
O pernambucano Carlos Burle tem moral de sobra quando o assunto é ondas grandes.
Seu vitorioso curriculo reúne títulos como o mundial de ondas grandes em 98, o XXL Big Wave Awards em 2001 e o troféu de terceiro colocado no Tow In World Cup de 2002.
Presença constante no inverno havaiano, o atleta de 37 anos está sempre a postos quando um swell monstro desafia os melhores big riders do mundo.
Em entrevista exclusiva a Bruno Lemos, correspondente do Waves.Terra no Hawaii, o big

rider pernambucano fala sobre a temporada havaiana, tow-in e o concurso Billabong XXL Big Wave Awards.
Como está a temporada de ondas grandes?
Está sendo uma boa temporada para a prática do tow-in no Hawaii, pois tivemos vários dias de treino em Jaws, mas infelizmente nada de swells XXL para Main Land.
Qual foi o momento mais marcante até agora?
Com certeza os primeiros dias grandes. Primeiro o dia 15 de dezembro pelo tamanho
das ondas e pela perfeição do dia, e o dia 17 de janeiro pelo tamanho e radicalidade do dia, pois o vento off shore muito forte fez as condições ficarem super difíceis para os surfistas.
O Garrett se destacou pela sua performance, o Dan Moore pela morra que surfou, o tubo do Eraldo, a morra que o Shane Dorian surfou, a vaca sinistra do Skin Dog, jet skis nas pedras e todas as fortes emoções que passei.
Você tem surfado um pouco na remada ou só faz tow-in?
Gosto muito do tow-in e tenho investido bastante na prática. Mas sei como é importante ter uma boa remada, pois a qualquer momento posso estar participando de um evento de ondas grandes na remada. Por isso faço minha base em Oahu, pois o surf aqui no North Shore é excelente.
É importante passar a temporada inteira no Hawaii?
Acho muito importante, pois aqui estão as melhores ondas do mundo, os melhores surfistas, a mídia e os campeonatos. É a época onde mais trabalho para dar retorno aos meus patrocinadores.
Quanto custa passar uma temporada no Hawaii? Como tem feito pra custear isso?
Custa muito caro, pois todos os gastos são em dólares e o total em média do meu custo aqui é de 20 mil dólares. Com a prática do tow-in, esses custos ficaram bem mais caros, pois todos os equipamentos custam muito e fazemos muitas viagens atrás das ondas.
No meu caso, esses custos são pagos através do meu salário. E é algo que eu preciso repensar, pois realmente não estou conseguindo fechar bem minhas contas. O ideal era todos os custos serem pagos pelos patrocinadores.
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Você tem algumas ondas inscritas no Billabong XXL deste ano. Quais são as suas chances de vencer o concurso novamente?
Estou com boas ondas concorrendo para o XXL Biggest Wave, mas tenho consciência de que será muito difícil pra eu ganhar novamente um prêmio desse. Estou muito focado na minha performance e estou deixando o resto fluir.
Quem são os favoritos ao título?
Dan Moore, Garret, Skin Dog, Shane Dorian, Ikaika, Archie e provavelmente outras bombas que vão aparecer.

Como você descreveria a situação do tow-in no Brasil atualmente e o que podemos esperar no futuro?
O tow-in no Brasil está evoluindo e estamos tentando organizar junto às autoridades da maneira mais profissional possível. Vejo um futuro sólido para o tow-in no Brasil e no mundo.
É verdade que está cada vez mais crowd e impossível aqui no Hawaii?
O número de praticantes tem aumentado muito e por isso há necessidade de nos organizarmos. Jaws está super crowdeado de surfistas, jets, barcos e helicópteros da mídia. Está parececendo um water world.
É possível surfar uma onda de 100 pés?
Acho que sim. Os equipamentos estão melhorando muito e os surfistas estão bem mais preparados. Já estamos surfando ondas perto de 80 pés. Está faltando muito pouco para chegarmos lá.
Onde será que essa onda vai quebrar e quem você acha que vai conseguir surfá-la?
Eu acho que os lugares mais prováveis estão na costa do Hawaii e em Main Land. Cortes me parece um set up perfeito para essas ondas. Mas tudo é uma questão de swell certo e com boas condições. Os caras que podem surfar essas ondas são com certeza os melhores do mundo e é só uma questão de estar no lugar certo, na hora certa. Quem tiver mais condições sai na frente.
Pra finalizar, deixe uma mensagem aos internautas do Waves.
Deixar um grande abraço a todos e que tenham a consciência da necessidade de se trabalhar para um mundo melhor e cheio de harmonia. Tudo isso começa dentro da gente. Procure o eqüilíbrio para encontrar paz de espírito. Trabalhe seu físico, mente e espírito.