Clima tenso em Burleigh

A guerra pelas ondas entre brasileiros e australianos em Burleigh Heads, Austrália, pode custar milhões de dólares aos cofres australianos.

 

Muitas escolas de inglês têm recebido milhares de e-mails de estudantes assustados com a Gold Coast depois do espancamento de um estudante brasileiro que vivia em Palm Beach.

 

O catarinense Rodrigo Antenor Nunes de Souza, 26, teria negado cigarro a um jovem australiano bêbado durante o réveillon.

 

“Ele recusou duas vezes, dizendo não em inglês e depois em português, e o australiano partiu para cima dele. Rodrigo tentou fugir, mas gritaram ‘brazilian’ e vários outros saíram correndo atrás dele, que tropeçou e foi agredido violentamente, sofrendo duas fraturas nos maxilares”, conta Elisabeth Nunes de Souza, mãe de Rodrigo.

A namorada e dois amigos brasileiros também correram dos agressores. Quando voltaram, não o encontraram mais. A polícia localizou Rodrigo 12 horas depois no hospital de uma cidade vizinha. Ele teria sido achado desacordado perto de um depósito de lixo.

 

Precisou passar por uma cirurgia de reconstituição do maxilar, perdeu dentes e sofreu escoriações. Rodrigo foi para a Austrália em maio passado para estudar inglês e trabalhar.

 

Escolheu Gold Coast pelo clima da região e pelas belas praias para praticar o surf, como a famosa Surfers Paradise. Desde outubro, o catarinense entregava pizzas e estudava, o que, segundo os pais, lhe garantiu o visto até o fim de fevereiro.

 

 

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Segundo a Gold Coast Bulletin, a mídia brasileira tem apontado a costa como racista e um lugar inseguro. Muitos estudantes têm recebido ligações de parentes preocupados.

 

No último fim de semana, a calçada do estacionamento em Burleigh Heads estava com um grafite que dizia “Go home, brazilians. This is Burleigh, not Brazil” (Vão para casa, brasileiros. Isto é Burleigh, não Brasil).

 

O chefe de turismo Pavan Bhatia acredita que tenha sido uma briga por rixa de surf. Locais de Burleigh dizem que brasileiros não respeitam a ordem de prioridade no pico.

 

O estudante Gustavo Pinto, 29, residente em Burleigh, disse que seus pais ligaram depois verem na mídia a noticia de que a costa não era segura para brasileiros.

 

O surfista diz sentir uma tensão por parte dos surfistas australianos quando ele está no outside. “Eles olham pra gente e percebemos que não nos querem ali”, diz Gustavo.

De acordo com um professor de inglês, existem mais de mil estudantes brasileiros na costa. A brasileira Fernanda Frisch, gerente de marketing da escola Sydney’s Australian College of English, diz que foi inundada de e-mails de agentes de viagem e estudantes pedindo pra cancelar suas viagens para a Austrália.

 

“Recebemos e-mails de muitas partes do mundo. Pessoas querendo saber se a Austrália é um lugar seguro a se visitar. Eles não querem mais vir aqui. Quero mostrar a eles que isso passou dos limites. Existe uma certa tensão, mas não o suficiente para dizer que Gold Coast ou Austrália não são seguros”, conta Fernanda.

 

 

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Patsy Mclachlan, diretora do centro de línguas de Burleigh Heads, afirma também ter recebido e-mails de brasileiros e neozelandeses preocupados com a segurança na Gold Coast.

 

“Está fora do controle. Tenho um e-mail de um estudante que disse estar pensando em mudar sua intenção de estudar aqui para ir estudar inglês em outro lugar. Isto poderia ser muito ruim para a Gold Coast”, diz Patsy.

 

Pavan Bhatia afirma que estudantes internacionais trazem milhões de dólares para a região, e o mercado poderia ser prejudicado.

 

“Gold Coast tem o maior número de estudantes internacionais da Austrália. É um lugar seguro, e nós precisamos passar essa mensagem para que todos saibam”, conta o chefe de turismo.

 

Um surfista local que não quis se identificar diz que o número de surfistas brasileiros tem aumentado em Burleigh. “Eles vêm até aqui remando como animais, e não sabem que Burleigh tem uma ordem de prioridade”, fala.

 

“Você precisa ganhar respeito nas ondas aqui e saber que você não pode simplesmente chegar e dropar as ondas dos outros”, finaliza o local.

 

Um estrangeiro disse que ficou próximo de tomar uma pancada na última semana por causa de uma onda próxima a meio metro.

 

“Os surfistas locais são muito protecionistas quando estão no pico deles e se estressam com qualquer um que tente tomar o pico e pegar as melhores ondas”. Uma pessoa quase me bateu na semana passada por causa da menor onda que rolou”, revela o surfista.

 

Na última segunda-feira, o porta-voz do Burleigh Board Riders Club desmentiu uma possível rixa entre as duas culturas de surf e disse que nunca soube nada sobre um grafite no estacionamento de Burleigh Heads.

Fontes: Agência Globo e Gold Coast Bulletin

Colaborou Pedro Sakai

 

 

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