Conexão Hawaii-Indonésia

Nos meses de novembro a fevereiro não existe outro lugar para se estar se você é um surfista disposto a viver toda a intensidade que o surf pode proporcionar senão o North Shore de Oahu, Hawaii.

 

Neste período a ilha é invadida por uma multidão de surfistas, profissionais da mídia e espectadores do mundo inteiro, todos dispostos a registrar os melhores momentos ou pegar o tubo da temporada. Todos querem viver as fortes emoções do Hawaii.

 

Sempre ouvi falar que a vibração e a energia do Hawaii eram muito fortes. E só vivendo essa energia pude entender seu significado. Viver o dia-a-dia do North Shore na espera dos swells, a expectativa pelo próximo dia em Pipeline ou Waimea Bay, a consciência de que os limites serão puxados ao máximo quando o mar subir e o risco de se machucar aumentam e muito. Essa é uma sensação que faz aumentar a concentração no mar.

 

Todos que se propõem a encarar certas situações no oceano têm essa consciência. O medo existe, porém a vontade de estar lá é maior. Tomo como exemplo Pipeline: não dá tempo de pensar no medo, quando se decide por uma onda é remar forte e botar pra dentro do turbilhão. E se você estiver de bem com a onda, em poucos segundos estará no canal rindo à toa depois de mais um tubo inesquecível.

 

Sempre existe a pressão dos locais, principalmente em Pipeline, o que não é nenhuma novidade. Pipe exige muito respeito e conhecimento dos próprios limites e capacidade de surfar ondas como aquela. O importante quando se está puxando o limite é aprender a reconhecer as vibrações ao seu redor.

 

É difícil definir essa energia nessa pequena ilha no meio do oceano. A intensidade das ondas, os locais, o crowd, o risco, o medo, os limites a serem ultrapassados em situações extremas, acho que todo esse conjunto caracteriza essa energia que emana da ilha nos meses de inverno.

 

E depois de quase seis meses de Hawaii vivendo essa intensa vibração, chegou a hora de viver outras emoções, surfar outras ondas, outros tubos. O destino: Indonésia, mais precisamente o norte de Sumatra.

 

Lá não se encontra a mesma força que existe no Hawaii, muito menos o crowd de Pipeline, mas é possível surfar ondas perfeitas com pouco crowd, principalmente se o destino for alguma ilha remota das 13 mil que compõem o arquipélago.

 

Surf todos os dias, tubos todos os dias e vento terral todos os dias. Não há nada melhor que tubos num mar glass. O paraíso das longas esquerdas proporciona muita paz e bons tubos. Ondas perfeitas por centenas de metros, boa comida, povo alegre – bastante parecido com os brasileiros neste aspecto.

 

Bali é um caso a parte. Muita onda e diversão. Turistas do mundo inteiro, europeus, japoneses, australianos, americanos, enfim, de todas as partes.

 

Lá o que não falta são mulheres bonitas, bons restaurantes, ambientes agradáveis, muitas lojas e bons negócios, mas um trânsito que te deixa, à primeira vista, assustado. Motos por todos os lados e ruas estreitas causam tumulto e deixam o trânsito lento no centro de Kuta.

 

Kuta também esconde um imenso labirinto de becos, o que ajuda muito a diminuir as distâncias para quem conhece os atalhos. Existem surfistas locais, porém  o número não é considerável a ponto de não atrapalhar o surf. A não ser que Padang esteja quebrando perfeito e clássico.

 

Se a intenção é curtir boas ondas e se divertir com as turistas, Bali é o destino. Se a intenção realmente é pegar muita onda, o destino tem que ser alguma das ilhas do arquipélago. Ficar acampado na selva com uma onda longa e perfeita quebrando na sua frente ou passar algumas semanas num barco surfando ondas de sonho são emoções únicas.

 

É exatamente isso que estou fazendo, embarcando para um surf camp localizado em North Sumatra. Curtir um paraíso, com muita onda e sem crowd a não ser os amigos. Depois de muito crowd no Hawaii, quero ir para um lugar onde na maioria dos dias serei apenas eu e o oceano.

 

Pois a busca pela onda perfeita é eterna, seja para quem atravessa meio mundo para chegar numa onda deserta ou quem apenas está esperando pelo próximo swell no quintal de casa.

 

Aloha!

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.