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Clássico do surf

Começa nesta terça-feira o Hang Loose Pro Contest, evento Prime do WQS com nível seis estrelas. Campeonato mais tradicional da América Latina, a competição comemora 25 anos em Fernando de Noronha (PE) distribuindo US$ 250 mil de premiação, 6.500 pontos e US$ 40 mil ao campeão. A gorda premiação atraiu mais atletas e pela primeira vez os estrangeiros superaram o numero de brasileiros na competição (49 a 47).

A maioria vem dos Estados Unidos, treze no total. Depois, tem a Austrália participando com nove surfistas, a África do Sul e o Havaí com seis cada, a França com cinco, a Espanha com três, a Nova Zelândia e Porto Rico com dois e com um representante o Japão, Taiti, Alemanha e Peru. Entre os 43 brasileiros garantidos no evento, sem contar os da triagem, o maior pelotão é de São Paulo com doze atletas, seguido por Santa Catarina com oito e com seis o Rio Janeiro, Ceará e Pernambuco, incluindo os locais de Fernando de Noronha, Caia Souza e Patrick Tamberg.

Histórico – Ex-presidente da ASP e diretor-geral do antigo WQS, o australiano Al Hunt destaca a tradição da prova brasileira, realizada desde 1986 (com a edição clássica na Joaquina, Florianópolis-SC). “O Hang Loose Pro Contest é o segundo campeonato mais tradicional do circuito da ASP (o primeiro é a etapa de Bell’s Beach, Austrália). Mas, entre as provas do WQS é a mais antiga patrocinada por uma única marca. Desde a prova histórica de Florianópolis este evento é um sucesso”, destaca Hunt.

O primeiro Hang Loose Pro Contest ocorreu em 1986 em Florianópolis e colocou o Brasil na rota do circuito mundial. Vencida pelo australiano Dave Macaulay, a competição marcou época e, desde então, traz para o Brasil os principais nomes do esporte mundial. Em sua trajetória, passou pelo Guarujá e Maresias, na região Sudeste, até chegar ao estado de Pernambuco, promovendo duas edições (em Gaibu e Maracaípe). Em 2000, criou raízes no paradisíaco arquipélago, marcando mais uma vez o pioneirismo da Hang Loose ao realizar a competição nas melhores ondas do país.

“Fernando de Noronha é espetacular, não só pelas ondas de extrema qualidade, mas também pelo visual incrivelmente paradisíaco. O evento ter percorrido várias praias do Brasil até chegar à ilha foi uma excelente ferramenta de marketing”, comenta Hunt.

Em Noronha, o Brasil dominou o placar de vitórias, com 7x 3. As exceções foram o sul-africano Warwick Wright (2004), o norte-americano Bobby Martinez (2005) e o espanhol Aritz Aranburu (2007).
Na estréia da competição (15ª edição) nos tubos da Cacimba do Padre, o experiente niteroiense Guilherme Herdy faturou o caneco em ondas de até 2 metros. Ele foi o único surfista que tirou nota 10 em todo o campeonato (na semifinal) e venceu por uma mínima diferença de 0,5 ponto o santista Renato Wanderley. Na soma das quatro melhores ondas surfadas na bateria, Herdy marcou 29,50 pontos e o Renatinho fez 29,45 pontos.

No ano seguinte, a 16a edição da prova colocou as potentes ondas do Abras no mapa das competições mundiais de surfe, pois a forte ondulação fechou a Cacimba e a direção optou por transferir o local do evento. Correndo por fora, o cearense Fábio Silva surfou o único tubo da final e garantiu o bicampeonato no Pro Contest, deixando o baiano Wilson Nora em segundo. Na 17ª edição, a final foi marcada por uma dobradinha brasileira. O cabofriense Victor Ribas e o florianopolitano Guga Arruda fizeram a festa nos tubos com cerca de 2 metros. Depois de quatro anos de jejum, Vitinho, 30, voltou a vencer uma etapa do circuito mundial e assumiu a liderança do World Qualifying Series (WQS) 2002.

Guga Arruda, 28 anos, sacramentou o domínio verde-amarelo ao deixar o australiano Troy Brooks, 22 anos, em terceiro lugar e o francês Mikael Picon, 22, na quarta colocação, entre os 125 surfistas de 10 países. De quebra, o Brasil superou o número de vitórias estrangeiras no campeonato, com dez títulos brasileiros contra nove dos estrangeiros.  Em um final de tarde mágico na Cacimba, o catarinense Neco Padaratz, 26, levou o título do 18o Hang Loose Pro Contest, encerrado debaixo de muito sol e com ondas tubulares de mais de 2 metros. Neco recebeu nota 10 unânime dos juízes num tubo sensacional quando restavam três minutos para o fim. Com uma nota 8,33 em outro tubo, ele superou por apenas 0,03 ponto o norte-americano Bobby Martinez, que totalizou 18,30 pontos (notas 9,57 e 8,73). A vitória teve um sabor especial para o atleta, que ficou parado durante quatro meses em 2002 recuperando-se de uma hérnia de disco.

