Uma coletiva de imprensa na manhã da última terça-feira reuniu os seis candidatos ao título mundial em Pipeline, Hawaii.
Mick Fanning, Filipe Toledo, Adriano de Souza, Gabriel Medina, Owen Wright e Julian Wilson discutiram suas respectivas temporadas, as oportunidades desperdiçadas e as ambições pela conquista do título.
Atual líder do Tour, Mick teve a chance de garantir a taça na etapa portuguesa, mas perdeu na terceira fase para a sensação local Frederico Morais.
“Na França eu senti que estava começando as baterias devagar, então em Portugal eu tentei corrigir isso e cometi um erro rapidamente”, conta Mick.
“Eu sabia no começo do ano quem iria brigar pelo título. O nível no Tour está incrível. Você não pode sentar e caminhar para as quartas-de-final nos dias de hoje – há muitos altos e baixos. Eu nunca estive numa disputa com tantas pessoas e há muitos olhos observando, então isso é muito empolgante”, revela o australiano.
Os perigos da onda de Pipeline foram testemunhados no último domingo, com o jovem atleta do QS Evan Geiselman quase se afogando. Mick Fanning se preparava para surfar e correu para ajudar o bodyboarder sul-africano Andre Botha no resgate. Fanning já se encontrou numa grave situação em Jeffreys Bay, quando chocou-se com um enorme tubarão-branco.
“Eu me considero muito sortudo – tive a sorte de antemão e agora sou ainda mais sortudo por ficar longe de algo assim, o que não aconteceu com outras pessoas. Estou super feliz por estar aqui e de ter a oportunidade de continuar fazendo o que eu amo. Estava andando pela praia e vi Evan botar pra dentro do tubo, mas não pensei nisso. Felizmente algo ruim não ficou pior. Acho que nós sempre sabemos que é perigoso e é uma chance de 50%. Você sabe que você tem de puxar seu limite e fazer isso para conseguir as melhores notas. Ao mesmo tempo você tem de calcular o risco de fazer isso”, continua Mick.
Defensor do título da etapa e atual sétimo colocado no ranking, Julian Wilson conhece muito bem os caminhos em Pipeline, onde garantiu também o título da Tríplice Coroa Havaiana.
“Eu sei exatamente o que eu tenho de fazer em termos de passar algumas baterias se alguém não passar. Para mim é ir lá vencer o evento. Ter a chance disso é uma coisa especial e estou ansioso para dar tudo o que tenho – espero dar conta do que eu preciso e ter um pouco de sorte. A Tríplice Coroa não está fora de questão para mim novamente este ano e por isso vai ser um evento muito divertido”, conta Julian.
Depois de muitos anos na batalha, Adriano de Souza tem a sua maior chance de conquistar o título mundial. Em 2015, Adriano foi quem mais vestiu a lycra amarela e agora se encontra em terceiro lugar.
“Nos últimos 10 anos tem sido um sonho sentar aqui em Pipeline e ter a chance de conquistar um título mundial. Em todos estes anos eu assisti aos campeões da praia gritando e chorando, e pensando em algum dia estar aqui. Isso é muito especial com três brasileiros e três australianos também. Vai ser muito empolgante e não posso esperar para que comece”, diz Adriano.
“Foi ótimo começar o ano forte, mas agora você precisa terminá-lo no fim. Estou ansioso para dar o meu melhor aqui e tentar o meu primeiro título mundial. Sei que vai ser muito competitivo com um tricampeão mundial (Mick Fanning), o atual campeão (Gabriel Medina) e o defensor do título do Pipe Masters (Julian Wilson). Há muitas coisas que vão acontecer com tubos pesados e tem Filipe como um garoto no meio dessa mistura, eu sei que ele vai arrepiar, então todos que estão aqui merecem isso”.
Vice-líder do ranking, Filipe Toledo é o atleta com a maior chance de impedir o quarto título de Mick Fanning. O brasileiro está a apenas 200 pontos de diferença do aussie. Antes de 2015, Filipinho nunca havia vencido uma etapa do CT e nem brigado pelo título. Agora, o ubatubense tem uma grande chance de assumir o trono da World Surf League.
“Ser um candidato ao título mundial é totalmente diferente de estar em vigésimo, mas me sinto bem. Tem sido incrível para mim depois de três finais e três notas 10 durante o ano. Tenho me divertido muito. Neste evento há muitos caras lutando pelo título mundial, então é irado ver o nível de surf deles. Estou muito feliz por ver essa galera lutando comigo pela vitória. Espero pegar alguns tubos grandes aqui e desejo o melhor a todos”, declarou Filipe Toledo.
Dono de uma vitória espetacular em Fiji, Owen Wright está mais preparado do que nunca para a decisão do título em Pipeline. “Eu peguei a minha melhor onda em Pipe há dois dias e estou amarradão”, conta Owen. “Acho que você pode ter uma abordagem despreocupada e, ao mesmo tempo, você ainda tem o objetivo, ainda tem a visão, e quando essas derrotas aparecem nas primeiras fases – você apenas tem de aprender com elas. Com o nível dos talentos no Tour não vai ter um dominador e acho que é por isso que há seis de nós aqui, agora. Chegando como quinto eu sei que tenho algum trabalho a fazer”, opina Owen.
O sexto colocado é Gabriel Medina. A missão para o brasileiro é complicada, mas Medina corre por fora e já mostrou que costuma dar muito trabalho aos adversários em Pipeline.
“Tenho treinado desde o início do ano e não sei o que aconteceu naqueles primeiros eventos – é a vida que nós temos. Você vai ter seus pontos baixos e em alguns você vai ganhar. Estava treinando e surfando todos os dias, e aí alguma coisa aconteceu depois de J-Bay – comecei a conseguir os resultados e me sinto bem com o meu surf como um todo. No ano passado eu tive muita pressão porque estava liderando e todo mundo estava falando disso – ser o primeiro brasileiro campeão mundial – e senti a pressão, mas este ano não sinto isso”, comentou Medina.
A próxima chamada para o Billabong Pipe Masters 2015 acontece nesta quarta-feira, às 15:30 horas (horário de Brasília).
A janela de espera começou na terça-feira (8/12) e se estende até o dia 20, para que o campeonato aconteça nos dias de melhores ondas. Quando for dada a largada oficialmente, antes do evento principal começar, ainda teremos as baterias do Pipe Invitational, no qual 32 surfistas locais disputam duas vagas e mais um prêmio de US$ 100 mil.
Previsão da ondas – De acordo com as previsões, o pico do swell acontecerá na noite da terça-feira, fazendo a rainha do North Shore acordar de gala na quarta-feira (9/12), com o segundo e terceiro reefs em pleno funcionamento. A ondulação perde força durante o dia, mas permanece com bom tamanho, cerca de 5 metros nas boias, na quinta e sexta-feira (10 e 11/12). Já no fim de semana, outro swell atinge o pico, mas com menos força.