Por Alexandre Ogleari
O Stand Up Paddle é um esporte considerado novo, porém, suas raízes nos remetem a tempos antigos da civilização, principalmente se levarmos em consideração registros arqueológicos, como os encontrados no Peru, por exemplo, onde a cerca de 3.000 anos, povos da era pré colombiana utilizavam uma embarcação chamada de “Caballitos de Totora”, na qual o pescador se deslocava remando em pé utilizando um remo alongado (saiba mais lendo nossa série pioneira de reportagens sobre a história do SUP – clique aqui).
Acredita-se que estes homens após um dia inteiro de pesca também se divertiam nas ondas com seus “Cabalitos”, o que nos remete, inclusive às raìzes do próprio surf.
Mas, voltando ao SUP Race, essa modalidade de stand up paddle tem seu início estimado no ano de 2005 e desde então as pranchas têm evoluindo rapidamente, ano após ano, quanto às matérias-primas utilizadas, técnicas de fabricação e também nos shapes, que são os formatos das pranchas idealizados pelos profissionais conhecidos como shapers.
No mercado do SUP Race existe muita tecnologia, mas também arte na idealização e fabricação dos equipamentos. Diferentemente de outros esportes, onde apenas a tecnologia e estudos de laboratório definem o design de um produto, no SUP a coisa é diferente e é fácil entender o por quê.
A superfície da Terra tem mais de 2/3 de sua área coberta por água: entre rios, lagos, mares e oceanos e toda essa massa de água se comporta de maneira diferente conforme a região. Encontrando-se desde espelhos d’água totalmente lisos (dead flat), passando por mares mexidos (choppy water) até ondulações(bumps/waves) de diversos tamanhos e intensidades. Isto sem considerar as correntes, ventos, relevo e tudo mais que impacta no comportamento das águas e naquilo que pretende andar sobre as águas.
Mas dentro desta diversidade de condições, excluindo-se as pranchas desenvolvidas para downwind, temos duas categorias principais de pranchas para o SUP Race: pranchas para águas paradas (flat water) e pranchas para águas mexidas (open water or choppy water).
Também existem pranchas que tentam aliar um bom desempenho tanto no liso como no mexido, mas a maioria dos fabricantes ainda opta por ter modelos distintos conforme a situação principal de uso. Assim, vamos nos concentrar nesses dois grupos que iremos nomear de:
– Pranchas para flat water (águas abrigadas)
– Pranchas para open water (águas agitadas)
As variáveis de design e construção de um SUP são infinitas, mas existem características que podem nos ajudar na melhor escolha de uma race. Mas antes de discorrermos sobre isto, o principal é que o praticante tenha claro em sua mente em que condições mais irá utilizar seu SUP Race.
Caso sejam em águas abrigadas como lagos, represas, rios, baías, etc. o ideal é optar por uma prancha para flat water. Caso sejam águas abertas como praias, travessias de canais, locais com bastante vento e águas mexidas a recomendação são pranchas para open water.
Isto é claro para aqueles praticantes que desejam levar o esporte mais a sério pensando em competição ou que desejam a maior evolução possível em termos de velocidade e desempenho.
Caso você não saiba ao certo em que condições mais irá utilizar o seu SUP e quiser uma prancha versátil para todas as situações procure por modelos que mesclam as características de ambas as pranchas.
Em geral os fabricantes apontam suas recomendações quanto ao peso máximo do remado e uso principal da prancha. Isto é muito importante. Não compre uma prancha sem pesquisar antes e verificar se ela é compatível para o seu biótipo e suas necessidades. Se você não irá competir com frequência, será que precisa de uma race muito estreita, que certamente será mais veloz, porém, bem mais instável e, consequentemente, menos confortável na hora da remada?
Uma prancha de SUP Race de qualidade requer um investimento alto e não são poucos os remadores que compram uma race e se arrependem rapidamente devido à incompatibilidades entre prancha, usuário e condições de uso.
Como dito anteriormente, a idéia não é esgotar o assunto, pois as variantes são muitas e uma obra de arte não pode ser enquadrada em nenhum padrão pré-estabelecido. O objetivo é ajudar o atleta a fazer uma escolha o mais consciente possível. E para isto vamos nos ater a duas características principais: Rocker (curvatura de fundo) e Nose (bico da prancha).
As pranchas para flat water têm como característica dominante uma linha de rocker ou curvatura de fundo o mais reto possível a fim de proporcionar um maior contato da prancha com a superfície da água também conhecido como linha d’água. Veja a ilustração abaixo:
Outra característica marcante das pranchas para flat water são os bicos projetados para cortar a água como uma lâmina (piercing noses). Estes bicos são similares aos encontrados em canoas e veleiros e, apesar de alguns shapers já estarem desenvolvendo novas soluções, ainda é o modelo mais frequente para este tipo de prancha.
As pranchas que adotam este tipo de bico e casco também são conhecidas como displacement hulls , ou seja, embarcações que se deslocam através da água, empurrando a água para o lado. É uma prancha muito veloz, mas que “surfa” muito mal, exigindo muito esforço do remador para não entrar de bico na água a cada tentativa de aproveitar uma ondulação ou mesmo no deslocamento por águas mais agitadas.
Já as pranchas de SUP Race para open water têm uma linha de rocker ou curvatura de fundo mais arredondado em formato de meia lua esticada a fim de proporcionar uma passagem mais dinâmica pelas ondulações da água. Veja a ilustração abaixo:
Estas pranchas para open water costumam adotar bicos mais arredondados (round noses) para plainar ao invés de cortar a água. Normalmente estas pranchas possuem um volume maior na área frontal da prancha para que o bico se mantenha a maior parte do tempo sobre as águas. As pranchas que adotam este tipo de bico e casco também são conhecidas como planing hulls, ou seja, embarcações que se deslocam sobre as águas num planeio.
Contudo, se você não é um remador profissional, o importante é aliar o desempenho à diversão. Então, pesquise antes e se for possível faça um test-drive nas pranchas que pretende comprar. Se sentir confortável em cima da prancha e sair da água com um sorriso no rosto já é mais da metade do caminho percorrido para a escolha certa.
SUP DICAS
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