O sul-africano Warwick Wright, 19 anos, estragou a festa brasileira na decisão do Hang Loose Pro Contest 2004, encerrado em ótimas ondas na Cacimba. Wright disputou a final contra três brasileiros e a expectativa na areia apontava para uma vitória canarinho, já que o país contava com três integrantes na decisão: o potiguar Marcelo Nunes, o alagoano Marcondes Rocha e o carioca Daniel Hardman. Até os minutos finais, o título estava nas mãos de Nunes. Entretanto, o sul-africano descolou um bom tudo e assegurou o highscore do evento, 9.67, quebrando a hegemonia brasileira em Noronha e deixando Nunes na segunda posição, o carioca Daniel Hardman em terceiro e o alagoano Marcondes Rocha em quarto.

No ano seguinte, foi a vez de o californiano Bobby Martinez conquistar de forma impressionante o título do Pro Contest 2005, em tubos incríveis na Cacimba. O cearense Dunga Neto ficou com o segundo lugar depois de uma seqüência de vitórias. Para dar uma idéia do nível de surf apresentado por Martinez, vice-campeão do evento em 2003, ele somou 19.80 pontos – de 20 possíveis-, descartando ainda uma nota 9.5 obtida em um tubo sensacional – contra 12.50 de Dunga Neto.

A vitória foi garantida no último minuto, quando surfou um belo tubo que recebeu nota 9,27. Ainda assim, o placar foi apertado – 17,94 x 16,63. Um dos preferidos do público, o pernambucano Bernardo Pigmeu teve uma performance excelente, perdendo a classificação nos instantes finais no confronto com Dunga Neto. Nas quartas-de-final ele venceu o ídolo Fábio Gouveia em uma disputa emocionante (e 100% Hang Loose).

O catarinense Jean da Silva, 21, quebrou um jejum de dois anos sem vitórias brasileiras no Hang Loose Pro Contest ao vencer a 20ª edição na Cacimba do Padre. Na decisão, Jean derrotou o norte-americano Gabe Kling com facilidade e conquistou sua primeira vitória no circuito mundial, totalizando 13.00 pontos, contra apenas 6.40 do adversário.

Na abertura da semifinal, Jean venceu o confronto da nova geração contra o paulista Hizunomê Bettero, que vinha arrepiando as ondas nos dias anteriores, mas não encontrou nada no domingo decisivo. O catarinense saiu na frente com notas 8.00 e 8.67, deixando Hizu em situação bastante complicada. O paulista bem que tentou reagir, mas só conseguiu notas 5.50 e 5.67.
Na outra semifinal, o carioca Daniel Hardman deu mole ao cometer interferência no início da bateria e deixou o caminho livre para Kling. Numa bateria com poucas ondas, o norte-americano descolou notas 4.50 e 4.17, enquanto Hardman obteve apenas 3.33 em sua melhor onda.

Em 2007, o espanhol Aritz Aranburu, 21, fez a festa na 21ª edição do Hang Loose Pro Contest. Ele levou a melhor sobre o carioca Leandro Bastos, 21, pelo placar de 13.67 a 11.50 pontos. Com o resultado, Aranburu assumiu a liderança do ranking do WQS.

Com muito foco e disposição, o carioca Raoni Monteiro, 25, levou a melhor sobre o norte-americano Gabe Kling, 27, na 22ª edição do Hang Loose Pro Contest 2008, começando com o pé direito a caminhada em busca de seu lugar na elite do surf mundial – grupo ao qual pertenceu nos últimos quatro anos.

Monteiro não deu chances ao adversário e dominou a bateria de ponta a ponta, abrindo a disputa com um belo tubo de backside, seguido de duas manobras para conquistar 8.83 pontos. Depois somou nota 6.60 para totalizar 15.43 pontos contra apenas 9.5 (4.33 e 5.17) de Kling, que terminou em combinação em sua pior apresentação durante todo o evento. Para chegar ao topo do pódio, Monteiro passou pelo norte-americano Patrick Gudauskas, líder do ranking WQS nas oitavas; pelo baiano Wilson Nora nas quartas e por Jonathan Gonzalez, das Ilhas Canárias, na semifinal. Pela segunda vez, Kling foi vice-campeão do Hang Loose Pro Contest (a primeira foi em 2006).

Em sua estréia na ilha, o norte-americano CJ Hobgood teve uma performance arrasadora para garantir o título do 11º Hang Loose Pro Contest. “Estou muito feliz com este resultado e por ter conhecido este lugar maravilhoso, com altas ondas. Esta vitória coroa a semana maravilhosa que tive, surfando com meus amigos neste paraíso”, disse CJ.
Chegando à terceira final consecutiva no Pro Contest (foi campeão em 2008 e vice em 2009), Monteiro obteve 9.43 em suas duas melhores ondas.

CJ deu show em todas as baterias que disputou. Ele despachou o catarinense Willian Cardoso por 17.17 a 12.34; bateu o carioca Gustavo Fernandes pelo placar de 16.10 a 10.16 e superou o catarinense Alejo Muniz por 16.43 a 11.60 na semifinal.  Já Raoni teve o duelo mais acirrado nas quartas-de-final, quando passou por Hizunomê Bettero num confronto que terminou com o placar de 14.67 a 14.47 pontos. Na semi, eliminou o paulista Wiggolly Dantas por 13.00 a 9.50. Numa bateria fraca de ondas, derrotou o cearense Márcio Farney nas oitavas.

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.