Na década de 70, Gerry Lopez foi imortalizado como ícone do surf pela maneira inovadora de surfar Pileline com drops insanos e tubos profundos.
Foi uma evolução enorme para o que até então era chamado de surf clássico praticado em pranchões.
Como vídeo-repórter e fotógrafo, tenho a oportunidade de estar em lugares onde a história acontece.
Às vezes ela é contada nas diversas entrevistas que já fiz com ídolos do esporte.
Recentemente presenciei grandes nomes do surf brasileiro falarem a respeito da evolução do surf e defenderem posições em relação a estas mudanças.
Uns diziam que o surf de linha é o verdadeiro surf e que o resto são truques para impressionar. Os da nova geração acham que as manobras inovadoras são de alto risco e muito difíceis de executar, mostrando que a relação entre surfista e prancha atingiu novos patamares, exigindo maior habilidade do surfista.
O surf, que deu origem a vários outros esportes, como o skate, hoje recebe influência direta dele e de outros. Na metamorfose ambulante que é a minha cabeça, achei que faltava uma opinião que agregasse ambas as posturas de surfar e definisse a verdadeira evolução.
Para seguir adiante, é preciso ter uma boa estrada pavimentada, a partir daí qualquer movimento para frente é evolução. Por isso, é tão importante que o surf clássico seja algo solidificado, para que facilmente possamos avançar com base no que já foi feito e comprovadamente deu certo por tantos anos.
Aos mais novos recomendo respeito a esta história. Aos saudosistas sugiro que abram a cabeça para ver o que a nova geração tem a mostrar. No último WQS em Fernando de Noronha, vi o Miguel Pupo, da novíssima geração, sair da bateria com a melhor onda e a melhor soma do evento até aquele momento e dizer:
?Bem, o tubo é a manobra que vale mais pontos neste tipo de onda, então ao sair dele completei a onda com um aéreo. Acho que essa combinação foi a razão pela qual os juízes me pontuarem tão bem?.
Pois é, nada como ter a própria história dentro de casa. Parabéns Wagner Pupo, seu filho fez a lição de casa direitinho. Falando sob a ótica de fotógrafo, ele executou as duas manobras que mais gosto de clicar, o tubo e o aéreo.
O surfista que não se adaptar aos novos tempos e o que não souber executar um surf de linha ficará restrito a um tipo de onda. Aquele garoto que só fica dando pulinho quando chegar em Mentawaii ou no Hawaii não saberá o que fazer em ondas com aquela extensão e magnitude, onde o surf de linha é uma exigência.
Assim como aquele competidor que não sabe dar um aéreo ficará dando batidas em ondas de meio metro em competições pelo Brasil ou no verão europeu.
Hoje Kelly Slater provou que com a cabeça aberta, treino, criatividade e respeito àqueles que fizeram história, é possível ser completo.
Esse é o caminho para o futuro. Futuro que é feito por quem olha pra frente sem esquecer o passado. ?Prefiro ser uma metamorfose ambulante a ter aquela velha opinião formada sobre tudo? (Raul Seixas).