondas perfeitas e tubulares, mas também de risco.

 

Depois de alguns meses, as ondas havaianas começaram a ficar monótonas e Karina resolveu conhecer outros mares. Próxima parada? Bali, uma das 17 mil ilhas que compõem a Indonésia. Com seu pioneirismo, conseguiu vários apoios na Indonésia como atleta free surfer, divulgando o esporte e representando o Brasil.

 

Foi destaque na primeira revista de surf da Indonésia (edição de aniversário de um ano), sendo a primeira bodyboarder a ter espaço na publicação.

 

Paralelamente ao free surf na Indonésia, onde foi patrocinada por uma das maiores surf-shops do mundo, Karina trabalhou na sua área de formação – turismo receptivo – e também como agente de exportação e desenvolvimento de produtos asiáticos.

 

Na seqüência, iniciou uma série de trips mundo afora e montou a Free Soul Events, empresa especializada na produção de eventos, como viagens femininas de surf e bodyboard, por barco e terra. Organizou o primeiro campeonato de bodyboarding de Kuta, Bali, e fez apresentações em outras ilhas da Indonésia, como Timor Leste, Roti e Java.

 

Mesmo sendo a única mulher presente, mostrou toda sua técnica surfando no mesmo nível de muitos conhecedores da região. Esta viagem rendeu matérias em importantes revistas internacionais – a Bodyboarding Japan dedicou 21 páginas – e DVD vendido no mundo todo.

 

Aproveitou as viagens para se especializar em massagem tailandesa – em Chang Mai – e para trabalhar no barco mais luxuoso das Mentawaii, como hostess e massoterapeuta de hóspedes de renome internacional como Laird Hamilton, Query Lopes. irmãos Malloy, Brad Guerlach, entre outros.

 

Também participou de explorações ao Sul da Indonésia, a procura de novas ondas, no mesmo barco e com o famoso capitão Martin Daily.

 

De volta ao Brasil, Karina mostrou estar em ótima forma, sendo campeã master do Espírito Santo em 2006 e, recentemente, faturando a segunda etapa do Circuito Kpaloa Musas do Bodyboard, derrotando na final da categoria Master a até então invicta Roberta Milazzo.

 

Mas, apesar dos bons resultados e do reconhecimento internacional, no momento a atleta está sem patrocínio e buscando parcerias para a produção de um documentário a empresas dispostas a investir em novos eventos e viagens pelo mundo em busca das ondas perfeitas.

Atualmente, Karina conta com os apoios das marcas Academia Balance Fitness, Mormaii, Xpress, Boacoluna.com, Atelier do Banho e Healf Labs.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.