#A participação brasileira no ISA World Surfing Games tem evoluído ano após ano, até a conquista do título mundial por Equipes em 2000, no evento realizado em Maracaípe, Pernambuco.
Segundo Marcos Bukão, diretor financeiro da CBS, essas participações do Brasil em mundiais são muito representativas. Bukão é considerado uma enciclopédia do surf brasileiro e acompanha os mundiais desde 91, em Barbados.
?O primeiro ISA World Surfing Games aconteceu na Inglaterra em 86, na época não teve muita repercussão. O catarinense Flávio ?Teco? Padaratz também estava nesse time?, lembra Bukão, que será diretor de prova do ISA WSG na África do Sul.
Em 88, a delegação brasileira teve uma participação histórica em Porto Rico. Fábio Gouveia conquistou o título de campeão mundial Open e Fernando Graça, o ?Bolha?, e Rico de Souza foram vice-campeões Júnior e Longboard, respectivamente.
Também faziam parte deste time os atletas Zé Paulo, Piu Pereira, Wagner Pupo, Brigitte Mayer e Flávio ?Teco? Padaratz, que foi o grande destaque naquele ano, mesmo não obtendo um bom resultado na final. O Brasil terminou em terceiro lugar.
No Japão em 90, formamos um time dos sonhos com Joca Júnior, Victor Ribas, Peterson Rosa, Sávio Carneiro, Washinton “Smurf” Luís e Hemerson Marinho.
Nesse mundial, Kelly Slater, hexacampeão mundial, estava no time americano. Os melhores brasileiros foram Hemerson Marinho, que terminou em terceiro na Open e Neco Carbone, terceiro no Longboard. A atleta Andréa Lopes fazia parte do time no Feminino.
#Em 92, o evento foi realizado em Lacanau, França, onde o Brasil contava com um timaço também. Guilherme Herdy, Narciso, Rodrigo Jorge e Eduardo Fernandes disputaram a categoria Open.
Renatinho Wanderley, Eric Myakawa, Gustavo Aguiar e Rodrigo Dornelles competiram na Júnior.
Vitorino James representou o Brasil no Longboard e era um dos favoritos – até roubarem seu pranchão. Na equipe também estavam as surfistas Ana Galotti e Michelle Pessoa.
Os melhores resultados foram de Herdy e Narciso na Open, ambos em sexto, e Renatinho na Júnior, em sétimo.
O bodyboarder Rodrigo Fiúza e William Grutter, surfista de joelho, ficaram em terceiro. O Brasil acabou na terceira colocação, mas o atleta de surf de joelho dos EUA foi barrado no antidoping e o Brasil subiu para segundo. Foi o primeiro vice-campeonato tupiniquim.
Rio de Janeiro, 94, a grande chance do primeiro título mundial por Equipes. A delegação brasileira contava com Gustavo Aguiar, Daniks Fischer e Charles Cardoso na Open.
Robson Buiú, Binho Nunes, Neco Padaratz e Maicon Rosa eram os juniores.
?Tínhamos o título por Equipes na mão até a bandeira amarela da final Open, quando Sasha Stocker, da Austrália, pegou um tubo e passou de quarto para primeiro lugar, deixando Charles Cardoso como vice-campeão e conquistando os pontos que deram o título para a Austrália e o Brasil ficou novamente como vice?, relembra Bukão.
#Neco foi terceiro na Júnior, Jefferson Anute e Alessandra Viera sagraram-se campeões mundiais em suas categorias.
Huntington Beach, 1996. Este foi maior campeonato de surf da história do esporte. O evento contou com quase 900 surfistas de 42 países em oito dias de competições com três palanques simultâneos.
?Foi o momento em que o surf esteve mais próximo das Olimpíadas. E por incrível que pareça, o Brasil ficou ainda mais perto do título do que no Rio de Janeiro?, diz Bukão, que foi diretor de prova do campeonato histórico.
?Qualquer atleta do Brasil com uma posição acima, teria dado o título para nós?, disse Bukão.
Os americanos ganharam com a vitória de Taylor Knox na Open e Shane Beschen em terceiro. Victor Ribas finalizou em segundo lugar.
