
Nos últimos anos houve significativo aumento no número de escolinhas de surfe, introduzindo nosso esporte para novos surfistas de todas idades e ambos os sexos.
Hoje temos aulas de surfe em todos os estados do litoral com várias propostas, algumas organizadas e outras, porém, sem qualquer estrutura.
A quantidade é inimiga da qualidade e está na hora de regulamentar as escolas, para evitar problemas com o mau ensino e acidentes desnecessários.
Desde 1997 a Confederação Brasileira de Surfe (CBS) oferece cursos para técnicos e instrutores em surfe. Abordamos as técnicas do ensino e principalmente questões de segurança para a redução de acidentes, do papel de um professor na comunidade e das questões legais que envolvem uma escolinha esportiva.
O problema não acontece só na formação do surfista. Num país como o nosso fica difícil fiscalizar e este deve ser o papel de federações e associações locais.
A Federação de Surfe do Rio tomou a inciativa e divulgou documento que padroniza o funcionamento das escolinhas. Se for possível fiscalizá-las, haverá melhora na qualidade do ensino.
Entre as medidas, a Feserj está cadastrando escolas, exigindo registro de alunos, alvará junto à prefeitura, professor de educação física responsável e vagas para crianças carentes.
Em outubro, depois da realização do curso deste ano (CBS em parceria com Feserj e Surfing Australia, de 15 a 17 de outubro, no SESC Copacabana, Rio de Janeiro), a CBS vai divulgar norma complementar para regulamentar as escolinhas de todo o país.
O documento será encaminhado para as federações e prefeituras, enfatizando questões de segurança como a relação professor-aluno, escolha de local adequado, instrutores formados pela federação internacional (International Surfing Association, à qual a CBS é filiada), pranchas de borracha, kit de primeiros-socorros, apoio do salvamar, celular na praia, além de outras recomendações.
O esporte está crescendo não somente entre filhos de surfistas. Temos que mostrar que a experiência com o surfe está ao alcance de todos. A iniciação esportiva tem um potencial enorme.
Estamos competindo com escolinhas de futebol e de tênis. É importante nos organizarmos para convencer os país e leigos em geral. As escolinhas podem ter vários formatos, podem ser privadas para introdução aos garotos de classe média, para os turistas, para as crianças carentes ou para surfistas da elite.
É uma opção de trabalho para ex-surfistas profissionais, veteranos e para professores de educação física que saiba pegar onda. Para ensinar é preciso responsabilidade. Um descuido pode jogar no lixo um trabalho de anos. Boas ondas e boas aulas.