Cara a cara com o rei

Estou pensando em prestar vestibular de novo. Já prestei outras vezes, entrei em duas faculdades e depois de alguns anos me tornei comunicador e advogado.

 

Enquanto isso, a vida me levava para outras áreas de conhecimento.

 

O surf era uma delas. Durante a faculdade minha presença era constante no outside. Outra era o jornalismo, que foi entrando aos poucos na minha vida enquanto apresentava programas de TV.

 

Sempre gostei de documentários, cinema real, retratos da vida. Coisa de jornalista. Sempre gostei de ler, conhecer, aprender.

 

Coisa de jornalista. Sempre gostei de escrever, conversar, contar histórias. Precisa repetir?

 

A ficha caiu depois da entrevista com Kelly Slater. Que privilégio. O melhor surfista do mundo e eu, trocando idéias por quase uma hora.

 

A operação começou na segunda feira, dia 3 de abril, enquanto as produtoras Anna Hissa no Rio de Janeiro e Evelyn Ziegl em São Paulo descobriam onde estava Kelly Slater.

 

Ele estava no Brasil para filmar um comercial para uma operadora de celular. Nossa equipe conseguiu o improvável. Uma exclusiva com Kelly Slater, logo ali, no parque do Ibirapuera!

 

Estar frente a frente com o Rei já é impressionante. Com todo o peso que a fama lhe confere, até que ele poderia ser arrogante, mas é um cara humilde, tranqüilo e ciente do poder de suas palavras.

 

Eu poderia perguntar o que quisesse: a rivalidade com Andy Irons, o namoro com Gisele Bünchen, Pamela Anderson… Mas sabia que certas perguntas tinham o poder de terminar a entrevista mais cedo. Preferi falar sobre a vida.

 

Será que ele sabe o quanto influencia a vida de muitos admiradores ao redor do planeta? E o que dizer para tanta gente? Como fazer um mundo melhor? Você é feliz? Minha esperança era que através das palavras de Slater a gente pudesse aprender a surfar como ele.

 

A entrevista foi das melhores. O problema é que as melhores perguntas sempre aparecem depois do fim. Faz parte, só me resta aguardar a próxima oportunidade. Já faz quase dez anos desde a primeira entrevista com Kelly Slater (1997) e eu continuo com muitas perguntas para fazer.

 

Que bom! Um dos prazeres do jornalista é poder trocar idéias com gente de tudo quanto é canto e estilo a respeito dos temas que nos movem. Do português da padaria ao heptacampeão mundial de surf. Mas não se iluda.

 

Tem um mendigo lá em Minas que era famoso por seu bom humor, mas apesar disso avisava: ?Nego vê as pinga que eu bebo, mas não vê os tombo (sic) que eu levo!?

 

Vida longa ao rei! Boas ondas, boa vida!

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