Especulação imobiliária

Cliff maculado em Bali

Estive em Bali pela primeira vez em 2002 e me apaixonei pelo lugar por razões óbvias: ondas perfeitas, calor, paisagens exuberantes e população simpática. 

 

Na península do Bukit, região onde encontram-se algumas das ondas mais cobiçadas do mundo como Padang e Uluwatu, as praias são cercadas por cliffs espetaculares (cliff é um morro com um paredão de pedras que desce até a praia).

 

Eles desenham a costa e ajudam a criar as condições geográficas necessárias para as bancadas funcionarem com tamanho e perfeição.

 

Enfim, venho à Bali há quase dez anos, mas nos últimos dez dias fiquei impressionado com o que vi. A quantidade de construções na beira dos cliffs é absurda. Resorts de luxo e casas particulares, que mais parecem palácios, estão destruindo o meio ambiente da região e acabando com as belas paisagens.

 

Por exemplo, a visão que temos hoje em dia do outside é cruel. Monstros de concreto crescem onde antes existiam árvores, flores e animais. E não são duas ou três construções, são dezenas! 

 

Certo dia decidi levar minha família, que sempre me acompanha nas férias, para assistir ao belíssimo por do sol de Padang. Antigamente, a gente saía do Padang-Padang Inn a pé, entrava em um terreno baldio ao lado do pequeno hotel e seguia por uma trilha que acabava na beira do penhasco. 

 

Mas para a minha desagradável surpresa, o terreno não é mais baldio, a trilha não existe mais e o lugar onde sentávamos para ver a paisagem transformou-se em um enorme canteiro de obras.

 

Fiquei muito triste e ao mesmo tempo indignado. Transformar um pico irado em um terreno cheio de máquinas, com buracos gigantescos e estruturas de cimento é absurdo.

 

Voltei ali para fazer uma foto com minha mulher Camila e minha filha Marina –  como havia feito em 2006 – e foi impossível capturar a imagem do mesmo ponto.

 

É difícil entender como os seres humanos deixam a avareza e a ganância serem mais fortes que o sentimento de preservação da nossa própria espécie e do planeta em que vivemos.

 

Espero que o querido e receptivo povo de Bali comece a se revoltar contra essa enorme covardia e sei que já existem organizações na região lutando contra o crescimento desordenado e a especulação imobiliária. 

 

A nós haoles, resta alertar o mundo e os próprios balineses de como isso será prejudicial à terra deles. Um dia quem sabe, as próximas gerações voltaram ao point para curtir um pôr-do-sol alucinante. 

 

Fiquei tão indignado que resolvi fazer umas fotos, escrever um texto e expressar meu sentimento de tristeza.

 

Pedro Felizardo também é videomaker e seus vídeos podem ser vistos no canal do fotógrafo no Vimeo

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