Claudia Gonçalves embarca em trip de sonho

A paulista Cláudia Gonçalves tem jeito de menina moleca, mas acima de tudo é uma mulher corajosa, linda, meiga, simpática e sabe muito bem o que quer.

 

A surfista, uma das maiores promessas do surf feminino, embarcou essa semana para uma viagem alucinante, na companhia de Jean da Silva e Adriano Mineirinho.

 

O destino: Ilhas Maldivas, no Oceano Índico.

Claudinha é a única menina nessa expedição de 15 dias, que vai estampar as páginas da  Revista Fluir.

 

Mas, antes de pegar o vôo, em Guarulhos (SP), ela conversou com Waves Girls Only, em sua rápida passagem por São Paulo.

 

Hoje, com 18 anos, mais madura e determinada, ela diz que está numa fase de muitas mudanças na vida. Essas mudanças acompanham Claudinha desde quando ela nasceu, em São Paulo. Nos primeiros anos de vida, morou no Guarujá. Quatro anos depois, foi de férias com a família para Maceió e todos ficaram por lá, na praia do Francês.

 

Não voltaram nem para pegar as coisas, que cruzaram o país num caminhão de mudança. Ela diz que foi uma infância maravilhosa, num lugar espetacular. Sapeca, subia em coqueiro, tirava manga do pé e pulava cerca.

 

E foi nesse paraíso que ela aprendeu a surfar com a ajuda do pai e do irmão. Aos 14 anos, Claudinha foi, de férias, visitar a avó no Guarujá, e lá ficou. “Sentia falta da mãe, do irmão e pai. Foi a época mais difícil da minha vida, no auge da adolescência. Tive que me virar sozinha com muitas dúvidas, longe dos pais?. Dois anos depois, ela já estava em Florianópolis, morando na praia da Joaquina e arrastando o sotaque catarinense.

 

Não é à toa que essa menina cheia de energia conquistou tantas vitórias em pouco tempo. Em 2000, foi campeã do Circuito Colegial, campeã Guarujaense e paulista.

 

Em 2001, venceu o Brasileiro Amador.  Já 2002 foi uma fase de adaptação. Agora, em 2003, depois de duas etapas, Claudinha ocupa a oitava colocação no ranking brasileiro Profissional.

 

Ela define essa maré de bons resultados com uma frase: “Só acredito mesmo nas coisas, quando elas começam a acontecer.”

  

Quando você se apaixonou pelo surf?

O surf entrou na minha vida de uma forma espontânea. Fui incentivada pelo meu pai e meu irmão que pegam onda. Eu era pequena, nem sabia subir na prancha. A primeira vez que desci uma onda, corri a parede e os dois remaram do meu lado e gritaram “que massa!”. Foi um dos momentos mais incríveis. Aos 12 anos, ganhei do meu pai uma prancha e comecei a me dedicar.

 

Você já pensava em competir?

Tudo aconteceu sem querer. Não viajei para o Guarujá para correr um campeonato. Fui para visitar minha avó e, por acaso, participei de um e me dei bem. No segundo campeonato, já descolei patrocínio. Nunca procurei. As coisas aconteceram por acaso. Nem pensava em competir, imagina descolar patrocínio…

 

Você acha que esse era seu destino?

Sem dúvida. Foi o campeonato no Guarujá. Na outra semana, em Ubatuba. Meu pai me levou, competi e fiquei em segundo lugar. No último, já estava disputando o título brasileiro e não sabia, com meninas que eu via nas revistas, como a Taís (de Almeida), Suelen (Naraísa) e a Juliana (Guimarães). Quando eu ia imaginar que num campeonato da Surf Trip, uma moça me daria um patrocínio?! Não foi uma coisa que fui atrás.

 

Você se considera uma menina de sorte?

