
Na última semana aconteceu a primeira etapa do SuperSurf 2004, na praia da Joaquina, Florianópolis, e também a briga pelo título brasileiro da temporada.
O gaúcho Rodrigo Dornelles saiu vencedor, com seu conterrâneo Daison Pereira em segundo lugar.
Assisti várias baterias e observei o rip e o surf de alguns dos principais surfistas brasileiros. Segue abaixo o meu ponto de vista atual.
Os quatro semifinalistas
Rodrigo Dornelles – Surf power. Mostrou que não é só o Léo Neves que arranca notas altas dos juízes com manobras fortes. Na semi contra o “Tupac” (Gilmar Silva) ele quebrou as ondas com manobras de expressão. Fez a diferença na força e pressão nas manobras (notas 9 e 9,6 contra 8 e 8,5 do Tupac em esquerdas similares).

Eu já vi o Brad Gerlach surfar pesado assim no Hang Loose de 1986. Feliz vitória e a declaração que, sem patrocínio, ele vai investir no WQS. Manda ver “Pedra” neste circuito mundial, pois a frente brasileira no WCT precisa das suas manobras “ignorantes” e você faz uma grande falta. Boa sorte na volta ao WCT 2005.
Daison Pereira – Grande surfista emergente. Manobras funcionais, verticais, muito estilo e noção de pontuar a onda. Desde os internacionais da praia Mole (fim dos anos 90) que eu acompanho a evolução deste gaúcho. Larga na frente em 2004 com grandes chances de disputar o título.
Gilmar Silva
– Destaque e revelação da competição. Parceiro do Mineirinho (atual campeão mundial Pro Junior) no Guarujá, parece que o Tupac este ano está com apetite.
Se ele continuar nesse ritmo poderá chegar na ponta do circuito 2004 e surpreender muita gente no seu caminho, como fez com o bi campeão Léo Neves nas quartas. Disputou onda a onda com o campeão na semi e foi excluído da final com uma somatória de 16,5 de um total de 20 pontos.

Pedro Hernrique
– Exímio voador. Com um surf extremamente moderno, ele pode vencer fácil com um mar favorável ao seu surf. Nos dias pequenos dominou voando muito e no sábado (maior dia) mostrou numa direita grande o seu surf de Saquarema, rasgou forte de backside e passeou pela sessão por dentro do tubo (de grabrail), arrancando um dos high scores do dia.
Largou na frente e parece que vai jogar forte em 2004. Quando ele pega uma esquerda, manda uma rasgada seguida de batida floater e chega com toda velocidade na junção, se ele completar o aéreo, passará dos 9 (onda high-score), se não completar ainda fica com nota próxima de 6 (onda auxiliar).
Outros que representaram bem
Léo Neves – Camisa dourada e bi-campeão brasileiro, Léo Neves é competitivo e tem manobras muito fortes. Não tem ponto fraco, já que nas marolas ele também quebra tudo. Tem manobras inovadoras, aéreos e surf power no seu repertório, ingredientes certos para passar qualquer bateria. Só perde quando pega só uma onda boa e o adversário pega duas, senão ele chega junto… Dependendo, logicamente, do surf apresentado pelo adversário. Grande candidato ao tri.
Jojó de Olivença – Grande remanescente da antiga geração. Ótimo surfista e extremamente disciplinado, o bicampeão brasileiro colhe hoje a longevidade do seu surf. Quebrou e venceu uma molecada pesada para chegar nas quartas. Pegou uma high score animal no sábado, rabiscando e entubando para ganhar 9,67. Continua com o surf de backside fortíssimo. Se der mole o garoto Jojó faz a tua mala.

Fábio Gouveia – Continua cruzando e fazendo de suas baterias um “passeio”. O maior surfista do Brasil (títulos importantes) está este ano no SuperSurf e continua no rip. Na batera que perdeu para o Léo Neves, o mar estava grande e fechando, ruim para ele achar as boas ondas.
Renan Rocha – Uma pena ele perder nas marolas da sexta, porque no sábado e domingo o mar estava para o surf dele.
Flávio Costa – Baiano raçudo e surfista radical, também sabe competir. Surf bem vertical e com manobras expressivas são os ingredientes que, somados a sua competitividade, fazem deste nome um sucesso no SuperSurf. Ele vem com toda força em 2004, tipo um ‘Trent Munro’ brasileiro.
Sávio Carneiro – Um dos surfistas mais competitivos, velozes e radicais do circuito. Não foi nesta etapa, mas pode ser em qualquer uma.
Jano Belo – Um dos maiores talentos com estilo, velocidade e preparo físico que apareceu nos últimos tempos. Se ele souber jogar o joguinho da prioridade e da bateria, usar o instinto inteligente, é um forte candidato a vencer em qualquer bateria, com muito estilo, surf inovador e fluidez.

Silvana Lima – Com um pouco mais experiência adquirida na ASP e nas ondas da Europa e Hawaii, a pequena e poderosa Silvana já estreou com vitória em 2004. Além do surf, ela tem a raça necessária para vencer. Segura essa menina em 2004 – e ela é SMF oficializada.
Suelen Naraísa – Mais uma final contra a Silvana, desta vez tomando o troco, já que havia vencido no ano passado em Torres. Com um surf competitivo e idade a seu favor, ela deve disputar nas cabeças o título de 2004. Grande surfista e excelente alma.
É isso aí, galera. Procurei falar sobre as qualidades que observei daqueles que me chamaram mais a atenção. Se faltou falar sobre algum ídolo, fica para a próxima etapa, em Maresias.
Aloha
Taiu Bueno – Locutor/comentarista oficial do SuperSurf.