Com uma boa campanha nas direitas de Basse-Pointe, o paulista Thiago Camarão terminou em quinto lugar no Martinique Surf Pro e foi o melhor brasileiro no QS3000 disputado em Martinica, território francês situado no Caribe.
Camarão chegou às quartas-de-final e perdeu para o australiano Cooper Chapman em uma das melhores baterias da prova.
Chapman levou a melhor com notas 9.23 e 8.50, contra 8.27 e 8.87 do brasileiro.
A quinta posição na etapa vencida pelo havaiano Joshua Moniz fortalece ainda mais o retorno do atleta às competições.
A fase negra de Thiago Camarão começou no início de 2012, meses depois de o atleta ter ficado fora da elite mundial por uma bateria e a três posições do último classificado.
Na ocasião, o atleta sentiu fortes dores no quadril e buscou um tratamento de fisioterapia. As dores se agravaram e ele passou por um exame de ressonância no fim do ano. “Descobri que teria de passar por uma cirurgia no quadril (labrum) em ambos os lados”, conta o atleta, que foi submetido aos procedimentos cirúrgicos no Carnaval de 2013.
Em 2014, Thiago Camarão sofreu uma lesão no joelho direito. Foi diagnosticado o rompimento total do ligamento cruzado anterior, o que deixou o atleta seis meses afastado das ondas.
Recuperado e motivado a dar volta por cima, Camarão luta para que 2015 seja o ano da virada. “Estou me sentindo bem de novo e confiante. Não foi fácil ficar dois anos ‘capenga’ e agora pretendo me empenhar o máximo nos treinamentos físicos e nas baterias”, comenta o paulista.
Em Martinica, o atleta se surpreendeu com boas direitas no pico de Basse-Pointe e mandou bem na prova. “Todos se perguntavam como seria a onda, se era boa mesmo, mas todos os surfistas esperavam uma onda cheia e ‘xoxa’! Chegando lá, nos deparamos com uma onda de potência de CT, muito boa e forte”, conta o atleta.
Segundo Camarão, por ser um evento de nível QS3000, a maioria dos atletas esperava notas baixas para passar as baterias, o que geralmente acontece nessas etapas. “A onda surpreendeu tanto que cansei de ver pessoas perdendo com 8 ou 9 nas baterias”, revela o paulista. “Muitos surfistas estrangeiros e brasileiros se destacaram e mostraram que estão na batalha por uma vaga nas etapas QS10000”.
Para Camarão, os destaques da prova foram o havaiano Joshua Moniz, o brasileiro Ian Gouveia, o sul-africano Beyrick De Vries e o venezuelano Francisco Bellorin. “Gouveia mostrou um surf muito forte de backside; Beyrick, Bellorin e Joshua mostraram um alto nível e a cada bateria que passavam mostravam mais garra e vontade de estar entre os melhores do mundo”, continua Camarão.
A derrota de Thiago Camarão para Cooper Chapman por 17.73 a 17.14 pontos nas quartas-de-final dividiu as opiniões na praia. “Acabei perdendo nas quartas-de-final. Foi uma bateria um pouco polêmica, pois as notas foram bem próximas e senti que eu virava na minha última onda boa, mas os juízes não deram!”, lamenta o atleta.