Com certeza. Tenho muita raça e vontade de que as coisas aconteçam. A maioria das coisas que já conquistei, até hoje, foi por querer muito. Pensei em correr o Brasileiro Amador. Foi a minha meta, fiz as finais, em todas as seis etapas, e fui campeã no primeiro ano. No outro, corri o Amador e o Super Trials, e entrei para o SuperSurf. Consegui o que queria.

  

 O que você disputa hoje?

Desde os 16 anos sou Profissional. Então, só posso disputar o Super Trials e o SuperSurf.

 

Como os teus pais encaram o surf na tua vida?

Meu pai e meu irmão são surfistas. Meu pai é piloto de avião, supermaluco. O meu irmão não compete, mas é o meu maior incentivador, meu maior orgulho. Minha mãe morre de vontade, já tentou várias vezes. Ela é super amarradona. Me dá muita sorte. Sempre acontece uma coisa boa quando ela vai para algum campeonato. Nenhum passou em branco. No próximo campeonato, em Ubatuba, ela vai junto comigo.

 

Atualmente, ela é tua melhor amiga?

Sim. Desde quando eu era bem pequena, conversamos bastante. Nosso relacionamento é aberto e ela me dá muitos conselhos. Às vezes, quero perguntar alguma coisa para uma amiga, mas ela acaba sendo inexperiente como eu e não vai me responder. Não tem a mesma bagagem que a minha mãe. Ela é muito mais minha amiga, do que minha mãe. Todo mundo fica impressionado com a gente. Falamos gírias, ela usa minhas roupas e é parecida comigo. Ela é super do surf e se dá bem com minhas amigas, meus amigos e meu namorado.

 

 

A tua família é determinante no teu sucesso?

Com certeza. Surfo com o meu irmão todos os dias, ele está sempre me acompanhando. Ele vê o meu treino e diz o que tenho que melhorar. Sou um ano e meio mais nova do que ele, mas ele é bem mais experiente do que eu em várias coisas.

 

O Estado de Santa Catarina e, principalmente, Florianópolis são conhecidos pelo localismo.  Como foi o teu contato com os locais?

Quando cheguei, pela primeira vez, estava de férias na casa de uma amiga. Ela até tinha comentado que lá não era como em outros lugares, que a gente não se sente muito à vontade no mar. Nos primeiros dias não atrapalhei ninguém, peguei minhas ondinhas.

 

 Você  é de São Paulo e mulher, já enfrentou alguma situação complicada dentro d?água em Floripa?

Só uma vez, quase saí da água chorando. Foi na praia Mole. O mar estava grande e tinha pouca gente na água. Estava rolando onda no Costão, bem no canto da pedra. Olhei várias vezes, não ví o cara na onda. Ele veio atrás da espuma. E, de repente,  surgiu e eu já estava na onda dele, sem querer. O cara caiu e eu continuei. Quando voltei para o fundo, o cara estava me esperando. Ele era até um pouco mais coroa. Começou a gritar muito comigo, me esculachou, me xingou dizendo coisas horríveis. Tentei pedir desculpas, mas ele me xingou ainda mais.

 

Por ser mais velho do que você, ele deveria ter te respeitado. Mas, pelo menos, ele surfava bem?

(Ela dá uma risada sarcástica) O pior é que não. O jeito que falava comigo, parecia que estava falando com um moleque, e não com uma menina.

 

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Chegou a pensar que ele pudesse te bater?

Eu acho que ele não faria isso, mas ele me xingou muito. Deu vontade de chorar.

Esse lance do localismo irrita porque esses caras nunca têm oportunidade de sair dali, não vão pra praia de ninguém. Eles não sentem na pele esse problema, de uma pessoa que vem de fora e tem que se adaptar com mudanças de clima e hábitos do local. Para mim, a praia é o meu local de trabalho e o lugar em que eu mais gosto de estar. Se, você chega na praia, é xingada e desrespeitada, você se sente muito mal.

  

Você acha que falta sensibilidade no surf?