O Brasil formou com Vitinho, Jerônimo Bonfim, Alessandro Melo, Rodrigo Rocha, Pedro Lima e James Santos (melhor Amador da competição, só perdendo para cinco profissionais do WCT) a categoria Open e Yuri Sodré, Olavo Aguiar, Lucinho Lima e Leonardo Oliveira na Júnior.
A cearense Tita Tavares foi vice-campeã mesmo com uma interferência na final. Guilherme Tâmega e Daniela Freitas ganharam no Bodyboard. Marcelo Freitas também marcou presença na final do Longboard.
A diferença de pontuação foi muito pequena, 0,6% em relação aos americanos: USA 33.626 x Brasil 33.492. Foi a primeira vez que o Brasil ficou na frente da Austrália.
#Em Portugal, 98, novamente a equipe brasileira encerrou como vice-campeões por teimar em levar apenas um profissional na categoria Open, enquanto os adversários levavam quatro.
Peterson Rosa (vice-campeão), Tânio Barreto (melhor Amador do mundo), Robson Buiú e Lucinho Lima estavam no time Open.
Marcondes Rocha, Marco Polo, Raoni Monteiro e Danilo Grillo eram ?dream time? da Júnior, que não rendeu o esperado. Os títulos vieram com Picuruta Salazar no Longboard e Alcione Silva no Feminino.
Novamente o Brasil estagnou em segundo, atrás da Austrália e levando sufoco da África do Sul em terceiro.
Pernambuco, Maracaípe, 2000. Brasil, agora ou nunca. Finalmente se optou pela presença maciça de profissionais na Open: Fábio Gouveia, Fábio Silva (campeão mundial) e Armando Daltro foram os comandantes do time Open, que ainda tinha Rafael Becker.
A Júnior deu show com Marcondes Rocha, Bernardo Pigmeu e André Silva na grande final, embora o havaiano Joel Centeio tenha colocado areia na engrenagem quase perfeita do Brasil e conquistando o título.
Gilmar Silva completava a categoria. O Brasil ganhou todas as outras categorias, com Marcelo Freitas no Longboard, Tita Tavares no Feminino, Guilherme Tâmega e Karla Costa no Bodyboard e o incansável Sérgio Peixe no Kneeboard – que aos 41 anos entrou para a história da ISA como o mais velho campeão dos mundiais.
O ?banho? do brasileiros foi traduzido em números. O Brasil somou 31.532, o Hawaii 22.805 e a Austrália 22.332.
Participações de Marcos Bukão em Mundiais e Panamericanos:
Mundialito de Barbados 1991: Team Manager.
Mundial da França 1992: Team Manager.
Panamericano Venezuela 1993 : Team Manager.
Mundial do Brasil 1994: Team Manager.
Mundial da Califórnia 1996: Diretor de Prova.
Panamericano do Brasil 1997: Diretor de Prova.
Mundial de Portugal 1998: Diretor de Prova.
Panamericano de Mar Del Plata 1999: Diretor de Prova.
Mundial do Brasil 2000: Diretor de Prova.
Panamericano da Venezuela 2001: Diretor de Prova.
O ISA World Surfing Games acontece de dois em dois anos e é organizado pela ISA (International Surfing Association).
A entidade possui 48 associações filiadas e cada versão do World Surfing Games (WSG) é realizado em um país diferente.
O WSG recebe em média 20 a 30 times. A composição de cada equipe varia de 04 a 40 membros e o evento é chamado de “Olimpíadas do Surf”, pois premia com sete medalhas os melhores colocados de cada categoria por determinação do World Team Champions.
O formato das delegações que disputam o ISA World Surfing Games é o seguinte:
– 04 opens (categoria livre de idade).
– 04 juniores (categoria até 18 anos).
– 02 surf feminino (categoria livre de idade).
– 01 longboarder (categoria livre de idade ? pranchão).
– 01 kneeboarder (categoria livre de idade ? surf de joelhos).
– 02 bodyboarders masculino (categoria livre de idade ? surf deitado).
– 01 bodyboard feminino (categoria livre de idade ? surf deitado).
– 02 juizes (para países que possuem até a décima colocação no ranking. Do décimo primeiro ao vigésimo leva apenas 01 juiz).
– 01 manager.
– 01 assistente de manager.
– 01 técnico (normalmente países mais fortes como Brasil, Austrália, USA, África do Sul, Hawaii, levam mais técnicos por conta própria, mas oficialmente é somente 01).