
Na semana da última etapa do Circuito Carioca amador, me veio o convite para ir aos EUA para trabalhar em algumas etapas dos Circuitos Americanos de Surf e Bodyboard, aqui, encontrei o Bruno Calheiros head judge do Super Tour (divisão de elite do bodyboard), e o Midget Smith, que é uma lenda viva no julgamento mundial.
Ele é, simplesmente, o head judge do Circuito Mundial de Longboard e faz parte do quadro técnico da ASP (Associação de Surf profissional), há muitos anos. Além de ser uma pessoa de caráter inigualável e um grande amigo. Ainda se juntarão a nós, no quadro de juízes do cameponato de Pipeline, o coordenador de juízes da IBA, o australiano Craig Hadden e o havaiano Corey, que é o responsável pelo circuito Havaiano.

Esse quadro, é um dos melhores formados nos últimos anos. Tudo isso, para uma etapa que decidirá um dos mais disputados circuitos mundiais. Pois além das poucas etapas, commuita adrenalina e tensão. Em Pipeline o bicho pega. Um quadro experiente é fundamental para uma decisao dessas.
Damien King, Guilherme Tâmega e Jeff Hubbard. Três nomes que vão fazer a ilha tremer, na janela de espera, do campeonato mais esperado do ano.
Os três estao treinando forte, e com certeza, o título vai ficar em boas mãos. Quem conhece e vê os tops, surfando em ondas de verdade sabe disso. E ainda tem a fileira de “monstros ” e loucos, que vão fazer o espetáculo. Os australianos, que sempre se alucinam em qualquer onda, os brasileiros, com a disposição e garra de sempre, e é lógico, os locais e igualmente loucos, Kainoa Mcgee, Naoshi Grady e o sempre favorito Mike Stewart.

Vai ser de arrepiar! E enquanto Pipe não vem, as reuniões pré anual meeting, vão acontecendo, uma unidade nova e outra consciência mundial está sendo formada para o esporte. Teremos uma reunião com os representantes do esporte nas principais regiões do Mundo, onde o futuro será traçado.
Reuniões na Europa, na América Central, na Australasia… E todos se juntarão para solidificar mais o esporte. Estamos trabalhando forte para isso, todos da Diretoria Central da IBA, para que erros antigos não aconteçam mais e todos tenham com uma estrutura melhor.
Diferenças devem ser resolvidas pelo bem comum, em nível mundial. E a boa vontade de todos irá contribuir para isso. Muitos eventos estão agendados para o ano que vem e uma unidade politico/administrativa se fará necessária pra acompanhá-los. As utopias estao sendo contornadas, estamos com o pé mais no chão.

E quando vejo a estrutura financeira de um país de primeiro mundo, concluo que nossas brigas internas são desnecessárias e podem acabar com o que temos de mais valor: a unidade que luta contra as dificuldades.
Aqui não tem dificuldade. O surf e o bodyboard fazem parte do currículo escolar. São uma máquina de campeonatos. E também é assim em outros países de ponta. Estamos
perdendo tempo com discussões que nao levam a nada. Na semana passada, trabalhei em um campeonato da Federação Intercolegial – que é filiada a uma Federação Central, que é filiada a uma Nacional.
Mais de 250 atletas, surf, bodyboard, longboard. Tudo junto, pois era “matéria escolar”. Ondas pequenas, água gelada, chuva… Mas esse circuito foi o que Kelly Slater e Rob Machado competiram quando estavam na escola. Uma estrutura com tendas, muito bem organizado, mostrando uma formação de base fora do normal. E isso, só em uma parte dos EUA. Sem contar o outro lado do país e as outras disputas intercolegiais. Isso é a preparação para o Circuito Open, depois vem o Profissional. Uma estrutura de base, que deveríamos pelo menos tentar fazer igual