As pessoas têm que se respeitar mais, porque um dia você vai estar na praia de outra pessoa.  E se brigar, por um motivo bobo, você vai estar marcado. Essa não é a essência do surf. Surf é confraternização, fazer amizades e não ficar brigando.

 

Você acha que a mulher sofre discriminação no surf?

Acho que não. Não peguei essa fase. Acho que se isso aconteceu, já passou faz tempo. Muita menina pegando onda bem. E os caras gostam, principalmente, se a menina for bonitinha, eles chegam para conversar.

 

Então, a beleza ajuda no surf?

Com certeza sim. Não ajuda a ganhar campeonato, mas em ter um patrocínio legal e conhecer pessoas. Acredito que pela aparência, as pessoas se aproximam de você.

 

 

Você acha que a aparência vende? É um ponto a favor para se conseguir um bom patrocínio?

Hoje em dia, os patrocinadores procuram uma excelente atleta, com resultados. É que a mulher compra muito mais e o surfwear feminino vem crescendo a cada ano. Uma marca quer vender a imagem de uma atleta saudável, bonita, que passa imagem boa para as pessoas. A imagem para o atleta é tudo. Em vez de pegar uma modelo, pegam uma atleta. No meu caso, eles aproveitam muito.

 

Você gosta de ter a sua imagem explorada?

É superlegal. Fico meio sem graça quando faço fotos. Você fica reconhecida por várias coisas. O surf é um esporte muito masculino. Já ouvi vários comentários do tipo ?isso é coisa de mulher macho?. E explorando a imagem de uma menina superfeminina, acho que essa tese é quebrada.

 

 Por ser superfeminina, você contraria esse estigma de que o surf é coisa de ?mulher- macho?. Você acha que as outras atletas são ainda muito masculinizadas?

É difícil isso. Pelo menos no surf feminino profissional, as meninas se vestem que nem homem, falam que nem homem. Acho que não é de propósito. Quero surfar que nem homem, mas fora d?água, a menina tem que ser feminina, tem que se cuidar.

 

Quais são os cuidados que você tem para se manter bonita?

Meu cabelo é o que mais cuido. Ele é fino e louro, daí já viu. Fico o dia inteiro no mar e faço natação e isso estraga muito o cabelo. Compro vários cremes, mudo de xampu toda a semana para não acostumar o cabelo. Gosto de usar esses cremes sem enxágüe. Procuro sempre estar cortando as pontas e faço hidratação em casa com creme de 30 minutos. Além de cuidar da pele passando muito protetor solar.

 

Um assunto delicado. Você está namorando?

Sim. (ela fica envergonhada) Ele corre o Super Surf. O nome dele é Leandro Moulin. É do Espírito Santo, mas mora em Floripa.

 

 Ele não ficou com ciúmes de deixar você ir sozinha com uma equipe só de meninos para Maldivas?

Não. Pelo fato dele competir, saber a emoção que é receber uma notícia de que você vai para um lugar, pegar altas ondas, ele sabe que sou fissurada. Ele sabe que vou pra lá só por causa das ondas e que estou muito feliz. Ele me dá a maior força. Se fosse para ter ciúmes assim, não daria para ele namorar comigo. Porque tenho muitos amigos e sou muito comunicativa.

 

Você é muito bonita, alegre e alto astral. Os meninos quando te vêem devem ficar loucos. Você é muito assediada?

Quando não namorava, parecia mais. É que sou muito extrovertida, falo com todo mundo eu gosto de fazer amizades e os meninos …

  

Os meninos confundem amizade com algo mais?

É, menino você sabe, não pode dar um sorriso, um abraço que eles acham que você tá dando mole. E no surf sempre tem cantada, essas coisas.

 

Como você consegue lidar com isso?

Eu tiro na brincadeira.

 

E rola muita paquera?

Muita. Quando era menor me envolvi com uns meninos. Quando rola um clima, você está afim de uma pessoa, viaja sempre para os campeonatos e vê a pessoa, tudo bem. Já rolou de um ficar com meninos do circuito. Hoje em dia estou supertranqüila, de namorado.

