O atleta de São Sebastião Thiago Camarão é uma das promessas do surf brasileiro na atualidade.

 

Aos 17 anos, ele optou por não disputar a perna brasileira do WQS e partiu para sua primeira temporada havaiana.

 

Em ondas como Pipeline e Rocky Point Camarão vem afiando seu surf em ondas de peso e linha, e destaca que busca inspiração em nomes como Jamie O?Brien.

 

Em entrevista ao fotógrafo e amigo Bruno Lemos, correspondente Waves no Hawaii, ele fala sobre as impressões que teve do arquipélago e dá a dica: ?Venha preparado para comer macarrão ou miojo todos os dias?.

Há quanto tempo você surfa e qual sua rotina no Brasil?

 

Eu comecei a surfar com 11 anos, na época minha  família não apoiava muito. Mas comecei a correr campeonatos e com o tempo eles também foram se apegando ao esporte. Moro em Juqueí, litoral Norte de São Paulo, e treino lá todos os dias. Também faço condicionamento físico.

 

Qual a sensação de estar pela primeira vez no Hawaii e como você descreveria o North Shore?

 

O Hawaii é um lugar onde você precisa surfar independente de qualquer coisa. Se quiser ser um surfista profissional, tem que surfar com tranqüilidade, e isso só é possível se você freqüentar o lugar, porque aqui o bicho pega. É um lugar muito bonito e com uma cultura diferente.

 

Que ondas você tem surfado mais e como está sendo a adaptação em relação a esses tipos de onda?

 

Tenho surfado mais Rock Point e Pipeline e meu surf até que está indo bem aqui. Não me sinto muito intimidado, pois já tenho umas viagens na bagagem, como Maldivas, Tahiti, México e Austrália.

 

Como você avalia o surf do pessoal da sua idade, alguém chamou a atenção?

 

Sim, o Jerônimo Vargas, que tem praticamente a mesma idade, 16 anos. Ele manda muito em Pipe e Sunset e fizemos várias sessions juntos, é um parceirão. Pena que está sem patrocínio.

 

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Quais os prós e os contras do North Shore na sua opinião?

 

Os positivos são as boas ondas, pouco crowd e nenhum local na água… rs… Brincadeira… Tem muito crowd e boas ondas, mas tem que ter paciência para pegá-las. Entre os contras está o medo constante de apanhar em Pipe se rabear alguém, principalmente quando o fotógrafo manda você ir na onda, né Bruno Lemos? Hehe… Acabei rabeando um local sem querer e levei um corretivo. Mas foi tranqüilo e eu estava errado. Fora isso é tudo muito caro, talvez o lugar mais caro da América. Aqui US$ 20 parece apenas US$ 1, principalmente no Foodland.

 

Por que você optou vir para o Hawaii em vez de competir nos WQS no Brasil?

 

Realmente meu objetivo é ser um top do WCT e para isso tenho que ralar no WQS. Mas no momento optei por vir para o Hawaii, pois me sentia atrasado em relação a alguns garotos da minha idade, que já têm quatro ou cinco temporadas, e eu não tinha nenhuma.

 

O que mais te marcou ou chamou a atenção no Hawaii?

 

O tamanho e a constância das ondas e o surf de alguns locais como Jamie O?Brien, por exemplo. Fora o localismo, o povo aqui e muito unido.

 

Quais são seus planos para o futuro?

 

Sem dúvida continuar treinando e voltar ao Hawaii todos os anos. Manter uma vida saudável, não usar drogas e passar uma boa imagem para a nova geração que vem por aí.

 

Que dicas você daria para quem nunca veio ao Hawaii?

 

Lavar a louça, arrumar a cama, contratar dois seguranças (rs) e trazer um kit médico. E vir preparado para comer macarrão ou miojo todos os dias.

 

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