Um dia para ficar na história. Bombas imaculadas com clima de verão em pleno inverno. Até na praia tava show, eu nunca vi tanta “pele” de fora.
 
A estrutura do Mavericks Surf Contest também não deixou nada a desejar e no estacionamento do Pillar Point tinha um senhor telão pra galera assistir às baterias como se estivesse na cara do gol – sem ter que tomar caldo.
 
Na verdade, se considerarmos a cobertura de mídia, quantidade de expectadores, nível dos atletas e, é claro, Mavericks além da perfeição, o que tivemos foi um dos maiores eventos já realizados na história do esporte.  
 

Os surfistas brasileiros representaram muito bem e só não foram mais longe porque campeonatos são decididos nos mínimos detalhes. Todos botaram pra baixo, sem medo de ser feliz, e Danilo Couto por pouco não fez a final.
 
O primeiro a cair na água foi Alexandre ?Blau? Martins. Logo apos Brock Little abrir a bateria, Blau veio na de trás fazendo o drop bem “deep”. Depois da cavada cheia de estilo, ele encaixou no segundo bowl, onde foi engolido pela massa d’água.

 

Resultado: duas morras na cabeça, cordinha estourada e um resgate no sufoco feito pelo organizador do evento Jeff Clark.

 

Após pegar a prancha reserva, Alexandre voltou para o outside e pegou outras três ondas – uma maior que a outra, sendo que a última foi uma bomba legítima muito embaixo do bowl, o que na minha opinião teria selado a passagem dele para a semifinal.

 

Do penhasco os juizes estavam tendo outra visão e talvez não puderam ver o grau de dificuldade dos drops, valorizando mais o tamanho da onda. Ou seja, um drop no ombro de uma onda maior estava valendo mais do que um drop mais vertical numa onda menor, mas ainda sendo da série.

 

Melhor para Brock e Russel Smith, que foram beneficiados pelo critério. Randy Cone ganhou a bateria de forma incontestável. Vale ressaltar que Blau ainda fez a mala de Shane Desmond, vencedor do Billabong XXL 2005 na categoria remada.
 
Na terceira bateria mais dois brazucas mandaram bem. Eraldo Gueiros pegou o tubo do campeonato, depois de um drop cabuloso. Chegando na base do primeiro bowl, ele cavou forte e forçou o encaixe da prancha pra ficar bem na parte crítica do segundo bowl, o que permitiu um posicionamento perfeito pra entubar na craca.

 

Ele andou legal lá dentro, mas não saiu. Mesmo assim mostrou que hoje em dia o surfe em Mavs não é só uma questão de sobrevivência, e sim de alta performance. O nível ta tão elevado que a organização resolveu premiar não só os grandes dropes, mas também o melhor tubo do campeonato (Cliff Bar Green Room Award).

 

Para nossa decepção, esse prêmio foi dado para Evan Slater, editor da Surfing Magazine. Apesar do tubo, Eraldo ficou precisando de outra nota forte para passar. Ele até pegou uma outra onda boa antes do tubo, mas assim como Alexandre, acabou engolido no segundo bowl. Haja caldo!

 

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O terceiro representante brazuca, o rei do Barravento Danilo Couto, botou pra baixo numa onda animal. Com a classe de sempre, ele ficou suspenso no ar para depois aterrissar o vôo com a rabeta, como se fosse fácil.

 

Impressionante como o cabra dá ?drop aéreo? com a maior tranqüilidade. Marca registrada que os juizes gostam e deixou nosso último soldado em segundo na bateria, ainda vivo para a próxima fase.

 

Entre as vítimas dele estavam os locais Matt Ambrose, Ken Skindog Collins, Zach Wormhoudt (vencedor do Billabong XXL 2004 na remada) e Ryan Augustine. 
 

Na semifinal o desempenho dele não foi diferente. Danilo pegou muito e numa série enorme ele veio lá do bowl até ficar minúsculo na água branca, gerada pela turbulência da onda anterior.

 

Ele ainda pegou mais duas ondas sólidas e no final sentiu na pele o outro lado da moeda.

 

Após vacar na primeira da série, teve que levar várias outras na cabeça, até ser resgatado pela equipe de segurança. Morte horrível! Mais um jet-ski engolido por Mavericks.

 

Mesmo sem terem entrado no campeonato, tanto Everaldo Pato como Carlos Burle mostraram profissionalismo e compareceram no line-up. Pato (fresquinho do tubão tirado no Eddie Would Tow) era só sorrisos e ainda pegou altas ondas um pouco antes da final.

 

Burle caiu antes, no meio e depois do evento. Aliás, numa das vacas, detonou as quilhas da prancha. Outro fato interessante foi o convite recebido por ele para comentar uma das baterias.

 

Foi a chance para Burle poder alfinetar com diplomacia a organização do campeonato sobre o critério usado para a lista de convidados. Atualmente, quem perde de cara não é convidado para a lista principal do ano seguinte.

 

Veio então a pergunta do brasileiro: grandes nomes como Darryl ?Flea? Virostko (tricampeão do evento), Anthony Tashnick (campeão do ano passado), Peter Mel e Greg Long dançaram de prima esse ano. Eles não estarão na lista do ano que vem?
 
No final do dia rolou a festinha do campeonato com um pôr-do-sol alucinante e todos celebrando a vitória do sul-africano Grant ?Twiggy? Baker, que conquistou o carinho de todos com sua humildade, tão grande quanto as bombas que ele dropou o dia inteiro.

 

A África do Sul deve estar orgulhosa. Quem sabe ano que vem não levamos o caneco para o Brasil. Potencial temos de sobra.

 

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Resultado do Mavericks Surf Contest 2006

1 Grant Baker (Afr) US$ 30 mil
2 Tyler Smith (EUA) US$ 10 mil
3 Brock Little (EUA) US$ 5 mil
4 Matt Ambrose (EUA) US$ 4 mil
5 Grant Washburn (EUA) US$ 3,5 mil
6 Evan Slater (EUA) US$ 2,5 mil

 

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