 

Qual foi a maior roubada da tua vida?

Eu tinha 15 anos fui para o Rio de Janeiro disputar uma competição. Pequei o ônibus, no Guarujá, e fui sozinha. Cheguei na rodoviária do Rio umas 4:30 da madrugada. Esperei no ponto de ônibus com mochila e prancha. Peguei um ônibus pra Barra da Tijuca às cinco e meia. Só que estava indo para a praia da Macumba e tive que descer no terminal da Barra. Um rapaz me falou para pegar um ônibus não sei onde. Fiquei branca. Andei para caramba, com as coisas pesadas. Bom, peguei ônibus certo, mas foi a maior dificuldade. Depois de muito tempo, perguntei para a cobradora se o ônibus ia para a Macumba. Ela disse que não. Eu estava indo na direção oposta, para o final da linha. Cheguei numa favela, um lugar horrível e cheio de maloqueiros. Entrei em desespero. No final, consegui pegar o ônibus certo. Mas passei a maior adrenalina.

 

Você não ficou com medo de estar sozinha numa cidade tão violenta?

Fiquei. Mas procurei me tranqüilizar, porque se ficasse pensando nisso, não iria me mover.

 

E teu pai, sabia que você tinha embarcado nessa roubada?

Meu pai nem sabia, estava na casa da minha avó. E ela disse: ?vai tranqüila, quando chegar me liga?. Todo mundo já sabia, menos o meu pai.

 

Como estão as expectativas para essa viagem à Maldivas?

Acho que não vou conseguir nem dormir até chegar lá. Vou ficar pensando se faltou alguma coisa na mala. É bom que vou com o Heitor e o Mineirinho. O Heitor estudava comigo no Guarujá. Nossos pais são superamigos e nos damos superbem.

 

Os dois meninos são novos talentos, como você. Por eles serem mais novos, isso pode ajudar na viagem?

Ajuda, porque somos da mesma fase, mesma época. O que está acontecendo comigo, está com eles também. Sempre convivi com pessoas mais velhas do que eu. Mas me dou bem com todo mundo.

 

Por que você foi escolhida para esta viagem, a única mulher na trip?

A idéia surgiu no último SuperSurf, em Torres. O meu empresário falou que os meninos estavam indo pra Maldivas e eles me convidaram. Já trataram com a revista Fluir para fazer a reportagem e aconteceu.

 

Quantas pranchas está levando?

Quatro. 5?10, 6?0, 6?3  e 6?5. Espero que tenha umas ondas grandes.

 

O que você pensa encontrar por lá?

Penso em encontrar um lugar maravilhoso e conhecer a cultura do povo. Tenho muita vontade de fazer aquelas viagens que a galera vai pra Mentawai e fica num barco. Meu sonho é isso. Se rolar da gente ficar num barco, seria muito legal.

 

Quem são teus ídolos?

Eu me espelho no surf masculino. Quero ser tão radical quanto aos meninos dentro d?água e feminina fora. Fazer manobras mais modernas. Por isso eu gosto do surf do Danilo Costa. Eu o admiro, desde pequenininha, quando ele ficava na pousada da minha mãe, lá na praia do Francês. Gosto dele como pessoa e como surfista. Para mim ele é o melhor. Quanto às mulheres, admiro muito Jacqueline Silva. Nunca tive muito contato, mas ela é supercalma, tranqüila e tem humildade. Pra mim ela vai ser campeã mundial. Se Deus quiser.

 

O que você acha que falta no surf feminino?

Mais união e mais amizade.

 

Por que? Você acha que as meninas não têm um objetivo comum?

