Carlos Burle entra para a história com onda animal

#A dupla de big riders Carlos Burle e Eraldo Gueiros acordou para mais um dia de tow-in naquela adrenalina de sempre dos big riders. A manhã da sessão em Maverick?s, Califórnia (EUA), não seria apenas mais um dia de big waves.

Os amigos de tantas barcas mal sabiam que entravam para a história, pois aquela manhã acabaria por marcar uma nova era para o surf brasileiro e internacional, quando os pernambucanos pegaram gigantescas ondas entre 70 e 80 pés, testemunhadas e fotografadas por experts acima de qualquer suspeita quando o assunto é onda fora do normal.

Naquela quarta-feira, 27 de novembro, Carlos Burle dropou uma onda tão impressionante que valeu a indicação para o livro dos recordes (Guiness Book), segundo notícia divulgada pela rádio CBN e pelo canal Globonews, pois a onda teria cinco metros a mais que a surfada por Mike Parsons em Cortes Banks (CA), em janeiro passado, estimada em 66 pés.

#Puxado por Eraldo, com uma prancha 7′ triquilha, Burle pediu que ele o colocasse nas maiores. “Essa onda a gente foi buscar bem no outside, dentro da bancada”, diz o big rider.

A coisa estava punk em Mavericks e ele levou um caldo irado numa outra onda.”Fiz a primeira cavada, joguei na parede e ela quase me engoliu ali mesmo. Aí, então, eu achei que ia passar. Mas, a velocidade da onda era fora do comum e ela simplesmente me devorou. Caldo? Um dos piores da vida, pois a onda era muito forte e parecia que eu estava apanhando de uma multidão, e, ao mesmo tempo, sendo arrastado por debaixo d’agua. Foi horrivel, mas, pelo menos foi só uma onda. Acho que se viesse outra atrás eu não ia aguentar”, relata Burle.

Ele conta que quem viu a onda do canal pirou. “Grant Washburn, que sempre está presente em todos os mares grandes, falou que aquela tinha sido a maior e mais irada
onda que ele tinha visto na vida. Quem estava na água se amarrou”, conta.

Burle fala que a primeira grande repercussão à sua proeza ocorreu nos sites
especializados. Sobretudo depois de o site Swell.com comparar a onda com a do Mike Parson e deixar dúvidas sobre qual era maior. “Aí, o feito ganhou respeito e virou
comentário geral até chegar ao Brasil”, explica.

Burle, que já havia vencido o primeiro campeonato mundial de ondas grandes em Todos os Santos, México, em 98, está ainda mais confiante para o primeiro mundial de tow-in, que vai acontecer no Hawaii. Ainda mais depois deste “pequeno” treino.

“Quanto mais você treina nesse tipo de onda, você ganha mais confiança e esse foi um otimo treino para o mundial de tow-in que está para acontecer a qualquer momento. Na realidade, deu pra ver que a gente ainda precisa treinar muito, porque naquela dia a gente ficou mais para sobrevivente. Quando a situação fica daquele jeito, você precisa estar treinado, com sua prancha no pé. E onde a gente pode treinar para botar a prancha no pé? Tem que ir na fé”, analisa.

Burle encerra dizendo que aquele foi um dia que aconteceu algo muito especial. “E eu sinto que são frutos que estamos colhendo desde de que montamos o Power Surf Team há anos. Se não fosse pelo trabalho da equipe, e também pelo meu
entrosamento com meu parceiro Eraldo, a gente não poderia chegar onde estamos
agora. Por isso, eu tenho muito a agradecer ao Eraldo e a toda a equipe. Se você quiser muito algo na vida, tem que se dedicar de corpo, mente e espírito. Fiquem com Deus e um grande abraco em todos”, finaliza Burle.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)