Tim Nunn

Clics fora do padrão

Qual é a sensação de pegar ondas em lugares desconhecidos? E se este lugar tiver água gelada, vulcões em erupção e ursos pardos esperando na areia depois da sessão? Acredite, tem caras que passaram por estas aventuras.


Entre eles, o fotógrafo Tim Nunn. O britânico percorreu os lugares mais gelados do hemisfério Norte em busca de ondas quase nunca surfadas ou desconhecidas.


Percorrendo a Islândia, Canadá, Noruega e outros locais com muito frio e belezas inacreditáveis, Tim Nunn e seus amigos Ian Battrick e Timmy Turner viveram um Endless Winter. 

 

Para contar estas histórias, Nunn lançou o livro Numb: A Cold Water Surfing Book. O trabalho relata por meio de fotografias e histórias a aventura de seis anos em lugares inóspitos para o surf.


Fotógrafo e autor do blog Lente Salina, Myron Paterson bateu um papo com Tim Nunn sobre sua vida e o recente lançamento do livro (Redação Waves).


Conte-nos um pouco da sua história. Quem é o Tim Nunn? Qual a sua origem?

 

Eu sou de um lugar chamado Ipswich, costa Leste da Inglaterra, um pequeno porto no Mar do Norte com uma grande equipe de futebol. Sempre estive envolvido com o mar. Posso dizer que a água sempre esteve presente na minha família e nunca perdi este contato.

 

Em seu blog você relata que trabalha há 19 anos na produção de imagens para o surf e outros esportes de aventura, inicialmente como videomaker. O que te levou a se dedicar à fotografia de surf ao longo desta experiência profissional?   

 

Iniciei minha carreira profissional em uma universidade no País de Gales, num local conhecido como Aberystwyth. Lá conheci um cara chamado Roger Sharp, que também é fotógrafo de surf. Ambos tivemos uma paixão compartilhada pelo esporte e depois da universidade resolvemos pegar a estrada juntos com a companhia das nossas câmeras. Ele fez os “stills” e eu filmei. Acabei contribuindo para cerca de 14 filmes.

 

Quando voltei para a Inglaterra, trabalhei com uma revista chamada Surf Way. Durante este período, mudei da filmagem para fotografia. Posteriormente, fui fotógrafo em outra revista de surf. Além de tirar fotos, também fui editor. Desta maneira fiz a minha vida em torno da fotografia de surf e aventura. 

 

Com a sua experiência em relação ao surf no Reino Unido, o que você pode contar sobre o desenvolvimento do esporte nesta região? Como a população enxerga o esporte nas ilhas britânicas?

 

O surf existe em torno do Reino Unido há um longo tempo. Porém, cresceu maciçamente nos anos 60, em grande parte devido à chegada de salva-vidas australianos e sul-africanos, que criaram uma rica cultura do surf por aqui. Além disso, a tecnologia wetsuit fez o surf crescer nesta parte do mundo e agora existem grandes comunidades pela região, até mesmo no extremo Norte do Reino Unido. Estas razões tornaram o surf bastante conhecido nas ilhas britânicas.

 

Como é ser fotógrafo de surf nesta parte do mundo?

 

Você não pode somente viver da fotografia de surf. Eu tenho que trabalhar com outros segmentos e escrevo sobre outras coisas. Além disso, faço o trabalho comercial. Entretanto, é fácil conseguir lugares no Reino Unido para fotografar.  

 

Em Londres, você pode estar em um avião para qualquer lugar do mundo. E não é muito caro perseguir um swell a partir daqui, é mais fácil do que você imagina. Também temos uma quantidade diversa de ondas na Europa. Realmente, é um lugar incrível para ser um fotógrafo de surf, pois há lugares para fotografar da Noruega à Portugal.

 

Seu livro realmente é uma produção singular na área do surf. Onde e como surgiu a ideia de produzir este material?

 

Bem, meu amigo Ian Battrick e eu viajamos juntos desde que nos conhecemos no final dos anos 90 no Hawaii. Nós dois amamos aventuras e queríamos fugir das multidões. Por isso, depois de ter feito todas as viagens comuns como Indonésia e Austrália, decidimos explorar o Norte do mundo. Primeiro, fomos para a Escócia, em seguida Islândia e Noruega. Então, o californiano Timmy Turner, juntou-se às nossas viagens e nos apresentou aos moradores de Vancouver Island, Canadá. Isso abriu um litoral incrível de um deserto real. Era como entrar em um outro mundo.

 

Acabamos fazendo muitas viagens para estes lugares e a quantidade de fotografias e histórias que tínhamos construído excedeu em muito o que poderíamos usar nas evistas. Eu sempre quis fazer um livro de fotos realmente de alta qualidade, mas levou um certo tempo para realizar esse desejo. Contudo, no final, eu somente queria fazer algo um pouco mais especial, que pudesse inspirar outras pessoas a explorar o mundo, mesmo que fosse apenas para um acampamento de fim de semana.


Passar seis anos fotografando nos lugares mais inóspitos para pratica do surf deve ter momentos incríveis. O que você tem para contar?

 

Houve momentos incríveis ao longo do caminho. Estávamos na Islândia durante uma grande erupção vulcânica. No Canadá, houve momentos que não podíamos sair da água por causa de ursos na praia, o que era uma ocorrência diária. Tivemos que lidar com tempestades que tinham força de um furacão, cavar a nossa fuga de nevascas, lidar com temperaturas abaixo de zero, entre outras aventuras. O pacote é duro, mas você é recompensado com ondas incríveis e aventuras em áreas remotas do planeta. 

 

Dos lugares pelo qual você passou, qual o que mais impressionou em termos de beleza das ondas, paisagens e cultura local? 

 

Todos eles têm as suas próprias características especiais, mas a Islândia está em outro nível. É um lugar selvagem, praticamente intocado pelo homem e possui uma natureza como nenhum outro lugar. As ondas lá em cima são passageiras, mas quando surgem também há momentos divertidos. 

 

Qual a sua impressão em relação ao Brasil? 

 

O Brasil tem um lugar especial no meu coração. Eu tinha 12 nos e meus pais gostavam de viajar. Fomos para o Brasil por três semanas e passamos duas semanas no Rio. Foi o primeiro lugar onde eu realmente não vi ninguém surfando ondas boas, tanto em Ipanema quanto no Leblon. Foi também o primeiro lugar que peguei uma onda apenas no bodysurfing, mas eu ainda me lembro até hoje! Uma pequena onda no shore break de Ipanema que me colocou no caminho onde estou agora.

 

Eu amei o país, as pessoas eram tão hospitaleiras que deixou uma impressão duradoura sobre mim. Eu só espero que haja um campeão mundial brasileiro em breve!

 

Myron Paterson Neto é estudante da Geografia da Universidade Federal da Bahia. Fotógrafo amador e surfista local de Salvador, idealizou o blog Lente Salina com entrevistas e vários materiais sobre a fotografia de surf. Cliquei aqui para acessar o Facebook do blog.

 

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