
Buscando fugir do flat que assola o litoral brasileiro no verão, e sem gastar muito, rumamos, eu e Renata, para o Peru, em busca das ondas perfeitas do Pacifico.
Depois de muita pesquisa na Internet e de muitas trocas de e-mail com a rapaziada local, pegamos um avião na véspera do Natal e seguimos viagem.
Nossa primeira parada foi em San Bartolo, uma pequena cidade a 40min ao sul de Lima. Já da estrada pudemos avistar La Isla e Punta Rocas, picos famosos de Punta Hermosa, que estavam rolando perfeitos com 1,5 metro e com um vento frio que já anunciava a água gelada, como é de costume. Esta região, apesar de ser um enorme deserto, oferece muitas opções de

picos, na sua maioria direitas, com fundo de pedra e com crowd reduzido pra quem gosta de acordar cedo.
Em frente à nossa pousada, a casa Penascal do ?tablista? veterano Antonio, tínhamos acesso à praia de San Bartolo, um pico famoso por ser o berço de grandes talentos, com esquerdas e direitas cheias e constantes. O pico foi o ?Playground? da Renata que passava horas se divertindo nas longas esquerdas. ?A maioria das pessoas que estavam caindo lá, preferia dropar as direitas. Acabei me dando bem porque as esquerdas quase todas ficavam só para mim? , disse ela.
Buscando um pouco mais de emoção e

variedade fomos conhecer outros picos como Santa Rosa, um pico de esquerda que quebra ao longo de uma bancada de grandes e aparentes pedras. Assim também como Penascal, uma onda pesada que quebra para os dois lados, também sobre uma bancada de pedra, porém, mais afastada da praia.
Querendo conhecer o maior número de picos possível e sem deixar de conhecer os mais famosos, pegamos dois dias de altas ondas em Punta Rocas, que estava rolando também para a esquerda, o que não é muito comum. Com ondas perfeitas de 1,5m a 2m, super longas e quase sem crowd, nos divertimos pra valer. Acessar ao pico é muito fácil, pois o canal é enorme e, tirando as pedras do inside, não oferece quase nenhum perigo para este

tamanho de onda.
Mas, para não dizer que tudo se resumiu às ondas, fomos conhecer as ruínas de Pachacamac, antigo palácio imperial que abrigou os espanhóis no inicio do descobrimento do Peru.
Depois de cinco dias de muitas ondas em San Bartolo, pegamos um vôo para o norte do Peru, para a pequena cidade de Mancora, a fim de conhecer alguns picos famosos como Cabo Blanco, Lobitos, Los Organos e Lãs Piscinas. A viagem aérea levou cerca de duas horas e, chegando em Piura, ainda pegamos mais duas horas de carro até chegarmos em Mancora, por volta das 20hs.

Na manhã seguinte, acompanhados de nosso amigo e guia Rubens Fiestas, um bodyboarder local muito gente boa que conhecemos através da Internet, fomos checar primeiramente Lobitos, uma esquerda tubular e perfeita que parece nunca acabar, e que fica dentro de uma cidade fantasma.
Com o vento terral que sopra todos os dias pela manhã, esta onda de sonho foi a nossa principal opção na região, já que o swell de 1m não estava ajudando muito. É nexplicável a emoção de chegar no pico e ver aquelas linhas de ondas perfeitas, três ondas ao mesmo tempo correndo ao longo da praia e ninguém dentro d?água.

Conhecemos também El Hueco e Baterias, picos que ficam atrás de Lobitos. O pico ?La Piscina? também é uma esquerda sempre perfeita, bem parede, que termina num inside tubular. O inconveniente é que esse pico fica dentro de uma base militar, e para ingressar temos que pedir autorização e deixar um documento, mas vale a pena.
O Peru é um país com uma infra-estrutura muito deficiente para os turistas. É muito fácil entrar numa roubada como a que aconteceu com nossos amigos Beto e Cristian, que foram de Lima para Mancora de ônibus e o ônibus capotou na estrada. Felizmente nada aconteceu com eles além do susto.
Para a galera que vai conhecer as ondas Peruanas sugerimos muita pesquisa na Internet, se juntar com alguém que possa te levar nos picos, principalmente nos que tem fundo de pedra que é uma coisa que não estamos acostumados por aqui, não comer nada na rua, pois as condições de higiene não são das melhores, ficar de olhos sempre bem abertos e levar Long John pois a água é quase sempre muito fria.
No mais, é desfrutar das ondas perfeitas e se preparar para remar muito!