O mesmo acontece na Austrália, e dessa maneira, os dois formam os maiores polos de surf do mundo. O Brasil vem em terceiro. Com muita garra, determinação e organização das pessoas responsáveis pela administração no surf no Brasil. Somos um país de terceiro mundo, que tem mais um campeão do WQS – World Qualifying Series, segunda divisão do mundial de surf – Aqui não temos dinheiro, por isso temos que nos organizar e correr atras do que é certo. Não temos também as ondas que eles tem. Não adianta querer tirar leite de pedra. Temos que trabalhar – e bem!! – com o que nós temos.
Esse ano foi um ano de derrotas para o bodyboarding no Brasil, discussoes estéreis, rachas em ideologias, campeonatos e circuitos mais pobres. Um reflexo da contra-mão que tomou conta de todos. É final de ano, temos que fazer reflexões. Eu fiz a minha e confesso que errei em algumas coisas. Mas estamos aí para isso. Eu sempre pensei que tinha atingido tudo que podia no esporte, mas os erros persistem e espero que essa histeria de discussões se acabe logo. Que todos façam as mesmas reflexões que fiz, assumam seus erros e busquem o que temos de melhor.

Cada um na sua crença, pedindo para melhorar em suas falhas. Foi um ano difícil pro país, e em cima das dificuldades, demos uma estagnada no que é mais fundamental para um país como o nosso. Pobre, em desenvolvimento, com uma cultura esportiva querendo amadurecer. E nós, temos um esporte que não representa muita coisa ainda em valores comerciais.
Tudo foi dito, escrachado, ofendido, debatido e mentido. Colunas escritas, comentarios ditos, tudo de ruim pra ser colocado pra fora foi feito. É a hora de cada um se fechar no interior e crescer. Temos tudo de bom. Boas idéias, excelentes atletas, ondas boas, boas associações, federações, sites, bons produtores de vídeo, excelentes juízes, etc. Os ingredientes estão na mesa, é só fazer o bolo sem desandar. Não podemos ter outro ano igual a esse. Só o Guilherme (Tâmega), ganhando título
mundial nao salva o esporte. Acho que já está bom não é, galera?

Vamos trabalhar, cada um fazendo o seu. Ajudando onde acha que está errado e apoiando o que acha certo. Só reclamar não adianta. Eu estou fazendo a minha parte.
Parabéns a todos que fazem o bodyboard acontecer. A CBRASB (Confederação Brasileira de Bodyboard), por manter o circuito vivo, apesar das dificuldades. A FEBBERJ (Federação de Bodyboard do Estado do Rio de Janeiro) pelo melhor Circuito Estadual do país (tanto amador quanto profissional). O Circuito Amador do Rio de Janeiro deveria ser padronizado no resto do país. Foi muito bom fazer parte desse grupo que arrebentou.
A trinca do sul Brasileiro, FPB (Federação Paranaense de Bodyboard), a Fecab (Federação Catarinense de Bodyboard) e a FGB (Federação Gaúcha de Bodyboard), também merece os parabéns. Vocês fizeram um trabalho que vai dar muitos frutos. Ao Nordeste todo, que conseguiu dar uma boa respirada do meio do ano pra cá. A Febbesp (Federação de Bodyboard do Estado de São Paulo), por se manter, apesar das dificuldades. Ao Espírito Santo pelo amadurecimento.

A todos os produtores de vídeo, que fizeram o bodyboard voltar para as telas e ser visto por todos. Cada um gosta do que quer gostar. Aos Masters que fizeram resuurgir uma nostalgia saudável. As Escolinhas, que se multiplicaram no país. A sempre referencia da Escolinha Genesis na Bahia, a do GT e do Leo Teixeira no Rio, a escola da Perola, no Sul e a do Dudu e Giu em Itacoatiara. Fora as outras que estao nascendo e vão continuar formando a base dos atletas no Brasil.
Aos campeões, aos atletas – sempre! Vocês são o show – e a todos que fizeram alguma coisa de bom pelo bodyboard no Brasil. Esqueçam as vaidades, o ego, pois ainda não somos nem o futebol, nem a Formula 1, ou o Tênis. Não podemos nos dar ao luxo de brigar. Acabando meus trabalhos aqui na Califa irei seguir direto para o Hawaii.
Que vença o melhor… Que as diferenças sejam superadas, e a paz atinja nossos corações. Um feliz Natal e um ano novo com muita saúde e paz para todos. Fiquem com Deus.