Considerado o campeonato de surf mais tradicional do país, o Hang Loose Pro Contest comemora a 10ª edição no paradisíaco arquipélago de Fernando de Noronha. Depois de realizar provas no Sul e Sudeste do país, o evento partiu para o litoral pernambucano até chegar, em 2000, a Fernando de Noronha.
A partir daí teve início uma nova fase no cenário competitivo nacional (e também internacional), com uma etapa brasileira do circuito mundial WQS acontecendo nas melhores – e mais potentes – ondas do litoral brasileiro.
“Sempre foi um sonho fazer este campeonato aqui e durante todos estes anos trabalhamos para concretizá-lo. Visando melhor qualidade das ondas, tivemos que nos adaptar em parceria com os órgãos ambientais (Tamar e Ibama)”, comenta Alfio Lagnado, fundador da Hang Loose e diretor de prova do evento.
Fazer o campeonato em uma Área de Proteção Ambiental (APA) requer uma série de medidas e cuidados por parte da organização, resultando em um evento totalmente diferenciado. Além de palco da competição, a Cacimba do Padre também é uma área de desova das tartarugas.
O palanque erguido em palafitas foi produzido em tom areia para não atrapalhar a visão e o deslocamento dos répteis no caminho ao mar. Também mereceu atenção especial a vegetação, principalmente o jundu que representa uma eficiente barreira contra o avanço das marés e está presente em toda a praia da Cacimba.
Preocupada com a conservação dos ecossistemas, e principalmente desta jóia localizada em nosso litoral, a Hang Loose criou o projeto “Surf de Raiz”, que visa formar uma “rede” de colaboradores para construir um mundo ambientalmente mais correto e socialmente mais justo.
Em parceria com o Ibama / FN e a Administração do Arquipélago, a marca mantém um viveiro de mudas de espécies nativas próximo à praia do Leão, com potencial de produção de 30 mil mudas por ano, destinadas ao reflorestamento de áreas degradadas da ilha.
De SP a Noronha – A estrutura da competição e boa parte do material promocional saem cerca de duas semanas antes do início do evento de São Paulo, de onde segue de caminhão até Recife (PE) em quatro dias de viagem. De lá, é embarcada em um navio e são mais dois dias para chegar a Noronha.
“É uma viagem um pouco complicada. Nesta vez, por exemplo, caí em um buraco e tive de chamar o guincho para ser rebocado. Por Deus o caminhão não tombou. Se acontece algum imprevisto no caminho, corre-se o risco de não chegar a tempo em Recife e perder o barco. Isso já pode ocasionar em um atraso na montagem do palanque”, explica Luiz Otávio Pestana, motorista do caminhão e um dos encarregados da montagem e manutenção da área técnica do evento.
Mas, apesar dos imprevistos, ele afirma que o processo já está bem mais “mastigado”, devido aos vários anos de realização do evento na ilha.