Cerca de 500 mil pessoas morrem afogadas em todo mundo. Mais de dez milhões de crianças entre 1 e 14 anos são internadas vítimas de afogamento anualmente e, destas, uma a cada 35 hospitalizações chega ao óbito.
É importante compreendermos que o afogamento, entre todos os traumas, é o mais impactante e felizmente um dos mais beneficiados pela possibilidade de prevenção.
De acordo com a International Lifesaving Federation (ILSF), diferente de outras doenças, a prevenção não pode ser realizada por vacina e nem detectada por alguma pré-disposição genética, mas com muita educação sobre os riscos perfeitamente evitáveis presentes em áreas aquáticas.
Uma das ações mais positivas é a supervisão constante dos pais com seus filhos quando perto de espelhos d´água, mesmo na presença de um guarda-vidas.
Segundo o Dr David Szpilman, um dos maiores desafios que temos a enfrentar para transmitir estas mensagens de prevenção é conhecer o perfil do afogamento na área que iremos aplicar as medidas e então tentar entender como convencer esta população de que o afogamento é uma possibilidade real e que invariavelmente leva a morte de crianças.
Este foi o tema principal da “Conferencia Mundial em Prevenção de Afogamento” que ocorreu em Potsdam, Alemanha, em sua quinta versão internacional (eventos anteriores, ocorreram em San Diego, Amsterdam, Porto e Danang).
Especialistas, médicos, guarda-vidas, oceanógrafos, pesquisadores, biólogos, educadores, epidemiologistas, Bombeiros e Militares da Marinha, entre outros, de 56 países estavam presentes no evento colaborando para entender as melhores formas de prevenir e tratar os casos de afogamento e desta forma unir forças para reversão deste flagelo mundial anual.
Participaram ativamente organizações como OMS, UNICEFF, TASC, ILCOR, AHA, ERC, Cruz Vermelha Internacional e muitos outros.
O evento não se restringiu aos três dias de conferencias e workshops, mas se iniciou 3 dias antes com diversos assuntos, reuniões e comitês sobre diversos assuntos.
O primeiro e um dos mais importantes na área médica foi o “Utstein Drowning guidelines meeting” que é um processo de consenso, endossado pela comunidade internacional em ressuscitação ou seja propõe e define quais variáveis são importantes de coletar dados em situações de ressuscitação de forma que possamos comparar diferentes centros e dados em pesquisas.
Este tipo de reunião ocorreu pela primeira vez em 1991, na Noruega, na cidade de “Utstein Abbey” para casos de RCP em geral. Para casos de afogamento este foi o segundo encontro, sendo o primeiro em 2002, na cidade de Amsterdam. A reunião ocorreu através de convite a 22 especialistas médicos e guarda-vidas de 16 países diferentes (Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, EUA, Holanda, Inglaterra, Japão, Nova Zelândia, Itália, Suécia entre outros), e com a participação de ILCOR, ERC, AHA, CDC, ARC e Fundação Inter-Americana de Coração (Brasil).
Pelo Brasil estiveram presentes a reunião que se entendeu por todo dia, o Capitão Luiz “Dunga” Morizot, Brasileiro formado guarda-vidas no Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, e atualmente coordenador responsável pelo serviço de salvamento de “Miami-Dade County – EUA” e o Dr David Szpilman.
O resultado desta reunião será publicado em breve nas duas revistas de maior fator de impacto na área de ressuscitação, a “Resuscitation” e a “Circulation”.