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Caio consagrado na Austrália

O Caio Ibelli venceu o aussie Garret Parkes numa bateria extra de desempate para decidir o título mundial da categoria sub-18, durante o Billabong World Junior Championship, realizado em Burleigh Heads, Austrália.

Campeão do Arnette ASP World Junior, no Rio de Janeiro, Ibelli chegou à Austrália na liderança do ranking, mas foi eliminado na terceira fase e teve esperar na areia o desfecho final.

Aí, foi a vez da estrela do ubatubense Filipe Toledo brilhar. Nas quartas-de-final, após precisar de uma combinação de ondas para virar o resultado contra o australiano Garret Parkes (principal atleta com chances de superar Ibelli), Filipinho teve uma reação devastadora e tirou o australiano do evento.

O aussie só precisava vencer a bateria para assumir a liderança. Mas, após dominar boa parte da disputa, assistiu de camarote a virada de Filipe aos três minutos finais.

Com uma nota 6,37 ele saiu da combination e, nos últimos segundos, achou uma direita abrindo para acelerar e decolar com aéreo 360o sem as mãos e continuous manobrando até o final da onda. Alguns instantes de suspense e sai a nota do ubatubense: 9,27 para fechar o placar em 15,74 x 14,44 pontos.

Filipe avançou às semifinais (onde acabou eliminado por Nathan Carvalho, finalizando com um excelente terceiro lugar e em quinto no ranking geral). Ibelli continuava líder, empatado com Garrett Parkes em 17 mil pontos.

Pelas regras antigas de desempate nos rankings mundiais da ASP, seriam computados os dois melhores (das três etapas), e o brasileiro levaria vantagem com um primeiro e um quinto lugar, contra um terceiro e um quinto do australiano.

Porém, a categoria Pro Junior estreou o “World Title Surf Off”, bateria extra entre os líderes para definir o campeão mundial. Garrett Parkes dominou a primeira metade da decisão. Mas, o brasileiro encontrou uma boa direita para atacar o lip duas vezes e acertar um aéreo reverse perfeito e seguir manobrando para conquistar nota 8,67.

Com mais 6,07, Ibelli abriu 7,92 pontos de vantagem a oito minutos do fim.

Nos segundos finais, o australiano pegou uma onda no último minuto, acertou boas manobras e decolou para um aéreo rodando sem as mãos.

Ele acreditou que havia conseguido a virada, chegou a vibrar com a torcida, mas nenhum dos juízes deu a nota que o aussie precisava. Ibelli ganhou o duelo por 14,74 x 14,00 pontos e finalmente pode comemorar mais esta conquista.

“Ganhamos Brasil. Esse título é de todos vocês que acreditaram em mim e estiveram comigo todo tempo. Muito obrigado Deus. Esse é nosso, Brasil na cabeça!”, vibrou.

A final do evento rolou entre dois novatos no Circuito Mundial Pro Junior da ASP. Algoz de Ibelli, o australiano Wade Carmichael levou a melhor sobre o havaiano Nathan Carvalho (que parou Filipe Toledo na semifinal) e ficou com o título em sua primeira participação nas etapas Pro Junior.

Quinto colocado no evento, o pernambucano Ian Gouveia finalizou o ranking na sexta posição. Logo atrás, em sétimo, ficou o baiano Marco Fernandez.

No feminina, Leila Hurst se tornou a primeira campeã mundial Pro Junior do Hawaii. Graças à vitória de outra surfista das ilhas, Alessa Quizon, sobre a australiana Philippa Anderson, que precisava ganhar o evento para ficar com o título.

O domínio brazuca no mundial Pro Junior começou em 2000 no Hawaii, com o carioca Pedro Henrique. Em 2003, na Austrália, Adriano de Souza consagrou-se campeão. No ano seguinte, o cearense Pablo Paulino chegou ao topo da categoria e repetiu o feito em 2007, tornando-se bicampeão.

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