Acho que isso até tem. Não sei se é pelo fato de a mulher ser mais competitiva e invejosa. Tem disputa dentro e fora d?água. Uma quer ser melhor que a outra. Eu odeio isso. Dentro d?água, ninguém é amigo, cada um vai defender o seu, até aí tudo bem. Mas, saiu da água, todo mundo tem que ser amigo, porque estamos na mesma batalha, mas isso não acontece de fato. Deveria ter mais união, não só lutar pelo que é seu. Acho que nós meninas temos que lutar para abrir espaço para novas gerações. Tem muita panelinha no surf. Deveríamos lutar todas juntas para o crescimento do surf.

 

Você acha que as mulheres são esquecidas nos campeonatos, porque o surf é um esporte predominantemente masculino?

O surf feminino tem crescido muito e a gente não tem do que reclamar. Não adianta, o masculino é o carro-chefe. São oitenta homens disputando e nós somos 24 mulheres. Por aí você vê que a disputa é muito maior. Acho que têm todo direito de ter uma premiação mais alta. Mas, na mídia, somos ainda muito discriminadas, ou melhor, deixadas de lado.

 

 

Sentiu diferenças ao entrar para o Super Surf?

Depois que comecei a correr o SuperSurf, mudou muita coisa. Não é só surfar bem. As meninas têm muita experiência. Tem essa coisa de bateria mulher contra mulher, com regras bandeira, bóia, prioridade é uma coisa nova, que eu ainda estou me adaptando.

 

A ansiedade atrapalha muito?

Já perdi várias vezes para mim mesma por causa da ansiedade. No começo da bateria quando tinha de estar calma, fico ansiosa. No final, quando deveria ficar ansiosa, eu já estou uma pilha. Fico remando de um lado para o outro e isso não dá certo. Estou fazendo yoga, meditação e trabalhando a respiração para melhorar meu desempenho nas baterias.

 

 Quais são as praias que você mais curte surfar?

Fora a praia do francês, a minha preferida do Brasil, acho que Fernando de Noronha é o paraíso, cenário maravilhoso que tive a oportunidade de ir esse ano. Mas treino sempre na Mole e na Joaquina.

 

Qual a tua manobra preferida?

Tubo.

 

Pensa em surfar em Teahupoo ou Pipeline?

É um desafio. A vida do surfista é assim, superar limites, muita adrenalina e emoção. Gosto de onda maior, mas é uma coisa que pra mim está ainda bem longe.

 

Hoje o surf está em primeiro lugar na tua vida?

Sim. Antes, eu colocava os estudos, mas me decepcionei muito. Sempre fui uma ótima aluna, com boas notas. No ano passado estava fazendo o 3º colegial, mudei de escola quando fui para Florianópolis. As pessoas não entenderam que não sou uma aluna normal. Me esforcei pra caramba e fui reprovada por excesso de falta. A maioria das pessoas que corre o circuito abandona os estudos. É difícil conciliar os dois. Nem foi minha culpa. Mas já voltei a estudar. 

 

Você pretende fazer faculdade?

Ainda tenho dúvidas. Se é nutrição, publicidade e propaganda. Mas acho que seria estilista.

 

Você pretende adaptar o surf à profissão que você escolher?

Claro. Vejo umas coisas na moda surf que precisam de mudanças. Hoje o mercado tem altas roupas, mas sabe quando falta alguma coisa?! Surfwear é tudo muito igual, muito parecido. Se fosse trabalhar nisso, faria de uma forma diferente.

 

E os planos para o futuro?

Estou pretendendo correr WQS no ano que vem, vou fazer de tudo, dar o máximo de mim para entrar no Circuito.

 

Você pensa em viver do surf?

Sim, a minha batalha é essa. Para que um dia eu possa ter um salário legal, uma família, sem precisar de outro trabalho para me manter. Hoje em dia o surf tem muitos recursos.

 

E surfar até quando?

Até ter forças para ficar em pé na prancha. Como a vida do competidor é muito curta, por isso essa é a época de aproveitar bastante. Quero dar o máximo agora, porque depois tudo passa. Se você ficar para trás, acaba ficando para trás. Agora é a minha hora.

 

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