
O shaper Rodrigo Alvarenga, 42, nasceu em Fortaleza, Ceará, mas reside em Florianópolis há nove anos.
Já passou pela Califórnia, Europa, Uruguai, Chile e recentemente marcou presença na Indonésia e no Hawaii, onde foi entrevistado por Bruno Lemos, correspondente do Waves.Terra. Conheça um pouco mais da história de Alvarenga.
Conte um pouco sobre o seu início no surf.
Morava em Fortaleza (CE) e comecei a surfar junto com mais dois irmãos quando o surf nem era considerado um esporte. Surfávamos principalmente no Titanzinho e em Paracuru, como também em todos os picos do meu Estado e do Nordeste.

Como começou seu trabalho como shaper?
Gostávamos de competir e, como nenhuma mãe dava prancha de surf para os filhos por lá e nem havia patrocinadores, acabei começando a fazer nossas próprias pranchas.
Depois comecei a fazer pranchas de competição e a trabalhar os moleques para campeonatos. Acabei formando vários campeões por lá.
Fui pra Califórnia e em 1992 voltei ao Ceará. Três anos depois, fui a Floripa e acabei ficando por lá até hoje, onde tenho minha fábrica. Sempre foi muito difícil sobreviver como shaper no Brasil, mas comecei a acreditar mais no futuro do surf depois que comecei a conhecer pessoalmente o esporte em outros países.

Já fiz pranchas e surfei em todo o litoral brasileiro, na Califórnia, em vários países da Europa e agora no Hawaii e Indonésia. Também tenho investido no Uruguai e no Chile. Com isto, acredito que meu know-how possa ser colocado à prova por qualquer surfista. Estou numa ótima fase e tenho muitos planos para o futuro.
É a sua primeira temporada no Hawaii. O que você achou da experiência?
Está sendo muito recompensadora, apesar das diversas dificuldades. Tanto no sentido de aprendizado, tanto no que diz respeito às pranchas de surf, como também do surf em geral: ondas, esporte, as tendências da moda, designs e comportamento. Considero isto um mestrado ou uma pós-graduação. Pretendo voltar mais vezes para dar continuidade a este aprendizado e rever os amigos que tenho feito por aqui.

Como foi trabalhar como shaper aqui no North Shore?
Muito bom, apesar das dificuldades. Mas, corri atrás e agora sei quais caminhos seguir. Recebi elogios de diversos shapers, laminadores, surfistas e lojistas que conheceram meu trabalho e sei que estou no caminho certo.
Qual a repercussão do seu trabalho entre os shapers da ilha?
Ah, isso aí eu não sei, só sei que eles não gostam muito de ver um haole querendo se criar por aqui. Acho que alguns que me conheceram ficaram preocupados.
Depois do Hawaii você seguiu para a Indonésia. Como comparara as ondas havaianas com as que surfou por lá?
Totalmente diferentes. O Hawaii é power, adoro Pipeline outros picos que quebram clássicos e não são difíceis. V-Land, Rocky Point, Sunset e Waimea são únicos. A Indo é tubo que não acaba mais, e sem crowd em muitos picos. Paradise, alucinante e um sonho.
Agora, voltando para o Brasil, quais as suas perspectivas?
Pretendo fazer muitas pranchas em Floripa e para alguns Estados do Sul, como Paraná e Rio Grande do Sul. Pretendo também mandar umas pranchas para o Chile e Uruguai, além de começar a ampliar a fábrica, além de fazer muita prancha voadora pra galera arrepiar e começar a trabalhar uma marca e outros produtos.