Felipe Cesarano, 21, é nome certo na lista dos surfistas mais atirados da nova geração brasileira. Nascido no Rio de Janeiro e praticante do esporte desde os 10 anos, o atleta é também conhecido como “Gordo”.
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Cesarano chegou a competir bastante, mas depois que fez a primeira surf trip, ao Peru, decidiu que era aquilo que queria: estar sempre viajando e buscando ondas perfeitas.
Aos poucos, foi conseguindo evoluir em ondas tubulares, e está começando a ser reconhecido por isso. “Sempre me espelhei bastante na carreira do Stephan Figueiredo, e aprendo bastante vendo-o surfar, principalmente em Pipeline. Acho que estou em uma evolução maneira, pois sempre estou viajando e surfando com meus melhores amigos, que, por acaso, são alguns dos melhores surfistas”, diz Gordo.
“Ricardinho dos Santos, Marco Giorgi e Jerônimo Vargas realmente se jogam e isso faz eu querer me jogar também, sem falar no Hugo Bittencourt, Gabriel Pastori e Pedro Scooby, que, mesmo na primeira temporada aqui no Hawaii, já mostraram por que vieram e botaram pra baixo mesmo”, revela o carioca.
O carioca sente vontade de surfar ondas gigantes, mas ainda não se sente completamente preparado. Por isso, procura sempre estar treinando para, num futuro próximo, poder surfar picos como Jaws, Teahupoo gigante e as direitas cabulosas da Austrália e Tasmânia.
“Até lá eu arrumo um parceiro e consigo montar uma dupla de tow-in. Este é o meu objetivo”, confessa Felipe Cesarano. Em entrevista concedida a Bruno Lemos, o surfista carioca comenta as temporadas havaianas e revela os planos para 2008.
Quando você chegou ao Hawaii e quais as suas impressões durante este tempo?
Nesta temporada, cheguei no começo de janeiro, com muita vontade de surfar, fazer um material para meus patrocinadores e tal, mas as condições não estavam ajudando. No primeiro bom swell para Pipeline teve o Backdoor Shootout e quase não dava para surfar, isso deixou todo mundo frustrado. Altas ondas e só os locais na água (risos). Depois deu umas duas semanas de chuva e mar pequeno, eu já estava pensando em ir embora, nunca tinha visto uma temporada tão ruim. Mas Hawaii é Hawaii e uma hora a máquina ligou e não parou mais, um swell atrás do outro, sempre com vento bom e muito sol. Surfei inúmeros Pipelines, uns dois Waimeas não muito grandes, bons Sunsets e uns fins de tarde em Rocky Point surreais de tão perfeito.
Qual o equipamento que trouxe e por que?
Trouxe pranchas para todos os tipos de ondas, desde 5’11 até 7’6, todas elas feitas pelo Pedro Bataglin. Chegando aqui no Hawaii, peguei mais algumas feitas na fábrica do Eric Arakawa (licenciado da Rusty no Hawaii) – uma 7’0 e uma 7’6. Tenho também uma Waimea gun 9’2 feita pelo próprio Rusty Presendofer que veio direto da Califórnia. Todas elas funcionaram muito bem, algumas me apeguei tanto que vou deixar aqui no Hawaii para a próxima temporada.
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O que tem feito para se manter em forma para surfar essas ondas do Hawaii?
Procuro dormir e me alimentar bem, pois, quando dá onda, não tem muito mais o que fazer, né? Depois de um dia inteiro de surf, não vou fazer abdominais, nem pular corda (risos).
Mas, nos dias flat, gosto de dar umas pedaladas, mergulhar e fazer yoga. Inclusive lá pros lados de Kahuku, tem cada visual demais para fazer yoga e poder dar uma relaxada.
Como conseguiu fechar com a Rusty?
Cara, ano passado consegui ter um bom destaque na mídia, e o Sávio (chefe de equipe da Rusty), que já me conhecia há algum tempo, sabe o quanto eu ralo para as coisas acontecerem.
Nada foi fácil pra mim e, como eles estavam afim de botar um free surfer na marca, meu nome foi um dos citados. Quando voltei da Indonésia, chegou um e-mail pra mim com a proposta para entrar na equipe.
Depois de muito tempo sem um patrocinador principal, qual a sensação de fechar com uma das empresas mais fortes do mercado brasileiro?
Quando comecei a ler o e-mail, foi uma das melhores sensações que tive, cara. Naquela hora, senti que o meu esforço estava começando a ser reconhecido, e estou amarradão até agora (risos). Às vezes, olho pro bico da minha prancha e nem acredito que uma marca com o nível da Rusty está acreditando e investindo em mim.
Agora, vou tentar fazer o meu melhor, tanto dentro como fora d´água, para poder dar um bom retorno à Rusty. Continuo fazendo uma parceria bem forte com a JAMF, que sempre me apoiou e ajudou muito, sempre viabilizando alguns projetos e acreditando bastante em mim.
Você acha que a atitude dos fotógrafos e da mídia em geral mudou depois da sua contratação?
Ainda não tive tempo para perceber isso, cara. Estou no Hawaii desde o meu primeiro mês na Rusty e, da galera que está aqui fotografando, quase todos são meus amigos e nunca deixaram de me fotografar (risos), inclusive você é um deles. Lembro que, na minha primeira temporada aqui, você nem me conhecia direito e fez altas fotos minhas (risos). Mas, em relação aos fotógrafos gringos, acho que ajudou, sim, pois como a Rusty é uma marca internacional, eles vêem a oportunidade de vender a foto e tal. Pelo menos estão mais simpáticos comigo (risos), até o Scott Aichner já trocou umas idéias comigo, talvez também porque sempre que ele entra na água, eu já estou lá, né? (risos).
Quais os teus planos para o futuro?
Este ano eu ainda vou ao Tahiti, Indonésia e México, fazer algumas matérias para as revistas e produzir imagens para os filmes das marcas Que! Lifestyle e Enigma, que são as que mais dão destaque para a nova geração, inclusive um dos filmes da Que! será apenas para surfistas menores de 21 anos. Vou continuar treinando e em busca dos meus objetivos, surfar ondas cada vez maiores.
O que poderia dizer aos surfistas que não têm patrocinador, mas não querem desistir do sonho de ser surfista profissional?
Faça o seu e não se preocupe muito com os outros, mas sim em estar sempre treinando e evoluindo. O mercado do surf está crescendo bastante, então, se você realmente é bom e está se esforçando, cuidando da sua imagem e tal, uma hora vai ter alguém interessado em te patrocinar. Fica tranqüilo, nunca desista e acredite sempre.
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