Batismo de canoas

Cerimônia rola em Santos

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Cauê Serra (esquerda) e Celso Filetti. Foto: Divulgação
 

Tradição dos povos polinésios a cada embarcação construída, desde os antigos desbravadores, Santos terá o batismo de duas novas canoas neste domingo, 04 de janeiro. A cerimônia dará identidade a uma canoa vinda do Hawaii, e uma importada do Taiti, onde tudo começou. Os dois modernos equipamentos, da nova categoria “unlimited” (sem limites), foram adquiridos pelo santista Celso Filetti, um dos maiores entusiastas da modalidade, como forma de oferecer aos canoístas brasileiros mais tecnologia.

“São nossas, de todos os remadores. O objetivo é evoluir”, comemora Celso. “No começo, as canoas eram feitas de madeira Koa, entalhas de um único tronco, depois passaram a ser produzidas em fibra de vidro, nos mesmos moldes, sem muita tecnologia, pesando de 150 a 180 quilos, e há um ano temos esses novos modelos, sem limites, 100% em fibra de carbono, 70 quilos, com dreno e finca-pé. Muito mais rápidas e seguras”, explica.

A cerimônia será realizada às 8:00 horas, em frente ao Aquário Municipal, na Ponta da Praia, sob o comando do canoísta Cauê Serra, hoje um dos principais atletas do país, tricampeão brasileiro na categoria V1 e instrutor da Confederação Brasileira de Canoagem nesta modalidade. “Ninguém melhor do que ele, que preserva tão bem as tradições havaianas e taitianas”, argumenta o proprietário das embarcações.

“O batismo é o nascimento de um novo ser, com espírito e alma. As canoas para os havaianos e taitianos garantiam a sobrevivência, a pesca, ou seja, comida para os familiares e o descobrimento, o desbravamento de novas regiões, ilhas”, ressalta Filetti. “É uma forma de homenagear a grande responsável pelo surgimento da sociedade polinésia, a canoa, que é tratada como entidade viva até hoje, mesmo sendo feita em materiais modernos”, acrescenta Cauê.

A canoa havaiana, ou OC6, será batizada de Palakila. “Que significa Brasil ou brasileiro no dialeto deles. Por ser a primeira aqui. E pedi nas cores verde amarela e azul”, conta Filetti. Já a canoa V6 do Taiti será chamada Te Arii Vahine, Rainha em português. “Vai ser a mãe de todos, é um nome sagrado para o povo taitiano”, anuncia. 

“Ela foi feita em Rahitea, é tripartida e quando ficou pronta, não queriam deixar vir para o Brasil, de tão boa. As V6 taitianas são a essência do esporte, onde tudo começou”, revela Celso Filetti, que possui uma verdadeira coleção de canoas, de todos os modelos e tamanhos. “Depois de 30, parei de contar”, brinca o atleta de 50 anos, atual hexacampeão brasileiro e sul-americano master de OC1 e V1.

Canoa havaiana ou polinésia são duas das definições utilizadas para as embarcações tradicionalmente utilizadas na região do triângulo polinésio, que fica no Oceano Pacífico, entre a Austrália e os Estados Unidos. Também chamadas de Wa’a, Va’a ou Outrigger, foram muito importantes para o processo de colonização daquela região, incluindo o Havaí e Ilha de Páscoa. Além de servirem como meio de transporte entre as ilhas e pesca foram precursoras do surf, pois seus remadores costumavam pegar ondas, sobretudo no arquipélago havaiano. Todas têm em comum as três partes fundamentais: o casco (ou hull), o flutuador (ou ama) e os braços que ligam um ao outro (yakos).

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