
Coisa de cinema. Não é porque estou estudando a fundo o assunto e suas técnicas, que digo isso. Mas o que eu fiz junto com meus amigos aqui na Gold Coast só pode ser chamado assim.
Devido ao crowd absurdo em dias clássicos em Snapper Rocks (pico 6 estrelas na Gold Coast e palco do Quiksilver Pro, primeira etapa do WCT), resolvemos surfar à noite, a luz da lua cheia.
Chegamos por volta das onze da noite no pico. A lua estava bem cheia e iluminando geral. As ondas entravam em linha, 4 pés perfeitos, lisinho sem vento. O frio fora da água era intenso, mas a galera pilhada nem lembrou disso.
Na face de todos o medo de tubarões era eminente, mas a adrenalina de correr por minutos uma onda a luz do luar sem o crowd infernal era maior do que o medo dos bichinhos embaixo da água. Mesmo já tendo surfado na luz do refletor no Arpoador, a luz da lua é única e incomparável.
Colocamos os carros (quatro no total), sendo que alguns eram das meninas que não surfavam, mas vieram assistir a galera para dar uma força com mais carros e mais luz. Faróis mirando o point, pronto.
Fotos antes de entrar na água (o máximo que podíamos fazer para registrar o momento, visto que à noite não dá para fotografar o surf devido a falta de câmeras apropriadas). Depois das fotinhos na beira, geral de prancha na mão, pra dentro d’água!

Varar a arrebentação foi emocionante. Com a adrenalina a milhão, não parávamos de gritar comemorando a emoção que ainda estava por vir. A cada joelhinho por entre as ondas, vendo os lips prateados quebrando e os tubos lindos de Snapper Rocks, um furacão de calor batia no meu peito.
A remada era forte e ao chegar no outside a imagem foi mágica. Uma serie vinha lá de trás quebrando perfeita. A água aqui é tão limpa que era possível ver o fundo do mar com a luz da lua. Verde cristal embaixo da água com lips cor de prata.
A galera toda no pico lembrava o velho clássico do cinema “Caçadores de Emoção”, na cena que eles surfam à noite. É bem parecido com aquilo mesmo.
Na hora de dropar a onda a coisa complica. É difícil de enxergar o lugar certo do take-off. O instinto e experiência que mandam. Não recomendo iniciantes tentarem esta atividade. Na parede da onda, toda a perspectiva de surf muda e é um cenário totalmente diferente.
O verdadeiro feeling do surf se sobrepõe a todas as experiências antes vistas e vividas, ajudando assim em como ler uma onda no escuro. Interação homem e natureza nunca estiveram tão óbvias e claras para mim. Arquivos mentais faziam com que todos mandassem cutbacks e batidas em lips brilhantes.
As vacas também foram uma constante. Embaixo da água o medo sobressaía e a paranóia de tubarão mais ainda. Mas logo remávamos em disparada para junto dos amigos, acreditando que assim estaríamos a salvo.
A cada onda surfada pela galera, ouvia-se os gritos das meninas lá fora assistindo mais uma aventura histórica na “terra do nunca”, ou melhor, dos cangurus…