
Kléber Pires, 33 anos, produtor, vídeomaker e fotógrafo, tem em seu currículo 13 temporadas havaianas, sendo o responsável pela produção e imagens do programa Caçadores de Ondas, exibido no Fantástico, da Rede Globo.
Foi justamente nesse programa que o town-in apareceu pela primeira vez na televisão aberta para o Brasil. Kleber também fez imagens aquáticas de todos campeonatos realizados em Jaws, no Hawaii, apresentadas no Esporte Espetacular.
Além disso, ele atualmente é o principal responsável pelas imagens dos atletas brasileiros no WCT divulgadas no Brasil e de outros esportes aquáticos como kite surf, windsurf e foilboard.

Nesta entrevista ele conta um pouco de sua história e algumas experiências vividas nesses últimos 13 anos trabalhando como vídeo maker aquático. E mostra como conseguiu respeito de nomes como Larry Haynes, cinegrafista aquático havaiano, Mike Latronnic, jornalista havaiano, e Chris Van Lep, sul-africano considerado um dos melhores fotógrafos aquáticos do mundo.
Como iniciou sua carreira?
Vim para o Hawaii pela primeira vez em 1991. Era piloto de avião privado e tinha como objetivo tirar a licença de piloto comercial e seguir carreira. O lugar escolhido foi o Hawaii porque além de piloto era surfista e queria pegar onda. Foi quando a paixão pelo esporte passou a crescer ainda mais e falou mais alto. Alugava uma casa em Sunset Beach para atletas brasileiros, como Neco Padaratz, Yuri Sodré, Binho Nunes, Raoni Monteiro, e outros dessa geração. Esse meio me motivou a começar capturar imagens do estilo de vida e desempenho dessa geração nas pesadas ondas havaianas.

Como era filmar no começo de dentro da água em mares perigosos como Pipeline e Sunset? Qual o mar mais difícil que você já enfrentou?
Era como aprender a andar de bicicleta sem rodinha… Tomei muitas vacas (risos).
Levou muito tempo para que entendesse qual seria a melhor maneira de lidar com diversas situações. Não era fácil. A colocação dentro da água também era complicada. Aprendi a respirar e ter calma nos momentos de extremo perigo. Teahupoo é a onda mais pesada, uma vez fui dragado por ela para cima das rasas bancadas e sai todo cortado. A pressão da onda é maior lá. O canal de Teahupoo é mais pesado. Nele a onda joga você pra dentro da bancada, diferente de Pipeline, por exemplo, que te joga para fora – o que alivia.
Como é o preparo físico e a adrenalina antes de entrar num mar desses? Algo semelhante com o surf?

Uma diferença básica é que o cinegrafista aquático está sempre fugindo das ondas, e o surfista enfrenta. Outra e principal é a velocidade, a nossa é praticamente zero.
Antas de cair na água eu procuro observar o posicionamento dos surfistas, a correnteza e o tempo de série. Muitas vezes também o tempo de caldo da galera que esta na água, Isso tudo me dá preparo psicológico para enfrentar as condições. Também gosto de correr, pedalar e surfar muito para me manter no rip.
Como é sua relação com o Hawaii o com os locais?
Tenho uma relação de respeito muito grande, aprendi com eles vários segredos do oceano. Tenho uma grande vantagem por ter morado aqui, conseguir falar e entender suas gírias. Um dos meus melhores amigo aqui na é o Keoni Andrew, um dos mais respeitados locais da ilha.

E os seus projetos para este ano?
Trabalho em parceria com a GZero e 4Effects com objetivo de criar novas e melhores maneiras, por intermédio de ângulos novos e posicionamento de microcâmeras aquáticas para passar da melhor maneira possível para o telespectador a radicalidade, emoção e adrenalina vivida pelo atleta durante aqueles momentos e seu real impacto. Em 2004 vou acompanhar as principais etapas do WCT com a responsabilidade de produzir o filme da Onbongo. Também estarei produzindo um documentário sobre as principais lajes do litoral brasileiro, comandado pelo salva-vidas Romeu Bruno, além de vídeos mostrando alguns campeonatos de tow-in nessas lajes.
Mande um recado para a galera do Waves.
Me contratem e me paguem muito bem (risos).