Tudo começou há 45 anos, quando Fernando Rego, diretor e fundador da marca Lightning Bolt no Brasil, começou a frequentar o Guarujá (SP) nas férias e feriados. Foi amor à primeira vista pelo mar.
Primeiro vieram as pescarias, sempre acompanhadas por sua mãe, fiel escudeira, ou pelo grande salva-vidas Djalma. Com o passar do tempo, Fernando se encantou por todos os esportes de praia: raquetinha, madeirite, jacaré, planonda, sonrisal e, é claro, o surf.
Nesta época ele já frequentava o Guarujá aos finais de semana. Eram tempos em que todos se conheciam e pegavam onda juntos, sem preocupação de crowd.
O amor pelo mar se tornou paixão pelo surf. Fernando queria viver do esporte, pois era a coisa mais prazerosa que havia conhecido. Ele fez parte da segunda geração do surf do Guarujá, mas a primeira a surfar as ondas do Canto do Maluf.
Deste desejo, aliado aos amigos e amantes do surf, surgiu a Lightning Bolt. Chamado de louco por querer viver do esporte, ao longo do tempo passou a ser um visionário, pois naquela época só alguns já tinham percebido a força do negócio.
Além disso, foi um grande apoiador de campeonatos, sempre preocupado com seu desenvolvimento e direcionamento para não deteriorar a essência do surf. Fernando patrocinou os melhores surfistas e fez parte da organização do primeiro Circuito Brasileiro Profissional de Surf em 1987.
Foi também um grande incentivador das categorias de base com o Circuito L.B. – Júnior Mirim e Iniciantes de Surf, tornando o Guarujá o maior celeiro de campeões do esporte.
Mais tarde, com a Quiksilver, se tornou uma figura internacionalmente reconhecida e sempre presente nos campeonatos. Com seu humor afiado e uma risada inconfundível, é difícil encontrar alguém que não tenha uma boa história para contar que o Fernando não seja o personagem principal.
Com o seu conhecimento internacional trouxe para o Brasil mais tarde a Oakley. Quis o destino que, no ano de 2000, uma doença o impedisse de surfar. Mais uma vez ele provou sua força e coração para superar a batalha, mesmo impedido de praticar o esporte que tanto amava e para o qual tanto se dedicou.
No decorrer de sua jornada sempre cultivou grandes amizades. Foi um fiel amigo, com um coração generoso. Bota generoso nisso. Mas novamente o destino foi cruel. No ano de 2008 foi diagnosticado outro câncer, só que desta vez no pulmão.
Novamente, quando ninguém esperava, ele lutou como um guerreiro. Sempre acompanhado pela família e amigos lutou como pôde e saiu-se vencedor! Mas, no último dia 25 de fevereiro, foi chamado para se encontrar com o Divino e com todos os seus familiares e amigos que já se foram.
Neste domingo (25/04) vamos celebrar na parte da manhã em Pitangueiras, ao lado do Canto do Maluf, a cerimônia de entrega de suas cinzas ao mar, que representará sua vontade de voltar à praia, ao mar, aos amigos e à família.
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