
No ano passado fiz minha primeira expedição de carro com jet-ski até o Peru para surfar Pico Alto, considerada a maior onda da América do Sul.
Em abril deste ano repeti a dose, dessa vez com alguns patrocinadores ajudando.
No regresso ao Brasil meu amigo João Capilé ficou impressionado com as imagens que eu trouxe e resolvemos ir treinar tow-in na região norte do Chile.
Mesmo sem patrocínio, por amor ao surf, nos endividamos e resolvemos sair em setembro.

Integraram a expedição o surfista profissional Ricardo Azevedo, o free surfer Ricardo Oliveira e a repórter e cinegrafista Cris Muller, que apresenta o programa de esportes radicais Intransit.
Com duas caminhonetes e dois jet-skis, rumamos para Passo de Jama, um dos lugares mais inóspitos e perigosos dos Andes, a 4.500 metros de altitude na Argentina e 5.200 metros já no Chile. Depois de três dias de viagem sem parar, chegamos ao nosso destino, o Pacífico.
Logo de cara fizemos tow-in em uma esquerda nunca antes surfada no meio do deserto, entramos com ondas de 6 pés perfeitas e depois de duas horas saímos da água, já escurecendo, com ondas de 8 pés plus.
Nossa primeira parada foi em Iquique, famosa cidade do norte do Chile que possui inúmeros picos. Para nossa sorte demos de cara com El Colegio com 8 a 10 pés perfeitos e sem ninguém. Com a chegada de surfistas de remada saímos e nos preparamos para surfar a esquerda de El Barro, que de longe parecia estar bom.
De perto estava maior do que imaginávamos, e nos deparamos com ondas de 12 a 15 pés tubulares, sem dúvida foi o maior mar da viagem.
No outro dia eu e João Capilé tivemos o privilégio de fazer tow-in em uma das melhores ondas do Chile na minha opinião: Intendência. Foram incontáveis tubos e um show de rasgadas e batidas numa onda extremamente power e perigosa.
Este primeiro swell foi abaixando gradativamente e resolvemos nos dirigir para nosso destino final: Arica, El Buey e El Gringo, três das mais fortes e tubulares ondas do Chile.
Ondas de 12 pés chegaram e o show de surf rolou durante seis dias, com Ricardo Azevedo impressionando nos tubos de El Gringo. Na primeira caída dele, as cinco primeiras ondas foram tubos simplesmente animais de 6 a 8 pés plus. O restante da galera surfou El Buey com 8 a 10 pés no primeiro dia, 10 a 12 pés no segundo e depois três dias de 8 a 10 pés perfeitos.
O cardápio foi servido com rasgadas, batidas e até tubos em ondas de 8 a 12 pés tanto em El Buey como em El Gringo. Mas àquela altura o dinheiro já estava acabando e a festa acabou.
Vale ressaltar a atitude do amigo Flávio Caporalli, que veio do Peru e se juntou a nós em Arica, a hospitalidade de Palomo, surfista local, o power surf de Capilé, o surf preciso de Ricardo Azevedo, a insanidade de Ricardo Oliveira, que pegou a maior onda da viagem, e a destreza da repórter Cris Müller, que viajou por 15 dias com quatro surfistas malucos.
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