
Muita gente já ouviu falar da Procter & Gamble, grande empresa norte-americana, mas poucos sabem o que ela realmente representa para todos nós.
Posso dizer com confiança que cada leitor tem pelo menos dois produtos dessa empresa em sua casa neste exato momento.
Fundada em 1837 pelos amigos William Procter e James Gamble, a P&G começou como uma fábrica de sabão de fundo de quintal.
Hoje, é dona de várias marcas que nos deparamos todos os dias:

Gillette, Ariel, Crest, Pampers, Tampax, Hipoglos, Pantene, Pringles, Pastilhas Vick e Duracell são bons exemplos.
Mas afinal, o que P&G tem a ver com bodyboard? Calma que chego lá.
Importante para as pessoas e mais importante ainda para os veículos de comunicação, a P&G é uma das empresas mais respeitadas do mundo do marketing.
Suas práticas freqüentemente tornam-se teorias a serem ensinadas nas universidades através de seus muitos casos de sucesso. P&G é, sem dúvida, o maior anunciante do mundo.
Só no ano passado sua verba mundial de publicidade foi de US$ 7 bilhões. Tradicionalmente, a empresa sempre acreditou e investiu em mídia de massa, geralmente o horário nobre da televisão.
Porém, as coisas estão mudando. Estudos recentes da própria P&G indicam que no início da década de 80, uma marca era capaz de atingir 90% da população da Inglaterra simplesmente anunciando nos três principais canais de TV da época.
Hoje, após a invenção do controle remoto, da multiplicação dos canais de rádio e televisão, a proliferação das revistas especializadas e o advento da internet, a mesma marca teria que anunciar em pelo menos mil lugares para atingir os mesmos 90% da população.
Na prática, isso significa o fim dos anos dourados da mídia de massa e o início do apogeu da mídia especializada.
O estudo foi feito na Inglaterra. Mas no Brasil, guardadas as devidas proporções, já que vivemos num país em desenvolvimento, a situação não é muito diferente.
##

Mas o que o bodyboard tem a ver com isso? Bem, dentro das mil possibilidades de publicidade especializada estão revistas, patrocínios de atletas, os campeonatos e os websites.
É simples, muito simples. Antes, eles não precisavam da gente, três canais resolviam tudo. Agora eles precisam, e muito. A publicidade em massa praticamente não existe mais.
Aliás, até existe, mas já não reina absoluta e eficiente como no passado. Nessa, se não formos bater na porta, mostrar a cara e oferecer nossos serviços de marketing, revistas, patrocínios, eventos e websites, eles não virão até nós.

Por quê? Ora, imagine que antes, os marketeiros da P&G só tinham três coisas para pensar. Agora eles tem mil. A sua é apenas uma das possibilidades, uma agulha num palheiro. Sinistro, né?
Mudando um pouco de assunto mas mantendo o tema, marketing. Uma vez, li uma entrevista com um CEO (primeiro homem na hierarquia corporativa) de uma marca americana especializada em produtos para o tênis (o esporte, não o calçado).
O nome do executivo me foge a memória, mas dizia que os jogadores de tênis não eram seu público-alvo. Como assim? O cara tem uma marca de tênis, patrocina atletas de ponta, banca torneios internacionais, vende raquetes, roupas pra jogar tênis, enfim, tudo para o tênis.
Como explicar que o público-alvo da marca não é exatamente os jogadores de tênis? O executivo é maluco? Não, nem maluco nem filantropo. A explicação: tênis é apenas um tema, uma imagem.
Quem realmente compra em grande volume são as pessoas normais. O moleque que vai para a escola, o pai que quer manter a imagem jovial, a dona de casa que quer se vestir “prafentex”, o advogado que vai passar o sábado no clube com os filhos.
Todas essas pessoas compram a moda “tênis”, sem necessariamente ter jogado o jogo de bolinhas e raquetes uma só vez na vida. O bodyboard está na mesma categoria do tênis no que diz respeito ao volume de praticantes.
Um esporte relativamente pequeno quando se trata apenas de quem pratica, mas com um mercado enorme e significativo quando inclui todas as pessoas que adotam a moda e o estilo de vida e falam a língua do surf.
Vão à praia mas não pegam onda, seguem os campeonatos mas não competem, ou simplesmente querem tirar uma casquinha do alto astral do nosso esporte, através de um estilo moderno e despojado.
Cabe a nós, profissionais e profetas do bodyboard, acreditar nisso tudo e cair dentro. Cadê a minha Gillette? Cadê as grandes marcas anunciando nas revistas, patrocinando atletas e fazendo eventos de bodyboard? Pega eles Xandão, pega!